O que é um Primeiro-Ministro?

Um Primeiro-Ministro não tem obrigação de conhecer o grau de coesão estrutural e solidez material de uma ponte romana da Sertã ou de uma estrada de Pitões das Júnias. Aliás, o motivo por que, normalmente, se verifica um acentuado aumento de peso e massa corporal dos cidadãos investidos nas funções de chefe de governo, reside no facto de passarem muito tempo sentados, a tratar de assuntos, e não a inspeccionar e manter pontes, estradas e viadutos, tarefas da responsabilidade de entidades públicas e funcionários com índices de massa corporal mais baixos, alguns deles com potência eléctrica de 3,4 KVA instalada em casa, a quem cabe zelar pela integridade e segurança de infraestruturas públicas e de quem as usa.

Acontece que ser Primeiro-Ministro não equivale, do ponto de vista da hierarquia do Estado e da responsabilidade do agente público em questão, a ser director de uma repartição pública ou chefe de uma estação de correios, quando estes ainda eram do Estado. O Primeiro-Ministro é o responsável máximo do Poder Executivo e, nessa qualidade, cabe-lhe engordar, é verdade, enquanto trata de assuntos, porém, um desses assuntos há-de ser, convenhamos, a segurança dos seus concidadãos e a aptidão das infraestruturas públicas que usam. Dito de outro modo, há-de caber na esotérica agenda de um chefe de governo garantir, até ao limite das suas capacidades, que nenhum dos seus concidadãos corre o risco de, ao circular na via pública, ser levado pela derrocada de uma ponte, ser engolido por uma estrada transformada em desfiladeiro ou morrer queimado numa ratoeira de fogo.

O senhor doutor António Costa não é responsável directo pela negligência que grassa nos equipamentos, vias de comunicação e obras de arte sob a tutela do Estado, seja esse Estado entendido como Administração Central ou Local – aproveita-se para informar o senhor Primeiro Ministro que as Autarquias fazem parte do Estado -, mas cabe-lhe a responsabilidade primeira e última de munir as entidades públicas das instruções e dos meios necessários à execução das tarefas a que estão obrigadas, na salvaguarda da integridade do território, dos equipamentos públicos e sob tutela do Estado, e, primordialmente, da vida dos seus concidadãos.

De qualquer modo, não parece adequada à gravidade, à responsabilidade e à dignidade das funções de Primeiro Ministro de Portugal, esta aparente tendência que o chefe de governo manifesta para, ante os vários sinais de negligência oferecidos por entidades públicas pertencentes à hierarquia administrativa cujo topo ele ocupa, a postura de inimputabilidade e irresponsabilidade peremptória que constantemente adopta.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Mas onde está a admiração, caro Bruno Santos?
    Esta postura é a mesma que TODA a classe política usa e sempre usará, pela IMPUNIDADE a que eles estão sujeitos.
    Apliquem-se as leis do privado – melhor dizendo – responsabilize-se o serviço público e rapidamente veremos que aquele conceito de impunidade e de cartel partidário que grassa na sociedade, desaparece. Se os ministros, autarcas, parlamentares envolvidos em tantos e tantos escândalos fossem condenados – como deveriam ser se a justiça funcionasse – teríamos sangue novo na política, pessoas que sabiam que eram observadas e por tal, a seriação far-se-ia de um modo natural, afastando varas, macedos, portas e quejandos. Neste contexto, pôr-se-ia ponto final no clientelismo e nos cartéis políticos que transforma cada político em manta protectora da classe.
    Foi exactamente a utilização dessa prerrogativa que o povo tão “bem” concede aos nossos políticos, que levou o sr. PM a tirar a SUA impunidade no momento do discurso, o mesmo que faz um PR que passa a vida a dizer que é necessário investigar, mas rapidamente se cansa.

