O Polígrafo faltou à verdade

O Polígrafo, que se apresenta como “o primeiro jornal português de Fact-Checking”, faltou à verdade, no seu artigo publicado a 14 de Abril de 2019, pelas 19h10, com o título “Estes exames divulgados pela Wikileaks depois da prisão de Assange provam que Steve Jobs era seropositivo?”

O jornal escreve nesse artigo “Promessa feita, promessa honrada. Logo após a detenção de Julian Assange, 47 anos, na Embaixada do Equador em Londres, a Wikileaks, que avisara que se isso acontecesse divulgaria o arquivo de segurança que mantinha reservado para uma situação de emergência,  libertou milhares de novos documentos.”

Acontece que isto é falso. 

A verdade é que a Wikileaks não libertou qualquer arquivo após a detenção de Julian Assange na embaixada do Equador, tendo, aliás, tido a preocupação de informar, a 13 de Abril de 2019, pelas 18h51, que o endereço file.wikileaks.org, a que o Polígrafo se refere, está disponível há vários anos e não constitui qualquer “cumprimento de promessa”, conforme afirma o jornal de pretenso “fact-checking”.

Nota da Wikileaks publicada no Twitter a 13 de Abril de 2019 (ontem):

“Note: file.wikileaks.org is not a release, insurance dump, or response to Assange’s arrest. It is the page where published documents are available for bulk download so that people can create mirrors, access publications offline, or use the raw data. It has existed for years.”

 

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    O Polígrafo é uma daquelas publicações online, cuja função não é esclarecer nada. Até pode parecer, mas para mim aquilo é tudo uma “ganda tanga”!
    Nas semanas seguintes a uma vitória eleitoral da direita, espero que seja tarde, extinguir-se-à da mesma forma como apareceu.
    Uma das coisas boas que a Geringonça trouxe, foi o de todos termos descoberto hoje, que antes destes, já outros tinham feito tudo igual ou pior, desde a endogamia política, passeatas, negociatas, e até beatas a carpir por todos os cantos exigindo moralidade.
    Dirão alguns que os tempos mudaram, e hoje há maior exigência. Tudo mentira. Confirmem isso nas próximas eleições, e vão constatar que eu tenho razão.

  2. Nuno M. P. Abreu says:

    Alguém escreveu, há dois anos, num blogue intitulado Catarinas : – Pascal disse: “nada é mais difícil que pensar”. Nada é mais difícil do que se informar e tentar compreender a realidade que nos cerca, as pessoas e os acontecimentos através das suas próprias lentes. Generalizar, por outro lado, é simples, rápido e indolor. Não gasta tempo nem franquia da internet, é só conhecer algo superficialmente, juntar dois ou três lugares comuns que se leu em algum lugar”
    Sem dúvida que esta notícia de Bruno Santos é extremamente oportuna. Relata uma realidade. Desmente uma afirmação. Faz por mim o trabalho de casa, tornando-se-me útil.
    Pelo contrario, o comentário de Rui Naldinho é, para mim completamente inútil. Pura e simplesmente generaliza. Fala superficialmente de algo, “juntando dois ou três lugares comuns que leu em algum lugar”
    Foi por indicação de Bruno que fui pela primeira vez ao Polígrafo. Não faço ideia alguma sobre as suas tendências ideológicas, sobre os seus objectivos políticos, sobre os seus interesses económicos. Mas através do Rui fiquei a saber que não esclarece nada, que pode parecer (a um incauto) que esclarece mas é tudo tanga, que se extinguirá com uma vitoria eleitoral da direita, que ele não deseja, que a geringonça ate foi boa porque exerce a endogamia às claras enquando os outros o faziam às escondidas, que somos tão parvos que só agora a descobrimos e que, afinal, os tempos mudaram mas a consciência ética continuará “ad aeternum” pela ruas da amargura.
    Como disse Pascal, “Nada é mais difícil que pensar”
    Como escreveram as Catarinas, “ Generalizar, é simples, rápido e indolor”.

    • Ana A. says:

      Caro Nuno, não é que o Rui Naldinho precise da mim para sua defesa, mas atente bem no que acabou de escrever:

      ” “nada é mais difícil que pensar”. Nada é mais difícil do que se informar e tentar compreender a realidade que nos cerca, as pessoas e os acontecimentos através das suas próprias lentes. Generalizar, por outro lado, é simples, rápido e indolor. Não gasta tempo nem franquia da internet, é só conhecer algo superficialmente, juntar dois ou três lugares comuns que se leu em algum lugar”.

