Penhoram casas por dívidas de 3.500 euros

A comunicação social dá hoje nota de que há um número significativo de famílias em Portugal cujas casas de habitação permanente estão a ser penhoradas por dívidas resultantes de incumprimento de contratos de crédito, geralmente ao consumo. Há casos de penhora da habitação permanente por dívidas de 3.500 euros, segundo diz a DECO.

Desde 2016 é proibida a execução de dívidas fiscais através da venda da casa destinada a habitação própria, mas essa proibição não se aplica a outras dívidas.

É inútil regressar à discussão sobre a responsabilidade individual nos contratos de crédito. As contas são meticulosamente feitas por quem o concede e, tal como nos casinos, a casa ganha sempre.

Este tipo de selvajaria social foi um dos motivos que levaram à pífia derrota eleitoral da direita, nas últimas legislativas. Permitir ou não permitir que se penhore a casa a uma família por causa de uma dívida de 3.500 euros, ou mesmo que seja de 35.000, é uma posição de princípio que representa a última fronteira entre a filosofia política de Bannon e a do Partido Socialista, actualmente no Governo de Portugal. Derrubada essa fronteira, com ela cairá o PS.

Comments

  1. Nascimento says:

    Aqui ao lado, é ver só a enorme quantidade de suicidios. Mas, isso inté nem interessa para nada…não é?Aqui também aconteceram, mas, a canalha mediática não considerou isso digno de investigação.Nem considera. Dá trabalho.

  2. Julio Rolo Santos says:

    Penhorar uma casa que valeu milhares por uma dívida de 3500€ é absolutamente inconcebível mas as pessoas teem de compreender que não devem recorrer ao crédito sem terem condições para o pagar sobretudo quando esse crédito se destina ao consumo. Não vale a pena estar a atirar pedras ao governo que está em funções, mas antes, seria conveniente saber-se quem foi o “inteligente” que fez a lei e o governo que a aprovou.

    • Ana A. says:

      “…mas as pessoas têm de compreender que não devem recorrer ao crédito sem terem condições para o pagar sobretudo quando esse crédito se destina ao consumo.”

      Num mundo ideal não existiria desemprego nem doenças que nos atiram para os incumprimentos.

      Infelizmente o nosso mundo real não é assim, e se existem bancos e empresas que concedem os ditos créditos, é porque existem “predadores” a aliciar o consumo e o “compre agora e pague depois”!

    • Paulo Marques says:

      E tendo em conta que não há arrendamento fácil, ficam a viver em casa dos pais?
      Em abstracto, está correcto, mas o aumento do crédito é um imperativo da Eurolândia.

  3. JgMenos says:

    Queres cobrar?
    Minha casinha, meu lar!

    • ZE LOPES says:

      Sim senhor, ninguém calcula as aflições da parte credora!. Há quem tenha visto a Cofidis em peso a dormir ao relento debaixo das arcadas do Terreio do Paço! Revoltante!

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