As europeias e o PS Porto

O nono lugar na lista do PS às eleições europeias, atribuído ao Dr. Manuel Pizarro, é um justo “prémio carreira” a um político que chegou a ser secretário de Estado e acabou injustamente repelido pelo seu então aliado, o Dr. Rui Moreira, num gesto lamentável mas, infelizmente, tão comum em política.

O Dr. Pizarro, que não vai há muito anunciou o seu regresso à arte maior da Medicina, terá, certamente, a oportunidade de expressar no Parlamento Europeu o fino recorte da sua formação  republicana e democrata, que tão bem soube aplicar à federação do Porto do Partido Socialista. A compensação será generosa, conquanto se mantenha afastado de polémicas e assédios que, mais tarde ou mais cedo, têm também o seu custo. E é neste espírito, no espírito da democracia, que deve ser entendido o facto de a Dra. Isabel Santos, também originária do Porto, ter ficado colocada à sua frente na lista de candidatos, à frente do presidente da sua própria Federação, decisão que deve ser entendida não como uma humilhação do líder federativo, como muitos apregoam, mas como um sinal de que, para o PS, antes de tudo está o mérito.

É verdade que, sem surpresa, já há quem tenha vindo para os jornais distribuir acusações pelos seus camaradas de partido, ao bom estilo caceteiro de Santa Eulália, mas espera-se que haja quem esteja atento e impeça que a federação do Porto do PS aprofunde o mergulho na escuridão.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    O Dr. Luís Filipe Menezes é médico, com a especialidade de pediatria, isto se não me falha a memória. O Dr. Manuel Pizarro é médico, com a especialista em Medicina Interna.
    Não, não estamos a falar do Dr. Francisco Assis, licenciado em Filosofia, ou do Dr. Pacheco Pereira, licenciado em História. Nós estamos a falar de dois homens, com especialidades médicas, as quais, normalmente dão muita massa, no exercício dedicado e exigente da profissão.
    A questão que eu coloco é simples:
    O que leva dois médicos a deixar a profissão de médico, podendo ganhar muito dinheiro, mesmo dentro dos mais rigorosos padrões de ética e humanismo, para exercerem em “full time”, a profissão de políticos, seja como autarca, seja como Secretário de Estado ou deputado?
    Vá lá, não estou a insinuar nada, mas se ao menos se dedicassem à escrita, como o médico, António Lobo Antunes, eu ainda lhes chamava “malucos”, … assim é difícil dar-lhes um epíteto.

  2. Julio Rolo Santos says:

    Não lhe sei responder a este caso em concreto apenas é minha convicção de que a ambição dos políticos não é o poder em si mesmo mas sim o de aproveitarem nele a oportunidade de prepararem o seu futuro pós poder. Os casos subejamente conhecidos e recentes confirmam esta minha teoria.

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