Paula Et al.

Bairro Social em Vila Nova de Gaia. 

O episódio ocorrido recentemente na cidade do Porto, envolvendo uma cidadã que recebeu ordem de despejo da Câmara Municipal, é apenas uma amostra daquilo que todos os dias acontece longe da vista. Neste caso concreto, há uma pessoa que, além de ter ficado sem casa, está a ser usada como arma de arremesso político, vendo exposta a sua vida e a sua intimidade na praça pública. A nossa política é isto. Alcançou este nível.

A verdade é que são milhares as “Paulas” de Portugal. Quem conhecer minimamente as políticas de habitação social promovidas por muitos municípios, perceberá que elas estão muito longe de constituirem uma prioridade. Pelo contrário. E se há aqueles que reclamam o fortalecimento dos poderes e dos recursos das autarquias locais, argumentando com a “proximidade ao cidadão” e um “conhecimento mais directo dos seus problemas”, esses são precisamente os que derretem milhões de euros de recursos municipais em festanças, obras inúteis, contratos faraónicos e campanha eleitoral permanente, enquanto ao seu lado há famílias inteiras que não têm onde trabalhar, onde viver e, muitas vezes, o que comer. Muitas delas são expulsas das suas casas – a coberto de inatacável fundamentação jurídico-administrativa – e levam ainda como prémio terem os seus nomes e as suas vidas expostos na praça pública.

O que a seguir se publica são extractos do Boletim Municipal de Vila Nova de Gaia, uma Câmara  presidida por um “socialista”, contendo decisões de despejo de vários cidadãos, identificados pelo seu nome e morada, que viram publicamente expostos, mas que não tiveram a sorte de ter por perto uma câmera de televisão que registasse os seus lamentos e frustrações.

Comments

  1. JgMenos says:

    Já houve o cheque bébé.
    Vamos a caminho do contrato/casa?

    • ZE LOPES says:

      Nada disso! Isto é tudo gente que vive em condomínios fechados na Foz porque subiu na vida durante o consulado do Passos Coelho onde a mobilidade social ascendente atingiu velocidades nunca vistas ( a título de exemplo conheço um vendedor de castanhas que chegou a milionário. No bairro chamam-lhe carinhosamente Cocastanhas, é muito conhecido lá na Foz). Mas não largam as casas nos bairros sociais, por saudade, e porque lhes servem de escritórios. A Câmara de Gaia não podia fazer outra coisa.

    • Paulo Marques says:

      Bão, o sem-contracto/beliche.

  2. Zé Pestana says:

    É uma pouca vergonha num município com um executivo que se diz socialista, mais sem abrigo nas ruas de Gaia.

    • Julio Rolo Santos says:

      Que eu saiba Rui Moreira não é Socialista mas sim independente. Tanto assim é que um socialista na oposição apareceu logo a dar apoio á Paula criticando Rui Moreira acusando-o de tomar tal posição. Mas se esse socialista fosse poder naturalmente que se refugiaria no seu canto. É assim a política e os políticos.

  3. Campos says:

    O único aproveitamento político que se vê é do autor deste texto que pretende por todo o povo português a sustentar uma série de gente que sistematicamente não cumpre as suas obrigações como inquilino, apesar de todas as ajudas.

  4. Luís Lavoura says:

    Mas porque é que são despejados? Há motivos legais para o despejo? Pode haver…

  5. Joao says:

    Aqui está uma boa não-notícia. O autor, após criticar a utilização do caso de um despejo de uma cidadã para fins políticos, faz precisamente o mesmo e anuncia uma data de despejos feitos por uma câmara sicialista ( só estou a citar o autor). Não esclarece os motivos dos despejos, limitando-se a insinuar que se trata de uma questão de politica autarquica. O autor chega a insinuar que a mesma autarquia, e passo a citar “esses são precisamente os que derretem milhões de euros de recursos municipais em festanças, obras inúteis, contratos faraónicos…”. Estará o autor a querer referir-se, por exemplo à construção do famigerado Centro de Treino e Formação Desportiva Olival/Crestuma no qual o anterior autarca gastou 16 milhoes de euros (so na construção, não estando contabilizadas as verbas dispendidas com as expropriações), e que posteriormente foi cedido a um clube de outro município, a troco de um aloguer mensal de 500€, o preço do aluguer de um apartamento T3 na zona?


  6. O texto é parcial e tendencioso, pois não apresenta a fundamentação que levou a cada um dos despejos. O apoio social consubstancia direitos e deveres, mas muitas vezes apenas há direitos e quando se obriga a cumprir os deveres ….aí coitadinhos dos coitadinhos vitimas desta ou daquela camâra e se for PS pior ainda.

    Concordo com o apoio social na habitação desde que se cumpra, naturalmente, os deveres a que isso obriga. E desde que se a condição economica do beneficiario se alterar, a sua relação com o apoio social terá forçosamente de mudar.

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