Portugal escolhe uma decoradora de interiores para a Bienal de Arte de Veneza

A artista Leonor Antunes, que se notabilizou por pendurar coisas no tecto de modo exímio, será a representante portuguesa na Bienal de Arte de Veneza, escolhida pelo ex-demissionário de Serralves, João Ribas, o curador, e abençoada pela senhora Ministra da Cultura, apostada que está em promover internacionalmente o talento artístico lusitano na área da carpintaria de limpos e da decoração de duplexes com mezanine.

O tema escolhido para o seu “projecto” pela artista portuguesa que vive em Berlim não podia ser mais português nem revolucionário do ponto de vista estético, evocando com subtileza conceptual e modernidade pós-brancusiana as correntes neo-estruturalistas da escultura cinética  que elegeram as relações corpo-espaço como problemática régia de um formalismo cubista incorpóreo e transtextual: “A seam, a surface, a hinge or a knot”.

A beleza singular do tema não deixou de emocionar quem assistia à apresentação do “projecto”, que decorreu hoje, no Teatro Nacional São Carlos. Foi possível ouvir entre o público algumas expressões muito elogiosas ao trabalho da artista, entre as quais se destaca “faz-me lembrar o senhor Jaime, o que nos fez as mesinhas de cabeceira”.

Não foi possível apurar se a tralha vai de cacilheiro para Veneza ou de carrinho de rolamentos, mas a artista não deixou de brindar a crítica – sempre tão crítica – com um pensamento de antologia, apenas ao alcance dos grandes génios, herdeiros da tradição mais tradicional da Arte portuguesa: “Portugal vive uma situação fora do comum e tem um Governo fantástico”, disse a artista. Genial.

 

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    “Portugal vive uma situação fora do comum e tem um Governo fantástico”.
    Afirmação sintomática das qualidades da artista, “pendurar coisas no tecto”, segundo leio.
    Assim sendo, de forma metafórica, nada melhor do que “pendurar um objecto fálico no tecto, de preferência hirto, e mandar-nos todos pró ****lho”, terá sido a intenção da artista, com aquela afirmação.
    Não estranho, pois Portugal é especialista em ter “artistas” de várias linhagens, a pendurarem-se no erário público, vulgo Estado.

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Comentário sexista… duplamente. Não só ataca uma mulher (toda a gente sabe que as mulheres agora não podem ser atacadas, sobretudo se o atacante for macho e branco), como ainda por cima faz alusão a “objectos fálicos”…

      Ai se as meninas do BE sabem… Leva já com uma queixa na CIG.

      • Rui Naldinho says:

        Caríssimo. Poderá ser visto dessa forma, mas nem me passou tal coisa pela cabeça.
        Agora, que Portugal está cheio de artistas de ambos os sexos, ambos os credos, ambas as origens ideológicas, pendurados na abençoada avença estatal, cuja receitas vêm de um montão de otários, pagam e não bufam, lá isso é verdade.
        A arte é sempre uma coisa difícil de avaliar, mais ainda, de agradar a todos. Mas, tal como ao Juiz Neto Moura, dispensamos aquelas afirmações a roçar a imbecilidade.
        Sejam discretos e cumpram a sua função, sem devaneios intelectuais, é só o que se lhes pede.

  2. JgMenos says:

    Cumpre a regra fundamental de invocar cenas incompreensíveis?
    Pode ir!

    • ZE LOPES says:

      Compreendo. Para V. Exa., ainda se fossem alheiras, morcelas, ou mesmo presuntos, já seria outra cena.


  3. Estou a ver, coltora em Portugal é mostrar obra, fazer construções, em grande como o a Joana Vasconcelos, ter o maior impacte visual possível não interessa se for mau ou bom. Interiores é mais presépios como os supostamente de Machado de Castro, cuja obra mais importante e conhecida em todo o mundo e vista por milhões de turistas quase nunca é lembrada como sendo dele… enfim tradições neste país com pés de chumbo para mudar.


  4. …e não é que eu iria tb falar das joanas vasconcelos ?
    e de toda esta promoção de arte e cultura de artistas de entretenimento e espectáculo em efervescente acção e activismo, dependurados e pendurados na abençoada avença estatal, como diz o Rui Naldinho .
    Mediocres e gente culta esta do ” Portugal que vive uma situação fora do comum e tem um Governo fantástico” , nós contribuintes vos ” absolvemos ” ! grrrrr…

  5. estuans interius says:

    Ah Veneza.Ao fogo imarcescÍvel a alheirita. O salpicão,o butelinho e as cascas.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.