É só isto, obrigada

 

E que dizer do ‘casar bem’ de Rodrigues? Reparem ainda que a esfera doméstica da opinadora do facebook não inclui cozinhar ou limpar casas de banho. Não, é decorar e receber. O trabalho doméstico é feito pela criada. Ora, claro que escreveu para o mundo upstairs (malgrado usar o piroso ‘esposa’). Mas queriam que se preocupasse com a vida da criadagem?

E agora o choque com a realidade. Portugal é um país onde as mulheres têm uma alta participação no mercado laboral. Porque, com salários baixos, são necessários dois ordenados e, como foi mostrado na apresentação do recente estudo da FFMS sobre as mulheres portuguesas, apreciamos a independência financeira. (As mulheres portuguesas têm a sorte de não conhecerem ‘a Mulher’ de Rodrigues.) Por outro lado, temos muitas famílias monoparentais sustentadas pela mãe.

Ora Joana Rodrigues legitimiza um mundo onde as mulheres têm menores rendimentos que os homens. Se esta defesa é problemática nos casais com dois baixos ordenados, nas famílias monoparentais é infame. É uma defesa do empobrecimento de famílias e de menores oportunidades para as crianças.

Geralmente quem tem atividade política persegue a sua visão própria de bem comum. Que uma tendência (mesmo que irrelevante) de um partido político defenda a pobreza e a infelicidade alheia é algo que nunca tinha visto. É repugnante. Mas são só os integristas católicos a fazer política. Estrebucham furiosamente contra uma medida que aumenta a participação política feminina, contra a igualdade salarial, chamam nomes às feministas, mas, olha, distraem-se de dizer coisas sobre pobreza (que incide mais sobre mulheres), violência sexual ou doméstica. Prioridades. Quem quer saber se as mulheres downstairs levam umas traulitadas ou são molestadas?

 

Maria João Marques no Observador a propósito do artigo de Joana Bento Rodrigues que me escuso a citar para não dar audiências.

Comments

  1. Carlos Rosa says:

    Eu cá vejo a coisa assim.
    O bolchevismo faliu. Todos os dogmas da Revolução de Outubro foram isso mesmo, dogmas.
    Cuba e etc., miséria com fartura.
    A Economia comunista faliu e já ninguém se preocupa em querer implantá-la outra vez. Nem o Putin nem o velho Jerónimo!
    Mas os marxistas não desapareceram. Como são incompetentes para qualquer trabalho real, viraram-se para o marxismo cultural. De um tal Gramsci. Os seus seguidores querem corromper a sociedade infiltrando essas ideias nos jovens ainda sem conhecimento da vida, que ainda frequentam as escolas e as universidades. É mais fácil meter isso na cabeça a quem vive à custa dos pais e a quem o marxismo cultural vem dizer que no futuro não é preciso trabalhar. É preciso é ir sacar dinheiro às empresas que trabalham. Estas até são incentivadas a trabalhar para terem lucros que o marxismo cultural está logo ali à porta para sacar o dinheiro dos impostos e alimentar os marxistas culturais.
    Temos que partir os dentes a esses marxistas culturais para eles não exigirem tanta comida.

    • ZE LOPES says:

      Rosa, é urgente! Depressa! É preciso passar à ação e gente como V. Exa. é imprescindível! A única solução é…refundar a Mocidade Portuguesa! Tire lá a farda de Chefe de Quina do armário, despeje a naftalina e as traças, limpe as botas com sebo de bode, vista um colete amarelo e ponha-se a caminho de Fátima! É já, ou a juventude está toda perdida!

    • Paulo Marques says:

      « É mais fácil meter isso na cabeça a quem vive à custa dos pais e a quem o marxismo cultural vem dizer que no futuro não é preciso trabalhar. »
      É mais fácil deixar os Rosas dizerem disparates do que dizer que a Eurolândia vive à custa de desemprego estrutural flutuante que é o próprio pressuposto do seu cálculo.
      Têm azar os Costas desta vida, afasta-os da esquerda, mas deixam-os sem alternativa de encontrar um bode expiatório, eles próprios. Obrigado pela demonstração.

  2. Rui Naldinho says:

    Não leio o Observador. Minto, leio o quanto baste, arrastado por aqueles que leio, por hábito.
    Este artigo de Joana Rodrigues, que li, veio-me por “encomenda”, do Pedro Marques Lopes, que leio. Pois, a gente lê pessoas inteligentes, e depois dá nisto!
    Há sempre um espírito vouyerista no leitor, que o leva a sítios “mal frequentados”. Um pouco como aquele fulano que afirma a pés juntos, não ver a “casa dos segredos”, mas sabe tudo o que lá se passa. Não chego a tanto, mas fruto dos muitos textos e comentários que leio, incluindo os Aventadores deste espaço, acabo sempre por ir aos sítios, onde uma certa elite produz a sua “ideologia género”. Como por exemplo: “Os pobres fizeram-se para a gente os transformar em classe média”. Nem a Isabel Jonet ousaria raciocinar tão alto. “Talvez por ser mulher, e não arrojar-se a tão grande desiderato. Isso só para um empresário do gabarito do merceeiro. Dona de casa, com as crianças para cuidar, não chega a tanto”.
    Ah! Macho é macho!

    O Observador não é um jornal. Será mais o blogue com que uma certa direita se arroga fingir, informar. Nem sequer há contraditório. É sim fazer valer as suas ideias, num mundo que lhe parece adverso. Mas a realidade é o que é.
    O Observador é pródigo neste tipo de entrevistas, análises e comentários. É minha intuição que eles próprios exploram estas perturbações psicológicas, frustrações políticas e profissionais, em personagens escolhidos a dedo, com um único fim. Aumentar os níveis de leitura, tornando-se numa espécie de Correio da Manhã das elites intelectuais da direita, seja pagã, seja cristã. Até porque o seu verdadeiro Deus, é o dinheiro.

  3. Carlos Almeida says:

    O caríssimo Rosa, será parente dum outro Rosa, também muito convencido, de seu nome Rosa Casaco ?

    • ZE LOPES says:

      Investiguei o que pergunta e, segundo me informaram fontes seguras, é verdade. Só que a família subiu muito na vida, agora vive em Cascais e mudou o apelido para Rosa Smoking.

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