Vila Nova de Gaia e a China

Numa altura em que Portugal recebe, em visita oficial, o Presidente da República Popular da China, vale a pena recordar o que pensa sobre o assunto o mais alto responsável do Gabinete da Presidência da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, precisamente o chefe de gabinete de Eduardo Vítor Rodrigues. São dele as seguintes tiradas, plenas de sentido diplomático:

Na China nem os mortos (e nem os vivos…) são respeitados. Só o lucro capitalista merece respeitinho”, como se pode verificar no exemplo seguinte:

Ou esta, onde se desfere um ataque ao Instituto Confúcio, o equivalente chinês do Instituto Camões:

Ou esta ainda, onde à violência verbal se adiciona a boçalidade:

Ou estoutra, onde se insinua, sem qualquer pudor, que o fenómeno da poluição na República Popular da China está ligado à corrupção política do país:

E, finalmente esta, onde se acusa um dos mais importantes parceiros comerciais de Portugal de ter perdido “qualquer credibilidade perante a comunidade internacional”.

Ninguém ignora que estas tiradas totalmente irresponsáveis têm origem numa página de feicebuque, pântano onde os responsáveis da Câmara de Gaia parecem gostar de perder a dignidade. Mas também se sabe que o seu autor está investido em funções de significativa responsabilidade pública – a chefia do gabinete da Presidência da Câmara Municipal de Gaia – , circunstância que compromete a Autarquia e o seu presidente, Eduardo Vítor Rodrigues, que agora preside igualmente ao Conselho Metropolitano do Porto, tornando-o necessariamente co-responsável por estas lamentáveis afirmações.  Imagine-se agora que, por absurdo, o chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal do Porto, – que, por sinal, chegou a Ministro da Defesa – decidia passar os seus dias no feicebuque escrevendo textos de ataque à política externa americana. Ou que um adjunto de Fernando Medina decidia humilhar publicamente Israel nas páginas de um qualquer blogue. Não parece possível que tal situação pudesse ocorrer.

Este desbragado e irracional comportamento de um responsável público envergonha a Câmara de Gaia e o país, o seu governo e todos os que nele trabalham em prol da política externa portuguesa, cientes da importância decisiva que tem na nossa estratégia de sobrevivência e afirmação internacional.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Isto é uma chatice quando há uma ovelha negra que põe em causa a pedinchice.

    • Bruno Santos says:

      A posição de Portugal não é forte, pelo contrário. Deve seguir a estratégia que sempre seguiu, ao longo dos séculos, que é a de se dar com todos. Reconhecendo, entre eles, aqueles cuja amizade melhor benefício recíproco trará. Não se trata de “pedinchice”, mas se diplomacia, onde há sempre um jogo de forças.

      • Paulo Marques says:

        O que o Bruno escreveu não, o que vi o responsável político dizer (já não me lembro da pessoa) foi pedinchice de investimento igual ao que veio cá fazer Manuel Vicente. Um governo socialista não é um que é evitado de privatizar pelo parlamento, é um que cria condições para que os problemas das pessoas se resolvem usando a capacidade dos recursos desperdiçados, a começar pelos inactivos.

        • Paulo Marques says:

          Não é para discordar que o Rocha devia bastante mais respeitoso a dizer o que diz. Ou acertar mais vezes.

          • Bruno Santos says:

            O Rocha veio do Porto para destruir o PS em Gaia. Tem a qualidade única de ser um homem enfermo. Vê a vida através da doença.

  2. José Corvo says:

    Viva a República Capitalista de George Soros onde os Direitos Humanos são respeitados.

Trackbacks


  1. […] que alguém se lembrou, por motivos ainda mal esclarecidos, de mandar tudo por água abaixo, até com insultos diplomáticos no feicebuque. Outros tentaram expulsar-me do PS, com acusações grotescas – por falar nisso, por enquanto […]

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