      Agora, faça uma compilação dos muitos comentários deixados aqui no Aventar pelo Rui, e vai ver o quão precipitado foi o seu julgamento a priori!

    • Bruno Santos says:

      “Faz por mim o trabalho de casa, tornando-se-me útil.” Ex.mo Sr. Abreu, faça o favor de pagar. Bem.

      • Nuno M. P. Abreu says:

        Exmo: Senhor Bruno Santos:
        Pelo tipo de comentários que postou parece ter regressado após duas semanas de ausência aqui ao AVENTAR. Mas sinceramente, no que a mim me diz respeito, sobre o seu comentário só tenho a referir que nunca pensei que fosse tão CAPITALISTA.
        No marxismo leninismo, e tenho apenas uma leve suspeição que o professa, o militante comunista constitui a vanguarda da classe operária como bem escreveu J Staline em “Sobre os fundamentos do Leninismo” e tem por isso o dever de esclarecer o povo inculto sem esperar qualquer compensação financeira.
        Agradeci-lhe, porque no seu artigo foi suficientemente explícito a ponto de me ter tirado o trabalho de colher mais informações para me poder pronunciar sobre o tema.
        Procuro sempre informar-me antes de me pronunciar.
        Por exemplo li,não há muitos dias, que foi recusado um recurso de uma sentença a Eduardo Vítor Rodrigues onde fora condenado a pagar-lhe uma indemnização. Naturalmente vasculhei um pouco mais e fiquei a saber que isto tinha raízes mais fundas datava já de pelo menos fins de 2017, e que no julgamento em 2018 o Bruno afirmara ter sido alvo de “tentativa de assassinato de caráter” e que desde a exoneração é visto como “alguém que não tem o direito de trabalhar”.
        A partir dai passei a ter outra perspetiva sobre o seu discurso. Na verdade, como estou ligado a uma autarquia, embora como voluntário, e vejo os vários jogos de cintura que interesses opostos dos personagens fazem para cinicamente conviverem, imaginei o seu dilema. Tão só.

        • Bruno Santos says:

          Caro Sr. Nuno Abreu,
          vejo que tentou informar-se, mas, infelizmente, ficou a saber quase o mesmo. Apareça amanhã no Tribunal de Vila Nova de Gaia, onde terá início o julgamento de um dos 8 (Oito) processos-crime que o presidente da Câmara de Gaia me moveu, todos por delito de opinião, parte deles já arquivada. Depois podemos trocar impressões sobre os discursos do 25 de Abril e o extraordinário advento da Democracia. Podemos igualmente falar sobre as perseguições do Estado Novo e da PIDE a que a revolução veio alegadamente colocar termo. Apareça.

          • Nuno M. P. Abreu says:

            Teria todo o gosto. Tenho as minhas ideias mas gosto de as trocar por outras. Nem sempre as assimilo. Mas tento.
            Tenho amanhã uma pesquisa a fazer na Sociedade Martins Sarmento sobre uma figura importante de Guimarães, José Maria Gomes, que num tribunal nos princípios do século passado respondeu a Afonso Costa figura proeminente da 1ª República quando este lhe disse:
            – Vª Excª dá uma no cravo outra na ferradura!
            – É porque Vª Excª não está quieto com o pé.
            Infelizmente parece que há gente aqui que não aceita este tipo de diálogo.
            Sinceramente faço votos para que tudo corra de feição.

  3. Nuno M. P. Abreu says:

    Cara Ana:
    Sinceramente, perante alguns comentários, parece que cheguei aqui e entrei noutro planeta. Como escrevi a propósito doutro assunto eu comento um texto resultado de um pensamento e não a mente que o produz. Do que li, Rui Naldinho parece-me uma pessoa sensata. Isto não impede que não concorde com certas ideias que expende e sobre isso me pronuncie
    O que cita foi o que eu próprio citei e que me parece aplicável a este comentário e apenas a este comentário. Não poderia pelo simples facto de ter concordado e mesmo aplaudido outros comentários do Rui estar constrangido e abster-me de dizer o que penso sobre este.
    Se os argumentos que aqui aduzi em relação a este não estão correctos aceito naturalmente a contradita e penitencia-me-ei se eles forem convincentes.