Genealogia da moral

Abundam nas redes sociais – nestas redes inclui-se toda a comunicação social, que também é uma rede – referências críticas às últimas remodelações governamentais, designadamente a aspectos relacionados com os laços familiares que unem certos membros do Governo da República.

O próprio senhor Presidente da República fez questão de vir esclarecer a sua posição sobre o assunto, desvalorizando-o e lembrando que, acima de tudo, é o mérito de cada um que determina a atribuição de lugar à mesa do Conselho de Ministros, e não qualquer outro factor alheio a esse mérito, como por vezes parecem insinuar alguns críticos, desconhecedores, certamente, da longa tradição portuguesa em matéria de escrutínio e reconhecimento das qualidades dos seus escolhidos.

Para demonstrar a razão que assiste ao senhor Presidente da República, segue-se uma lista ordenada de portugueses de grande merecimento que, por causa dele e apenas dele, ocuparam cargos de elevada responsabilidade no governo de Portugal. A lista começa em 1604, com João IV e Luísa de Gusmão, terminando em 1999 com Dinis, Duque de Bragança. Pelo meio, toda uma genealogia do mérito.

 

Dinastia de Bragança. Fonte: Wikipédia.

Comments


  1. Só de ver na lista, o chamado D.João VI (Grande animal) e a sua “honrada” esposa fiquei logo com vómitos…


  2. Esta tem meia hora: “O PS vai propor a professora universitária Mariana Canotilho para nova juíza do Tribunal Constituciona”. Só gostava de saber porque é que a senhora (e a Lusa) tirou o Gomes do nome. Não sabe que os concursos públicos estão na Internet? Há que desvalorizar, naturalmente, mais esta coincidência. A ética república está boa e recomenda-se!

    • Rui Naldinho says:

      Eu parece-me que a Senhora se chama Mariana Rodrigues Canotilho. Admitindo que é filha de Gomes Canotilho, um dos grandes Constitucionalistas Portugueses, mas não tem o Gomes no seu nome, não sei porque razão haverá de constar essa “presumível” afinidade? Não estamos na Monarquia.
      Propor o nome da Mariana Canotilho para o TC, parece-me até menos chocante, do que aquele jovem Professor da UC, Gonçalo Manoel de Vilhena de Almeida Ribeiro, que defendeu o montão de inconstitucionalidades na tempo de Cavaco, em vários debates televisivos, como se veio a provar pelas resoluções do TC, de então.
      Hoje o rapaz está lá, cheio de currículos, a dizer provavelmente as mesmas coisas.


      • Presumo que não perceba de Direito, senão pedia-lhe o favor de me explicar porque é que, sendo os princípios do Estado de Direito, da tutela da confiança e da proporcionalidade universais no direito constitucional europeu, apenas entre os “juízes” socialistas do “Tribunal” Constitucional português vingou o entendimento de que era inconstitucional um Estado falido reduzir as prestações dos seus funcionários e pensionistas (e, noto, apenas quando essas medidas foram propostas por um governo não-socialista). Sendo os nosso “constitucionalistas” tão bons, podíamos exportá-los para Espanha, Grécia, Chipre, Irlanda ou Letónia, para lhe ensinar o princípio de que cabe aos “juízes” decidir a medida das medidas de austeridade forçadas por uma bancarrota, e não aos poderes legislativo e executivo eleitos pelos cidadãos. Sugiro começar, porque não, pela filha do Prof. Canotilho, que tenho a certeza que é douta nessa matéria.

  3. JgMenos says:

    Cunhas, nepotismo e compadrio, os pilares da democracia abrilesca.

    Revolução ou Recuperação republicana.

    • ZE LOPES says:

      Realmente, Salazar, não contribuiu para o nepotismo. também não seria possível. Os historiadores põem em relevo as diferenças entre Salazar e os outros ditadores da época, pelo Menos no que diz respeito aos momentos de viragem nas suas gloriosas carreiras. Com quem estavam nessas decisivas alturas?

      Hitler estava com a mulher; Mussolini com a amante; e Salazar? Estava com…o barbeiro.

  4. JgMenos says:

    Quanto ao compadrio monárquico.
    Pelo menos era hierarquizado, não propriamente matilha ao osso.

    • ZE LOPES says:

      Não duvido, já que V. Exa estava certamente presente, e sempre respeitou os líderes. Segundo consta ainda tem as duas orelhas e o essencial do couro cabeludo. Não vale a pena é tentar coçar o testículo esquerdo com o mindinho da mão direita. Apesar das saudades, há coisas que não voltam.


  5. A acreditar na prosa, estas 78 personagens aqui expostas teriam e terão cargos governativos de elevada responsabilidade. Parece-me um exercício preguiçoso perguntar-lhe que cargos desempenham o Afonso, o Diniz e a Maria Francisca. Mas se em 78 nomes verificarmos que só 14 efectivamente governaram, e num hiato temporal de 270 anos, podemos afirmar que a República faz depender do tálamo conjugal a escolha dos governantes muito mais do que fizeram os Braganças. Uma das questões da animosidade contra Cavaco é o facto de o mesmo ter nascido fora da “família” que nos governa e que não tem a ideologia como barreira, mas o berço.

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