    “Dou-te a minha palavra passe e marca-me a presença”…
    Esta é a imagem de marca desta corrupta república.
    Não se admire, nem seja ingénuo.
    Deveria aplicar-se à política, como solução, aquela que Carlos Queirós preconizou à FPF nos anos 80 do século passado…

    • doorstep says:

      Boa…! Apliquem à d. política mais “soluções” (!!!) do sr. futebol, insistam, persistam, não esmoreçam – algum dia o pinto chegará a presidente, o vieira a ferro e o carvalho a primeiro, revezando-se em bicha – perdão, fila – indiana, à vela das rotações eleitorais.

      E quando inventarem um estatuto condigno para a castelo branco, congelem o sistema. Com o passar do tempo talvez chegue a vez do fado, já que a de fátima é intocável e nunca passará – InchAllah.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        O Sr. “doorstep” já nos habituou a tropeçar naquilo que diz. Percebeu a imagem do futebol? É evidente que não percebeu e portanto, sai a terreiro armado em Dª Cristas, mandar uns fogachos à plateia.
        É verdadeiramente inacreditável o que certos degraus fazem para aparecer …

        • doorstep says:

          Só quem não o conhece é que o compra, conde ernesto – a sua invocação da cristas é um excelente exemplo de false flag…

          E como quase ninguém o conhece, tem amplo mercado para os aventais que distribui. Cuide a qualidade, que o esquema de se fornecer nos chineses degrada inelutavelmente o produto.

          ps(d-ml): quando me ligar pode deixar o nome – afinal há décadas que nos destratamos, o que torna infantil a tentativa de se resguardar pelo anonimato…

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Quem é que trabalha no anonimato? Eu?
            Conde? O sr. sabe com quem está a falar?
            Eu identifico-me sem qualquer complexo. Sou exactamente a pessoa que se identifica com o nome que aqui coloca. Não pratico a táctica da emboscada como o Sr, que se esconde atrás de um anonimato para vir mandar tiros para a plateia. Tenha modos e deixe de dizer asneiras.

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Reparei na sua frase “…quando me ligar pode deixar o nome”.
            Mas quem é que lhe ligou? O Sr usa uma rede destas para fazer acusações falsas e perfeitamente imbecis.
            A sua táctica é não se dar a conhecer. Mas olhe que há, felizmente, pessoas que não necessitam desses subterfúgios para dar a sua opinião. É o meu caso, e tudo o que digo aqui di-lo-ia olhos nos olhos em qualquer circunstância.
            O Sr. provavelmente terá alguns casos mal resolvidos na sua vida, mas aconselho-o a procurar melhor os motivos das suas frustrações e não enveredar por maltratar quem não conhece.
            A sua pontaria é, manifestamente, tão má quanto a sua língua.


          • Assenta que nem uma luva. Só enfia o barrete quem se põe a jeito…

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Sr. manuelglopes:
            Depende de quem se põe, ou pôs, a jeito.
            A verdade não coloca ninguém a jeito, nem dá para enfiar carapuças. Se alguém aqui enfiou uma carapuça, foi quem veio para estas páginas, participar numa discussão em que, em vez de argumentar sobre o tema exposto, nada mais faz senão disparar, tipo “caçador emboscado”, contra quem emitiu uma opinião, acusando-me não percebo de quê, porque na sua “imensa sabedoria”, pensará que eu sou uma outra pessoa com a qual ele terá um caso mal resolvido. Manifestamente o seu serviço de informações está desactualizado.

            Acontece que eu sou mesmo eu, identificado com todos os nomes que constam no meu cartão de cidadão e não quem, um indivíduo qualquer, pensa que eu sou. E o curioso é que esse indivíduo não se dá a conhecer, escondendo-se atrás de um qualquer substantivo – que, no caso vertente, lhe assenta muito bem, convenhamos.
            Cumprimentos.

