O jogo da mala

Segundo dá conta a comunicação social, o Estado português tentou introduzir armas e operacionais para-militares em território venezuelano, 24 horas antes de anunciar o seu apoio ao auto-proclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, e depois de ter sequestrado em Portugal 30 milhões de euros pertencentes ao Estado venezuelano.

Quem olha com atenção para este país de brandos costumes e moral celeste, e vê na televisão políticos e seus sucedâneos passeando de algemas, roubando à luz do dia bancos públicos, ou paióis militares sendo assaltados com recurso a carrinhos de mão, talvez já imaginasse que algo de muito original caracteriza esta democracia da finisterra. Mas tanta falta de respeito pela inteligência alheia, parece excessivo. É que nem todos os países do mundo gostam da palha que cá nos dão a comer.

Comments

  1. ZE LOPES says:

    Há uns tempos coloquei um comentário, creio que na caixa de comentários do “Público”, então a propósito do que se passava na Grécia. Dizia então, se bem me lembro, que um dos problemas que se poderia vir a colocar ao governo do “Syriza” seria o facto de o sistema internacional de pagamentos bancários ser dominado por países hostis, impedindo os pagamentos internacionais da Grécia e causando, deste modo, a asfixia de qualquer tentativa de uma política económica independente.

    Como resposta recebi um coro de epítetos de “ignorante”, “tótó”, etc. por parte de liberalotes que diziam que tal era impossível porque o sistema SWIFT era uma entidade independente, que não eram possíveis interferências, etc. etc. etc. Mesmo alguns comentários ajuizados batiam na mesma tecla.

    Ora, eis que me deparo com um artigo de Ricardo Cabral no Público do passado dia 4, intitulado “regresso ao Padrão Ouro?” onde se escreve o seguinte:

    “Nos últimos dois anos, os EUA aplicaram sanções económicas a países e empresas, nomeadamente Irão, à produtora de alumínio russa Rusal, às multinacionais de telecomunicação chinesas ZTE e Huawei, tornando o regime de sanções económicas que já existia sobre países como Cuba e Coreia do Norte muito mais eficaz.

    Por exemplo, um empresário europeu que pretendia importar tabaco cubano viu o seu dinheiro confiscado pelo Governo dos EUA, porque realizou a transacção em dólares através do sistema de transferências bancárias SWIFT que, note-se, está sediado na Bélgica”.

    Pois é! Afinal o sistema de pagamentos mundial, produto do desenvolvimento do regime de Breton-Woods está posto em causa!

    Cito, mais uma vez Ricardo Cabral:

    “O dólar deixou de ser seguro

    No passado, o Governo dos EUA ou tribunais dos EUA congelaram fundos denominados em dólares detidos pelos governos do Irão e da Argentina, por exemplo. Na semana passada, com o reconhecimento de Juan Guaidó como presidente da Venezuela pelo Governo dos EUA, o acesso do Governo venezuelano aos seus activos financeiros noutros países, nomeadamente às reservas de ouro junto do Banco de Inglaterra, foi bloqueado”.

    Ou seja a globalização é uma maravilha desde que seja “à moda do Texas”!

    É por tal razão que, diz Ricardo cabral, se pode dar um regresso ao “padrão-ouro”. Com efeito, qualquer banco central deve pensar duas vezes antes de constituir reservas em dólares, tornando quem o fizer dependente da política económica dos EUA. E, como nenhuma outra moeda poderá dar garantias de circulação internacional fiduciária, se calahar..resta voltar ao Padrão-ouro.

    É indecente é que governos europeus, como o nosso, e a União Europeia deixem que estes atropelos aconteçam. É muito giro quando nos convém…Quando não, vamos ver…

    • ZE LOPES says:

      Esqueci-me de recomendar vivamente a leitura do artigo, assim como de outros, do Ricardo Cabral.


      • Zé Lopes, sabe ironizar com graça quando critica, mas reconheço que é uma pessoa informada.
        Gostei de ler e aprendi algo. obrigada e felicito-o.
        Porém nunca saberemos qual seria a melhor solução neste mundo diabólico da economia globalizada.

        Bruno Santos, bom post denunciador de factos reveladores de tamanho lamaçal político/económico deste reino de cleptocratas, hipocrisia e cinismo de que vamos dando conta cada vez com maior revolta, tanto que faz doer.

        Assim vai valendo a pena vir aqui aventar. Apesar de.

    • Paulo Marques says:

      Pois, mas quem anda a ler MMT (aquela coisa que ganhou popularidade graças a AOC e Corbyn) à mais de um ano fica com a pergunta: e querem reservas para quê? Um estado pode sempre adquirir o que está disponível na sua moeda porque nunca fica sem capacidade de a produzir.
      Depender de outra dá sempre asneira, porque os ciclos raramente coincidem. Quanto ao ouro, ainda pior, aí o controlo sobre a moeda é nulo, sempre podemos contar com os neo-liberais para evitar esse disparate – finalmente, uma utilidade.

  2. JgMenos says:

    O importante é pôr em malas e repatriar o que de valor haja nas representações diplomáticas na Venezuela.
    Quando à cambada bolivariana faltem os dólares vão assaltar em espécie.

    • A.Silva says:

      O grunho do jgMenos não podia deixar de vir bolsar aqui um pouco da trumpa que lhe preenche o cérebro.

    • ZE LOPES says:

      O Professor Doutor Mestre Menos, reputado astrólogo, herdeiro dos poderes dos impérios do Senegal, Gabu, Vale da Mula e Carcavelos, vindo de interpretar os oráculos de objetos como borras de café, chá e Coca-cola, búzios, cadáveres de mosquito, cartas do tarot e cromos da Panini, acaba de lançar mais uma aterradora profecia!

      Estou deveras asusustado!

  3. Daniel says:

    “o Estado português tentou introduzir armas e operacionais para-militares em território venezuelano”
    Hahahaaaa…
    Que “filme”…
    Na verdade, os tais “para-militares” eram apenas 8 agentes da PSP que fazem segurança na Embaixada de Portugal, como acontece há anos!!
    Portanto, nada de especial ou anormal!

    • Nascimento says:

      Claro. Eu até sei que a mala levava pacotes de bolachas e chás…que tótó. E os agentes? Era malta ” normal”, do giro, passeiam ali pós ladecos do bairro da Jamaica.eheheheheh.
      O giro foi ver a cara de parvo do Ministro. Viola no saco e largueza para casa! Pequeninos.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.