Todos os dias

Neste dia internacional da mulher (e sempre!), uma saudação solidária a todas as mulheres e homens conscientes de que só juntos em igualdade de oportunidades e direitos a plenitude é possível. Bem hajam todos os que, nessa consciência, ainda que nunca tenham sentido na pele a discriminação, actuam no dia-a-dia sabendo que ela é um facto sociológico real.

Da desigualdade, há manifestações óbvias e brutais (como a violência doméstica), outras frias e objectivas (como as diferenças salariais ou as percentagens em posições de poder), e muitas outras subtis e costumeiras (como a carga dos trabalhos domésticos). Outras ainda são imperceptíveis, como o “recato” e “encanto” que se espera de uma mulher, preconceitos enraizados que não são questionados e que são constantemente alimentados em publicidades e filmes. Os mesmos que, do outro lado da medalha, impõem aos homens estereótipos absurdos, como “um homem não chora”.

E sabendo que o caminho é longo, avancemos alegremente de mãos dadas e alerta.

(quem não goste do chavão, faça a sua sugestão :-))

Comments


  1. ….mas eu, Ana, quero ter e manter sempre e ainda o meu “recato e encanto” atribuíveis á Mulher, porque não ? !

    !! preconceito ?? ! estereotipo ?

    • Ana Moreno says:

      Olá Isabela, o problema não é quando se quer manter, o problema é quando não se quer manter e como consequência se é “mal vista”. Longe de mim dizer que uma mulher não deve querer manter o seu recato e/ encanto, se quiser (sendo que recato tem uma conotação negativa para mim). O que não se pode é exigir-lho ou penalizá-la caso não queira. Ou pressionar as jovens nesses formatos, que é o que ainda acontece demais…


    • …..e note-se ainda que venho de um tempo e circunstância aonde os valores de formação familiar eram assim, e defendo que alguns nunca deveriam ter mudado ou ser esquecidos, assim o teimo no meu sentir ainda de mulher, sim, em que por ex. uma tia minha namorava à janela, e tão singelamente como este poema pessoal que meu tio lhe dedicou e que correspondia exactamente à sua ingenuidade :
      ( era assim porque era, e punto. e havia mulheres felizes, como foi o caso )

      Teu corpo é um ponto de admiração,
      É de um acento agudo o teu perfil,
      Falas de acento grave e com a mão
      Talhas no ar as curvas para um til .

      És, debruçada, uma interrogação
      Ingenuíssima, fácil, infantil;
      São os teus dedos traços de união
      Com que me prendes ao teu peitoril.

      Tens nos olhos, entre aspas, reticências,
      As lágrimas quebradas em cadências,
      Na tez, em vírgula, a graça de um sinal .

      Obra de Deus em pontuação sem nexo,
      Na tua boca acento circunflexo,
      Entre parêntesis, vá, ponto final.

  2. Luís Lavoura says:

    o “recato” que se espera de uma mulher

    Há muitos anos, eu estava numa pizaria, na Pensilvânia, com dois homens e uma mulher amiga deles, todos três americanos.

    Os dois homens discutiam qualquer coisa e a mulher não se coibia de, a torto e a direito, intervir na discussão para dar a sua achega.

    Como ela estava sentada à minha frente, às tantas eu dirigi-me a ela em privado, disse-lhe, tens um comportamento estranho para uma mulher, enfias-te à força num debate de homens, dás a tua opinião, não é usual.

    E ela explicou-me, sabes, eu não sou judia mas fui educada numa escola de judeus, e lá tive mesmo que me tornar assim, porque os judeus estão sempre a discutir, e uma pessoa se não se impõe é esmagada por eles, e portanto desenvolvi este hábito de também eu me enfiar sempre nas discussões.

    • Ana Moreno says:

      Olá Luís, ainda bem que foi há muitos anos, espero que hoje já não dissesse “tens um comportamento estranho para uma mulher, enfias-te à força num debate de homens, dás a tua opinião, não é usual.”
      Não há qualquer razão para uma mulher se coibir, certamente que isso hoje é consensual. Não sabia que nas escolas de judeus se aprende isso, mas ainda bem.

  3. JgMenos says:

    Igualdade perante a lei e as oportunidades – subscrevo.
    Não há violência e à má-educação, sob quaisquer formas – subscrevo.
    Quanto ao mais de igualdades, recordo a informação que recebi de um caseiro que – enquanto descascava batatas para um pote de três pernas e a mulher ‘pregava’ no andar de cima – me disse :
    «A mulher é um bicho esquisito: chora sem ter razão, mija sem pôr a mão, e f* sem ter tesão.

    • ZE LOPES says:

      Presumo que foi a prédica de hoje lá em casa, ao almoço. Um pregador que se preze, como é aoanágio de V. Exa., não pode deixar de aproveitar o domingo para relembrar os valores morais que cimentam a nossa sociedade nestes tempos de erosão dos bons costumes por força da ação persistente da turba esquerdalha.

      Embora não possa deixar de fazer um reparo: o caseiro a…descascar batatas??? Bem, ninguém é perfeito…

  4. Ana Moreno says:

    Heia, que original. Para chorar, cada um tem as suas razões; mijar sem pôr a mão, aconselho aos homens que, em casa, também o façam, sentando-se; quanto ao tesão, há que trabalhar nisso.

  5. Julio Rolo Santos says:

    A maior violência contra as mulheres vêm das próprias mulheres. Desde sempre me apercebi de que qualquer passo dado pela mulher que fugisse fora dos padrões habituais lá vinha a sensura feminina. A separação conjugal era e continua a ser motivo de jacota por parte da sociedade feminina. É tudo uma questão de cultura e não de imposição “legal” .

    • Ana Moreno says:

      São ambas as coisas.
      De facto, por um mecanismo psicosocial perverso, em muitos casos as vítimas incorporam a ideologia do sistema opressor (por isso falo de mulheres machistas).
      Isso assume todas as formas, indo até ao ponto trágico em que as próprias mães entregam as filhas às mãos de quem as vai mutilar sexualmente.

    • Paulo Marques says:

      Pela mesma razão que os trabalhadores cobiçam uns dos outros e não o que é fruto justo do seu trabalho. É o sistema que os convence que têm o deles e os outros que se fodam – até ao dia…

  6. Julio Rolo Santos says:

    As desigualdades no acesso ao emprego, que emprego? Nunca vi nenhuma mulher na construção civil e gostava de as ver a acarretarem sacos de cimento às costas e a assentar tijolos e aonde há muitas vagas por preencher. Porque será?

    • Paulo Marques says:

      Porque não gostavam de ser assediadas 8h por dia. Para generalidades preconceituosas, sempre é mais verdadeira.

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