Contra a cobardia do assédio moral

Nuno Oliveira ©PÚBLICO

O assédio moral no trabalho é um acto de violência particularmente cobarde e execrável. Ela é normalmente exercida, directa ou indirectamente, por um agente detentor do poder, com recurso à reiterada agressão psicológica e a processos persecutórios ilegais e injustificados. Visa eliminar o equilíbrio anímico do trabalhador, parti-lo por dentro, quebrá-lo moralmente, isolá-lo do meio profissional e social, afectar as suas relações pessoais e familiares. Distorcer a percepção que ele tem de si próprio e dos outros, através da diminuição da sua auto-estima e do corte afectivo com a realidade do quotidiano. É um crime sádico, praticado por delinquentes com traços de carácter particularmente perversos, cuja cobardia se acoita atrás de lugares de poder, lugares esses através dos quais expiam e projectam um subconsciente doentio, cheio de monstros simbólicos cujas imagens, normalmente, carregam desde a primeira infância.

Se praticado por agentes públicos, o assédio moral é particularmente grave. É duplamente cobarde. É profundamente odioso. Mais odioso se torna quando quase todos esses agentes públicos vendem uma falsa imagem de si próprios, comprando órgãos de comunicação social, através dos quais vão enganando toda a gente. Ou quase toda a gente. Chegam a proclamar-se arautos do combate aos crimes que eles próprios cometem. Mas há sempre quem lhes conheça os segredos de armário, a líbido mal resolvida, o recalcamento não verbalizado, um sistema erógeno formado a partir de um trauma inaugural, normalmente na fase anal do desenvolvimento psíquico. Todo esse passado nebuloso regressa para se projectar nas vítimas que escolhem para expiação dos seus próprios medos e expressão narcísica de um poder megalómano e ilusório que apenas se satisfaz e completa no sofrimento do Outro.

aqui escrevi sobre o Biólogo Nuno Gomes Oliveira, fundador do Parque Biológico de Gaia e um dos mais importantes ambientalistas portugueses. Nuno Oliveira é funcionário da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, actualmente liderada pelo Partido Socialista.

Num grupo público, da rede feicebuque, chamado “Assédio moral no trabalho / Mobbing, harassment, bullying at workplaces”, o Doutor Nuno Gomes Olivera publicou um texto para o qual quero chamar a atenção e que a seguir se reproduz.

“Tenho 63 anos, sou técnico superior de uma autarquia local há 35 anos e desde 2015 sou vítima de assédio moral sem saber qual a razão. Apresentei queixa na ACT (Autoridade das Condições de Trabalho) mas prontamente me informaram que, tratando-se da administração pública, a competência é da IGF (Inspeção Geral de Finanças) – pasme-se, mas é mesmo! Queixei-me, então, à IGF que, meses depois, me comunicou que tinha consultado a minha entidade patronal e a mesma informou a IGF que não, que não havia assédio moral nenhum…
Coloquei uma primeira ação em tribunal administrativo (por assédio moral), há 584 dias, e até hoje nada; coloquei uma segunda ação (por transferência de local de trabalho para um sítio isolado), há 378 dias, e esta andou mais depressa que a primeira e teve há um mês a audiência prévia.
Durante este período tive problemas de saúde, quer físicos quer psíquicos, que ainda continuam e vão deixar marcas irreversíveis.

Que mais fazer? Aceitam-se sugestões!”

Sabemos que este crime não é fácil de provar, mas, no caso de Nuno Oliveira – já lho disse pessoalmente – estou totalmente disponível para relatar em sede judicial aquilo a que assisti, o que farei, aliás, com todo o gosto.

Comments

  1. Nascimento says:

    Normalmente quem pratica esse tipo de assédio é um sonsinho partidário, de quotas em dia, gordo,de perfuminho barato, cabelinho oleoso ,cheira a chulé, sorri para dentro, bem falante,etc, etc.Que mais fazer? Olha, eu, por mero acaso, tenho uma Ideia!Nem custa muito…e faz cá um bem ao Ego que nem imaginam!A sério!Claro que é preciso Tê-los…. e não é que por vezes, dá mesmo Resultado!? Acredite ó Sr Oliveira.
    Vai ver que dorme logo melhor e pode sempre rir nas fuças desses ou dessas F da P. !

  2. JgMenos says:

    Convém escrever tantas vezes quanto o vagamente admissível a tantas entidades quantas as que possam discernir-se como prováveis de se incomodarem com isso.
    Explicar sacanagem por escrito fica difícil.

    Obter o máximo d instruções e esclarecimentos escritos.
    Assediar por escrito é bem mais complicado.

  3. Julio Rolo Santos says:

    Quem pratica assédio moral contra um seu subordinado é indigno de exercer as suas funções pois, com a sua acção, está a querer esconder a sua incompetência para as funções que desempenha. Infelizmente, estas situações, não são assim tão incomuns pois elas são praticadas ao nível do patronato, ao nível da função pública e até dentro da própria habitação. Ultrapassar esta situação, só com a moralização dos costumes que vão demorar tempo, até lá, só a denúncia de casos concretos para poderem ser censurados pela opinião pública.

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