Afinal, quanto custou o Red Bull Air Race?

Uma notícia do dia 8 de Março de 2017 reproduzia declarações do presidente do Turismo Porto e Norte de Portugal (TPNP), Melchior Moreira, recentemente detido por suspeitas de corrupção, segundo as quais a prova Red Bull Air Race, realizada nas cidades do Porto e Vila Nova de Gaia a 2 e 3 de Setembro desse mesmo ano, iria ter um custo de 6 milhões de euros. Segundo Melchior Moreira afirmou na altura, “metade do investimento fica a cargo da Red Bull Internacional e os restantes 50% [3 milhões de euros] serão “comparticipados pelas câmaras do Porto e Gaia e do Turismo do Porto e Norte”, com o apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e do Turismo de Portugal (TP), no âmbito de uma candidatura a fundos comunitários.”

Passado que está mais de um ano sobre o evento, a análise das suas contas, com base em documentos públicos e oficiais, apenas pode servir como exercício lúdico de matemática quântica e álgebro-poética, uma vez que se afigura impossível compreender como pôde o Red Bull Air Race de 2017, realizado no Porto e em Gaia, custar 6 milhões de euros. Senão vejamos:

Contrato entre a Red Bull e a Turismo Porto e Norte de Portugal para a realização do Red Bull Air Race 2017

A Turismo Porto e Norte de Portugal assinou, no dia 1 de Setembro de 2017, um contrato com a Red Bull Air Race GmbH, para a realização do evento, no valor de €1.221.428,49 (Um milhão, duzentos e vinte e um mil, quatrocentos e vinte oito euros e quarenta e nove cêntimos), verba bem abaixo dos 6 milhões anunciados. Não se percebe bem como é que a Red Bull recebe 1,2 milhões para realizar o espectáculo e se propõe gastar 3 milhões, como afirmou Melchior Moreira. A não ser que seja uma IPSS com tendências para o suicídio económico. Ainda assim, a Turismo Porto e Norte obteve vários financiamentos para a realização do espectáculo, segundo consta da documentação que foi possível consultar, entre os quais se contam €1.632.493,00 de fundos europeus, através da CCDR-N, €1.500.000,00 do Turismo de Portugal e €450.000,00 das câmaras de Porto e Gaia. Tudo somado, dá mais de 3,5 milhões de euros, verba que é mais do dobro da que a TPNP pagou pela realização do evento, conforme consta do contrato assinado.

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