A Flor e o Espinho de Mário Centeno

Vanishing Act

O jornal Público faz referência à viagem de comboio de Mário Centeno de Lisboa até Vila Nova de Gaia, onde arrancou a campanha do PS para as eleições europeias. O Ministro das Finanças, histórico socialista e aparentemente profundo conhecedor dos símbolos que representam o seu partido, terá dito, segundo o jornal, que trazia consigo apenas uma “rosa, símbolo do PS, que significa a importância do que aí vem, não preciso de mais nada”. Centeno proferiu estas palavras a partir de um púlpito decorado com o punho cerrado que tradicionalmente identifica o partido que representa. Para o cidadão menos atento, a mensagem de Mário Centeno será uma referência poético-botânica sem especial significado, destinada a comover as hostes, num comício de campanha onde as palavras são atiradas como punhos aos corações abertos da claque, sempre pronta a engolir sem mastigar, nunca distinguindo, por isso, o mel do fel do seu penso. Tudo é mel e água pura.

Mas a referência de Centeno não é, na verdade, inocente, nem mero lirismo gratuito. É muito mais do que isso. Infelizmente, não temos tempo para desenvolver aqui o assunto.

Ler aqui:  Eurogroup, The Vanishing Act.

 

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Desde que Mário Soares, num assomo de menoridade política e complexos da mesma área afirmou que o socialismo era para meter na gaveta (não fosse o “amigo” Carlucci, ficar zangado), temos vindo a assistir a inúmeros actos de contrição liberais (perdão, socialistas) onde a gente que os representa manifestamente desconhece as bases do partido criado por José Fontana.
    O partido socialista, politicamente, sempre foi incompetente e servido por incompetentes na hora da verdade, porque é um partido “comercial” que joga a feijões com a direita e com a esquerda, ou com os dois, se der jeito.
    Não é que negociar seja pecado. Pecado é renegar sistematicamente as suas bases doutrinárias.
    Mas acho que colocarem na bandeira a “rosinha” e retirarem a “mãozinha” terá sido dos actos mais coerentes que esta tralha dita socialista nos trouxe. É que o operário, é uma chatice e a rosa sempre dá cheiro. E como a merda é muita, até dá jeito.


  2. PS a “renegar sistematicamente as suas bases doutrinárias” ,

    Subscrevemos todo este seu comentário, a começar com Mário Soares e acabando no último parágrafo !

  3. Rui Naldinho says:

    Bruno, não sabia que o Mário Centeno era um histórico socialista. Até pensei que seria uma espécie de “independente”, caçado nuns quaisquer Estados Gerais, mais por não gostar da direita Tuga, do que por ser propriamente socialista.
    A certa altura, convenci-me que era mesmo um novato nestas andanças da política, por muitos pergaminhos académicos que pudesse ter. É que depois de ver Passos Coelho a rir-se dele como Ministro das Finanças, fiquei a pensar que o “rapaz” era um “teenager”. Um dia destes ainda o veremos tal qual o Daniel Bessa, a vestir-se de liberal, dos “quatro costados”.

  4. Paulo Marques says:

    Esse estudo é interessante:

    «Our conclusion then is that the Eurogroup continues to evade proper accountability. As a basic principle, “democratic control and accountability should occur at the level at which the decisions are taken” – i.e. European decision-making should be accountable at European level. This was the stated goal, in 2012, of the Presidents of the European Council, the European Commission, the Eurogroup, and the European Central Bank.4 While the Eurogroup’s President regularly appears before the European Parliament to answer questions, this voluntary arrangement does not constitute an effective accountability mechanism. Thus, even while operating as a de-facto gouvernement économique, the Eurogroup as such is not accountable to anyone.»

    Roubando os resumos dos anteriores ao Bill Mitchell, temos ainda:

    Two sides of the same coin? Independence and accountability of the ECB.

    They find that:

    “the ECB’s accountability consists of answerability rather than democratic control”.
    “members of the Governing Council do not presently file public declarations of interests and assets, a standard precaution in economic and political institutions”.
    “Many Executive Board members have gone on to accept posts in private finance, even while none of these highly accomplished civil servants had significant professional experience in the private financial sector prior to their Executive Board tenure”.
    “the outdated whistleblowing framework, which does not compare well to international best practices”.
    “a much higher level of transparency is needed on the ECB’s meetings with lobbyists.”

    From crisis to stability: How to make the ESM transparent and accountable.

    They find that:

    The European Stability Mechanism to be largely unaccountable and it is hard to discern who drives the decisions
    “Both the negotiation of ESM bailout agreements and the monitoring of implemented reforms are prone to heavy-handed negotiating tactics and brinkmanship …”.
    “The conditionality attached to financial assistance programmes naturally challenges a government’s sovereignty”.
    It is hard to discern “who is in charge of ESM programmes”.
    “the ESM is outside of the EU treaties. This has real consequences and makes EU-level accountability impossible.”
    “it is impossible to hold a non-EU institution accountable at the European level; on the other hand, enabling decentralised accountability by giving each member a veto can worsen the brinkmanship and expose members in need of financial assistance to blackmail.”

    Investing in Integrity? Transparency and democratic accountability of the European Investment Bank

    They find that:

    There is a problem of integrity, in that senior managers “have too much discretion to favour companies from their ‘home’ countries”.
    “The Management Committee does not take responsibility for the approval of projects”
    “Management Committee decisions is exacerbated by a lack of transparency, as none of the EIB’s governing bodies publish their minutes”

  5. Julio Rolo Santos says:

    Talvez tenha razão mas então em vez de Centeno quer quem nas Finanças? Talvez já tenha saudades dos ministros das Finanças de passos Coelho, nomeadamente, o dos “enormes aumentos de impostos”. É assim, ninguém esta contente com o que tem. Quer se queira quer não Centeno é independente e é dos melhores ministro das Finanças que passou por aquele ministério.


  6. Eugénio Rosa, apoiado !

    ou

    Francisco Louçã, Ricardo Paes Mamede !

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