GAIA, a fraude política das “contas no verde”

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Em meados do passado mês de Março houve polémica estridente por causa de uma informação da Comissão Nacional de Eleições sobre propaganda proibida em período pré-eleitoral. No centro dessa polémica, liderando as críticas à CNE, esteve a Câmara de Gaia, cujo presidente se queixou de uma alegada “lei da rolha” que o impedia de apresentar “as melhores contas” de sempre do Município. Dizia então o autarca que estava “a dias de apresentar as melhores contas de sempre da Câmara de Gaia. Vou ser impedido de apresentar as melhores contas porque a CNE não me deixa dizer “melhores contas”? A democracia não é prestação de contas? A CNE está a beneficiar quem prevarica”.

O problema com a CNE parece ter sido entretanto resolvido, mas a conspiração contra o autarca socialista de Gaia prossegue, agora através da Ordem dos Economistas, que apresentou ontem na Fundação Calouste Gulbenkian um estudo denominado Rating Municipal Português, “o único modelo integrado de avaliação da sustentabilidade dos municípios portugueses”. Acontece que esse estudo, ao contrário de toda a propaganda sem pudor que a Câmara de Gaia vem produzindo sobre as suas finanças, classifica esse município como um dos piores a nível nacional. Diz o Estudo da Ordem dos Economistas que “Lisboa, Porto e Oeiras são os melhores municípios grandes. Lisboa e Oeiras devido ao seu Desenvolvimento Económico e Social e Porto à sua Sustentabilidade Financeira. Vila Nova de Gaia, Seixal e Barcelos são os piores. Vila Nova de Gaia por causa da sua situação financeira e Governance; Seixal e Barcelos por causa dos Serviços ao Cidadão e Governance.”

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Foi pena, realmente, que a CNE tivesse servido de desculpa para que o autarca de Gaia deixasse na gaveta o tremendo fracasso da sua gestão, depois de ter intoxicado a opinião pública com “contas à finlandesa” e outras alucinações, traçando das finanças da Câmara de Gaia um quadro que não apenas não corresponde à verdade, como é pior do que aquele que herdou e que tantas críticas originou ao seu antecessor. No que toca à sustentabilidade financeira, apesar de ter das mais altas cargas fiscais do país e de não ter mexido uma palha no desenvolvimento da cidade, Vítor Rodrigues conseguiu a proeza de colocar Gaia no 282º lugar do ranking nacional de Municípios. Quando a propaganda esbarra contra os factos, a desilusão de quem se deixou iludir é inevitável, e tudo começa a indicar que o Partido Socialista voltará a atravessar um longo deserto em Vila Nova de Gaia.

Comments

  1. Mário da Costa Neves says:

    Nada que não esperasse. A coligação, até hoje não explicada com PSD só podiam dar nisto.