Alexandra Leitão

Alexandra Leitão, Secretária de Estado Adjunta e da Educação, tem, como todos os outros membros do executivo, uma nota biográfica no sítio da internet do XXI Governo Constitucional da República Portuguesa.

Essa nota biográfica de Alexandra Leitão não refere, nem tinha que referir, que a governante que aparentemente mais luta deu aos chamados “contratos de associação” e cuja imagem mais se colou à defesa da Escola Pública, tem as filhas a estudar numa das mais caras escolas privadas do país. Se este facto define bem a sua coerência e a honestidade dos seus princípios políticos, não se constitui, contudo, como elemento biográfico relevante para os efeitos que serve uma página oficial do Governo.

Mas o mesmo já não se pode dizer do facto de Alexandra Leitão ter feito parte, entre 2005 e 2009, do Conselho Superior da Magistratura, enquanto membro eleito pela Assembleia da República, informação que é ostensivamente omitida na referida nota biográfica. Esta omissão é curiosa. Como se sabe, uma das principais tarefas de Alexandra Leitão no CSM foi o congelamento da avaliação do juiz Rui Teixeira, responsável pela instrução do processo Casa Pia, no âmbito da qual prendeu um político com altas responsabilidades públicas e pertencente à família partidária de Alexandra Leitão. É possível que o motivo pelo qual a nota biográfica da Secretária de Estado esconde a sua passagem pelo Conselho Superior da Magistratura seja o mesmo que levou o governo da República a não se fazer representar, segundo as notícias, no funeral de Catalina Pestana, ex-Provedora da Casa Pia de Lisboa e figura central do processo judicial que expôs a mais sórdida, abjecta e criminosa face da política portuguesa.

É, assim, no contexto do que atrás fica escrito e, principalmente, do que atrás fica não escrito, que deve procurar-se o significado político e ético do balão de ensaio recentemente lançado pelos do costume, acerca da composição do Conselho Superior do Ministério Público e da alegada “necessidade” de o democratizar. Sabemos que a política não é uma brincadeira de crianças, nem lugar que os anjos costumem frequentar. Mas poucos de nós terão verdadeira consciência do nível de podridão moral que ela pode atingir.

Comments

  1. Anonimus says:

    Ser a favor da escola pública não implica que não se recorra ao privado.
    “não refere, nem tinha que referir,”, mas foi referido. Não vejo hipocrisia, nem relevância.
    (tb vejo o Medina e o Costa a apelarem ao transporte público, e não os vejo pelas CP e metros deste país)

    • Ze de Fare says:

      ser a favor da escola pública e meter os putos na elite privada que fabrica uma casta de ricos e poderosos… diz muito.

      aliás, diz quase tudo.

      sabemos muito bem pra que servem as escolas privadas em portugal… não é só pra roubar dinheiro do orçamento de estado.

      é muito mais do que isso.

  2. Joao says:

    Que nojo de post. Parabéns ao autor. Quo vadis, Aventar?

  3. Ze de Fare says:

    para a larga maioria… a escola é democrática.

    aceita os ciganos com piolhos, os filhos da empregada da limpeza que entra às 6 da manhã antes de tudo abrir e a maior parte do povo.

    o clube secreto, a chave do poder fica para os filhos dos políticos, altos quadros do estado, banqueiros e demais gente pendurada nos favores do estado. Uma casta de inúteis chupistas vendida como gente qualificada.

    e há sempre uma porta aberta para a igreja… porque esta precisa de padres desesperadamente. Temos aliás um padre eleito para presidente da república o que é uma ofensa ao espírito republicano, laico, independente, culto e progressista.


    • Você disse tudo: um presidente eleito é, para si, uma ofensa ao espírito republicano. Já desconfiávamos. Quanto ao culto, progressista e independente a seguir ao espírito republicano foi só para a gente rir, não foi?

  4. Anónimo says:

    Vejamos.
    Faz muito bem a Sr SEC Estado ter defendido o Estado nos usuários contratos associação em que havia oferta pública ao lado dessa escola.
    Se ela tem os filhos numa escola privada, é problema e dinheiro dela. Gastar dinheiro publico onde já há oferta, o problema já é nosso. Esteve muito bem a defender o interesse do Estado.
    Qual é o problema nisto?

    Quanto ao caso do CSM e do Juiz Rui Teixeira, basta ver o que esse caso fez à vida de Paulo Pedroso. Desgraçou o homem e passados estes anos todos o Tribunal EUROPEU dos Direitos Humanos comprovou a sua inocencia e condenou o Estado. (https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/tribunal-europeu-condena-estado-a-indemnizar-paulo-pedroso-por-causa-de-processo-da-casa-pia) presumindo se que isto seja relevante e parece que Alexandra Leitão não seja do Tribunal Europeu, e esta decisão tardia diz muito do que era o alegado envolvimento de figuras da política que nunca foram condenadas e só serviu para manchar o nome. Ou haverá acusação mais indigna do que alguém ser apenas sugerido como pedófilo? Isto destrói a vida de qualquer um, agora imaginem quem é inocente.

    Quanto à ausencia no funeral, acho mal. Mas a Estrada da Beira não é igual à Beira da Estrada.

  5. Luís Lavoura says:

    Não vejo nenhuma contradição entre ser-se contra contratos de associação indevidamente atribuídos e ter-se os filhos numa escola privada.
    As pessoas que têm os filhos em escolas privadas sem contrato de associação (são a maioria delas) não têm qualquer razão para serem a favor das escolas privadas com contrato de associação.

  6. Paulo Marques says:

    Além do caso em questão se referir a contractos ilegais e ser irrelevante, a Leitão, como o Robles, só têm este mundo onde fazer escolhas, não tem um mundo onde o capital tem restrições. Ao menos sempre pensa nas pessoas e no estado, ao contrário dos Ronaldos muito responsáveis.

  7. Daniel says:

    Sim, coerência e honestidade porque ela sempre assumiu que tinha os filhos em escolas privadas
    – mas ela PAGA para isso; não são escolas com os tais contratos associação a mamar no Estado!!
    E, este “pormenor” diz muito sobre a honestidade intelectual de quem escreveu o artigo.
    Relativamente ao resto, não opino porque desconheço.

  8. Elvimonte says:

    Lamentável a referência ao Paulo Pedroso. Talvez lhe fizesse bem passar por uma experiência semelhante, para não escrever disparates. Acusado de pedofilia, detido num directo televisivo em plena AR, preso preventivamente durante uns seis meses e finalmente ilibado, sem sequer ir a julgamento. Vida completamente destruída e uma indemnização ridícula (paga com o dinheiro dos pagadores de impostos).