Gaia é a cidade com mais desempregados do país

O Jornal de Notícias chama hoje à sua primeira página uma notícia sobre a descida da taxa de desemprego nos municípios portugueses, dando bizarro destaque à evolução desses números em Vila Nova de Gaia e apresentando este município como um “campeão” na descida do número de pessoas desempregadas. Acontece que o JN distorce completamente os dados, manipulando a informação e usando valores absolutos para comparar aquilo que só pode ser comparado com valores relativos de variação. Para o JN, se Gaia baixou o número de desempregados, entre 2012 e 2018, de 33.428 para 16.793, recuperando 16.635 postos de trabalho, teve uma evolução muito melhor do que Almada, por exemplo, que passou de 9.812 desempregados, em 2012, para 5.768 em 2018, recuperando “apenas” 4.044 empregos. O que o Jornal de Notícias omite é que, em termos relativos, que é o que interessa, Almada teve uma variação do número de desempregados de -58,7%, enquanto Gaia teve apenas de -50,2%, atrás de Almada, de Matosinhos e até do Porto.

Variação_Desemprego por Município_2012-2018

Mas o Jornal de Notícias omite algo anda mais grave. É que, mesmo em termos absolutos, Vila Nova de Gaia ultrapassou até Lisboa em número de desempregados, apesar de a capital ter quase o dobro da população. As estatísticas do ano passado mostravam que Vila Nova de Gaia era a segunda cidade com mais desempregados no país, a seguir a Lisboa, tendo este ano, finalmente, alcançado a posição cimeira nesta triste estatística, fazendo prova de uma regressão social e económica evidente, fruto de uma liderança apostada na permanente propaganda mas, pelos vistos, em igual incompetência.

Desemprego por Município_2012-2018

O presidente da autarquia tem ainda o desplante de vir para o jornal cantar vitória, falando de “Programas” fantasma de “incentivos” e “via verde para as empresas”, quando os números tornam evidente a total ausência de estratégia económica da câmara municipal e uma penosa derrota social no combate a um dos maiores flagelos que atinge a cidade.

Comments

  1. esteve,ayres says:

    Eu não acredito nesses dados de Desemprego!

    Eu passo tantas vezes no Centro de Emprego e cada vez vejo mais jovens à procura de emprego. Já não falo dos mais velhos!!!Esses nunca mais vão ter emprego/trabalho!!!
    Portanto, levantem o cú da cama o mais cedo possível, e vão aos centros de emprego por volta das 6/7 horas e verifiquei (as filas) o que eu estou a escrever/dizer…
    Até um dia destes

  2. Bruno Santos says:

    Veja, p.f. “Estatísticas mensais por Concelho”: https://www.iefp.pt/estatisticas

  3. Bruno Santos says:
  4. Bruno Santos says:

    Que é tudo mentira, eu sei.

  5. Rui Naldinho says:

    Dos jornais, do pouco que ainda vou lendo, faço eu as minhas próprias extrapolações. Os comentários e as análises jornalísticas, maioria das vezes a mando de alguém, para mim valem muito pouco. E se uma notícia atirar com umas estatísticas avulso, então ainda sou ainda mais selectivo.
    Senão vejamos:
    Uma estatística é sempre uma armadilha. Ou melhor, um instrumento técnico de manipulação de dados, para que um determinado universo sociológico os consuma. E em Portugal ainda o é mais. Daí a célebre frase: “ o copo meio cheio ou meio vazio”.

    Dou um exemplo caricatural, mas verdadeiro:

    Numa Universidade, dois jovens alunos a completar a sua especialidade, onde eram apenas os dois, já no final do curso, disputavam a mesma namorada. Uma coincidência, mas a vida tem destas coisas.
    Ambos pretendem convencê-la a acompanhá-lo ao baile de finalistas. Cada um deles faz o seu joguinho amoroso e de convencimento à moça.
    Um deles estava classificado em primeiro lugar no curso, o outro em segundo. O que estava em segundo lugar, numa derradeira tentativa de convencer a rapariga, de que ele era mais capaz e melhor aluno do que o seu colega, diz-lhe:

    Sabes, eu sou o segundo classificado do meu curso.
    Ela inocentemente questiona-o, qual a classificação do seu colega, por não saber quantos alunos eram ao todo.
    Ao que ele retorquiu:
    Ele é o penúltimo!

    O que me interessa numa estatisca é analisar as tendências. Se estamos a melhorar ou a piorar. E na qualidade dessa melhoria, se ela é apenas conjuntural ou estrutural. Convencido estou, hoje, que o estrutural já é em grande parte meio conjuntural. Acabaram-se os empregos para a vida, com honrosas excepções.
    Tudo o resto é manipulação.

  6. Mário Reis says:

    Também registei tal destaque. Coisas estranhas de um certo jornalismo, tipo claque, que sistematicamente veste a pele de certos personagens. Talvez o crescimento de certas despesas dos orçamentos camarários revelem o porquê de destaques destes e a frequência de não noticias.

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