INRI

O jovem presidente da República francesa proferiu ontem, às 22h34, um extraordinário discurso, dirigido a todo o mundo civilizado através da comunicação social presente, sobre o incêndio que destruiu parte da Catedral de Notre Dame, em Paris. Fê-lo sem papel, de improviso, sem nunca se enganar ou corrigir, com uma fluidez, uma clareza e um frémito épico apenas ao alcance de homens escolhidos – não releva, para o assunto em análise, o facto de ter sido escolhido pela indústria financeira.

Macron, que já tinha tuitado sobre a catástrofe parcos 15 minutos após o seu início, agradeceu aos Bombeiros, agradeceu aos Bombeiros e agradeceu aos Bombeiros. Depois referiu-se aos católicos, evocou a História – agora em chamas -, aludiu à Esperança e agradeceu aos Bombeiros. Anunciou o peditório da praxe, agradeceu aos Bombeiros e rematou em registo heróico, afirmando que “o destino da França é reconstruir a Catedral”. A Marselhesa ecoou muda no subconsciente de cada enfant de la Patrie.

Só se esqueceu de uma coisa: da Responsabilidade.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Macron, tal como os da sua laia – políticos – não engana ninguém. Trata-de de uma pessoa ligado ao maior flagelo da Humanidade que dá pelo nome de Bancos e Finança americana de raiz judaica.
    O “choro” e a dialéctica macroniana, são mais um acto desprovido de qualquer valor destes representantes da doutrina capitalista, com a agravante de se dizerem socialistas.
    Neste contexto, para mim, para além da depredação do património, muito grave é o que vem a seguir e diz bem dos predadores ignorantes que andam por esses governos, incluindo o francês. É sintomático que quando há problemas nos bancos, não falta dinheiro do estado para os recompor financeiramente. Perante uma catástrofe destas, qualquer televisão aborda o tema da reconstrução com base em fundos saídos de peditórios e da ajuda internacional. São estes acidentes que nos ajudam (ou podem ajudar) a perceber a quem estamos entregues: a crápulas ignorantes que choram lágrimas de crocodilo para aparecerem bem na fotografia. Fosse um banco, como o nosso BES e não faltariam os muitos milhões de euros para salvar a cara. Uma vergonha a ignorância, apenas superada pela ganância dos crápulas dos governantes.
    E por isso, não podem, Macron e seus acólitos, falar de responsabilidade, palavra inexistente nos seus dicionários.


  2. Com total concordância com o que tão acertadamente afirmam e denunciam, caros Bruno Santos e Ernesto Ribeiro,
    neste rescaldo de mais uma cratera de um vulcão que dorme ameaçador sob este nosso chão europeu !

  3. JgMenos says:

    A Responsabilidade?

    Pois não morreu em Pedrogão?

    • ZE LOPES says:

      Talvez porque lá em Pedrógão não estivesse…o Macron! A transferência de responsabilidades entre eurotrolhas ainda não está muito bem organizada.

      Desculpe lá, ó menos, ó Menos!

  4. Nascimento says:

    “manque de tailleurs de pierre et charpentiers pour la reconstruction”…???
    A sério? será porque está tudo numa de Doutoral, Informátical e Startupal… ? oh lá,lá,lá… “les entrepreneurs”!!! eheheheheh…
    Pois é, temos pena. Olha, podem sempre ” importar ” uns magrebinos, uns africanos…não é? Pois. Dão um jeitaço du caraçes nestas alturrrras…


  5. …e ainda :

    https://www.youtube.com/watch?v=vAZQVrjPQVk