A greve dos Enfermeiros

O senhor Primeiro-Ministro afirmou, hoje, no Parlamento, sobre a greve dos enfermeiros, que o “exercício do direito à greve não pode ter como consequência a morte de pessoas”, aludindo a supostas declarações de um responsável da Ordem dos Enfermeiros.

O senhor Primeiro-Ministro tem toda a razão. Sendo legítimo por princípio, o exercício do direito à greve deixa de o ser quando provoca a morte de pessoas. Tal, aliás, como o exercício do direito à cativação. Quando o governo da República cativa os recursos necessários ao funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, induzindo com tal opção o aumento de mortes ou danos irreversíveis por deficiente ou tardia assistência, incorre numa ilegitimidade não inferior à dos grevistas que critica. É pena que ninguém lhe diga isto na cara.

%d bloggers like this: