Aquele Chagall diz-me muito

De repente, a colecção de quadros do Comendador transformou-se numa espécie de Cova da Iria estética do republicano e indigente protectorado. É melhor ouvir um fado do Alfredo Marceneiro e comer dois bolinhos de bacalhau.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    JANELA DA VIDA
    (Alfredo Marceneiro)

    Para ver quanta fé perdida
    E quanta miséria sem par
    Há neste orbe, atroz ruim
    Pus-me à janela da vida
    E alonguei o meu olhar
    P´lo vasto Mundo sem fim.

    Vi dar aos ladrões valores
    E sentimentos perdidos
    Nas que passam por honradas
    Vi cinismos vencedores
    Muitos heróis esquecidos
    E vaidades medalhadas

    Vi no torpor mais imundo
    Profundas crenças caindo
    E maldições ascendendo
    Tudo vi neste Mundo
    Vi miseráveis subindo
    Homens honrados descendo

    Esse é rico, e não tem filhos
    Que os filhos não dão prazer
    A certa gente de bem
    Aquele tem duros trilhos
    Mas é capaz de morrer
    P´los filhinhos que tem

    Esta é rica em frases ledas
    Diz-se a mais casta donzela
    Mas a honra onde ela vai
    Aquela não veste sedas
    Mas os garotitos dela
    São filhos do mesmo pai

    Por isso afirmo com ciso
    Que p´ra na vida ter sorte
    Não basta a fé decidida
    P´ra ser feliz é preciso
    Ser canalha atá à morte
    Ou não pensar mais na vida.

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