          • Carlos Almeida says:

            Caríssimo e Exmº Sr doorstep

            Já tenho aqui apreciado muita demagogia e falta de honestidade intelectual, mas que um utilizador com login de “doorstep” acusar outro que aqui se identifica com o seu nome ainda por cima completo de se esconder por detrás de anonimato, conforme a sua brilhante frase “o que torna infantil a tentativa de se resguardar pelo anonimato”, é merecedor de ser condecorado com a medalha do “ridículo da semana.”
            E tudo isto porque ? Porque lhe tocaram na Sr Dr Cristas, presidente do CDS, e que coitada com uma amnésia profunda aparece em tudo o que é desgraça. É mentira ?
            Haja paciência …

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Caro Carlos Almeida.
            Há situações que, sendo tão ridículas, têm apenas o condão de se discutir pela inusitada estupidez de algumas das afirmações produzidas.
            Esse senhor de nome “doorstep”, quando escreveu as palavras “…“o que torna infantil a tentativa de se resguardar pelo anonimato…”, foi num raro momento de lucidez, em frente a um espelho, falando para a sua figura.
            Fica pois, desculpado, pois o acto de contrição é uma atitude nobre.
            Já agora, ele podia pôr a Dª Cristas a fazer algo de semelhante., Eram ambos muito mais úteis à sociedade e, ao menos uma vez, diriam algo que soava a verdade.
            Cumprimentos.


        • !!! Uai?

  2. Paulo Marques says:

    O Sr António Costa apenas cumpre ordens de manter as luzes acessas enquanto retalha o país, como os seus antecessores. A bem do défice, Deus supremo da eurolândia, por muito que ele volte sempre para os punir.


  3. “«O Estado falhou, há sempre um responsável máximo e esse é o Governo e o primeiro-ministro.» diz a D. Cristas, essa politica que anda sempre à cata de situações de desgraças como abutre necrofago e que deve achar que o problema das pedreiras apareceu de há 4 anos para cá. Não é burrice mas sim sacanice intelectual..

    Ela quando fala do Estado, fala do Estado que existe apenas há 4 anos e não de todos e mais alguns que sabiam ao longo de décadas do perigo eminente e do desabamento provável. Não…ela fala deste Costa esquecendo por omissão intencional todos os outros.
    Acho que o Sr. Doutor Antonio Costa é tão responsável como os ´seus antecessores, mas muito menos que muitos outros, entre outros; o autarca que durante 17 anos presidiu aos destinos do município e nada conseguiu fazer, bem como aqueles que sabiam das irregularidades e ilegalidades quanto aos licenciamentos, quanto à margem de segurança que desde o principio nunca foi cumprida….e outros ainda como a protecção civil que parece que desconhecia o perigo existente.

    Enfim….um país que mais parece mais um laboratório mantido por alquimistas onde todos viam, sabiam e não se preocuparam nem se indignaram.


  4. Essa do aumento da massa corporal cai mesmo a matar… Nota-se de dia para dia…

  5. Rão Arques says:

    EM ESTADO DE BORBA
    Desde quando é que o governo sabe que existem pedreiras em risco que agora decidiu investigar?
    O que é que fizeram para não deixar que em Borba a exploração chegasse à prumada da borda da estrada?
    A quem competia essa fiscalização que não existiu?
    Esta incúria não podem remeter para o presidente da câmara.
    Vale a pena insistir com dois personagens distantes, alheados, amorfos e irresponsáveis.
    O Dr. Costa de nada sabe e nada vê, padecendo mesmo de um crónico défice de evidências.
    Ao nosso estimado presidente Marcelo basta ir dando corda à estafada cassete do costume, aguardar com serenidade atempado e cabal apuramento, como se de uma caldeirada ao lume sem cheiro nem sabor se tratasse.
    Antes de alguém se atirar na pesca de responsáveis, o presidente Anselmo de Borba parece que foi eleito como o alvo mais à mão, devem começar avisadamente por se esclarecer sobre as boas regras e implementação de prevenção de riscos.
    Diz a bíblia correspondente que não há causa sem motivos nem acidente sem causas.
    Findas as averiguações, responsáveis maiores até podem ser estas duas figuras de plástico reciclado e suas cortes de reincidentes ignorantes.
    Acrescento ao que fica dito, e não é pouco, que se bem li e percebi ainda de fresco, membros deste governo trocaram informações sobre a tragédia anunciada.

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