“Uma cerimónia Kafkiana”

O dia a seguir de Luís Filipe Menezes

 

Leituras instrutivas e esclarecedoras: “O dia a seguir. Nunca é tarde demais”, de Luís Filipe Menezes:

“Tão mais surpreso fiquei quando o candidato, agora presidente [Eduardo Vítor Rodrigues], tivera quatro anos de servilismo oposicionista patético, estilo lambe botas permanente, e até fizera uma campanha baseada na afirmação, “Eu sou o legítimo sucessor de Menezes”!

(…)

Os novos autarcas de Gaia desdobraram-se então em conferências, declarações pomposas, até terminarem naquela cena do mais puro “erotismo político” em que Rui Rio foi convidado especial.
Uma cerimónia kafkiana!

Nessa festança, no Auditório Municipal de Gaia, assistiu-se à afirmação, feita pelo supremo dirigente socialista gaiense, de que Rio seria o seu ideal candidato presidencial em 2016. Gostava de o ouvir fazer essa afirmação de novo este ano quando das eleições legislativas e, porque não, em 2021 ou até em 2026. Mas o essencial da cerimónia, qual missa negra, visava a entronização de Marco António Costa com a medalha de mérito municipal! Surreal!

Eduardo Vítor Rodrigues e Marco António Costa

Marco António Costa, que foi um colaborador e apoiante político partidário constante e leal desde o início da década de 90, foi igualmente um muito competente vereador da segunda metade dos meus mandatos e o vice-presidente, primeiro responsável financeiro pelo “soit disant”, segundo o discurso oficial do novo edil Gaiense, período de seis anos mais descontrolados de gestão financeira municipal, era condecorado pelos apreciáveis e competentes serviços de dedicação a Gaia e ao seu poder local! Uma comenda direitinha para os tais seis anos geradores da tal “dívida monstruosa” que ainda hoje alimenta o único discurso, repetitivo e obsessivo, do ex-presidente da Junta de Oliveira do Douro! Se o Peça ainda por cá andasse não deixaria de repetir enfaticamente a sua frase predilecta: “e esta, heim?”!

A tal gestão despesista, que durante mais de cinco anos tem sido enfoque da vida de todo aquele lamurioso executivo camarário, foi pois exorcizada nessa noite com a mais alta condecoração municipal! Com a legitimação “indiscutível” de um militante social democrata que tinha, tem, uma imagem de gestor rigoroso, seriedade intocável e que é só o candidato social democrata a Primeiro Ministro.

Tal acto não deixa de ser também, à anteriori, a admissão de que Rio é uma alternativa poderosa e vencedora à confusão em que Costa mergulhou o País.

Penso que este êxtase em que o presidente gaiense fez reluzir o fato justo e brilhante comprado ainda quando a Maconde laborava – sem ofensa para aquela empresa e seu grande empresário fundador – justificava só por si este meu escrito.”

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Fala o pobre do esfarrapado …

    Ainda bem que esta gentalha só aparece de tempos a tempos.
    Estou à vontade para falar, porque ligo tanto ao actual autarca gaiense e ao partido que o suporta como à primeira peça de roupa que vesti.
    Mas vir agora abrir a cloaca para deixar sair toda a porcaria que lá dentro existe, abafada desde há muitos anos, diz bem do carácter desta gente.
    Lembro-me de um arquitecto que também lançou um livro sobre os políticos com quem conviveu.
    Ambos, Menezes e o arquitecto, terão facilmente um lugar na Lipor mais perto de si…

  2. Rui Naldinho says:

    Na realidade, a política é a todos os níveis, uma pocilga. Não devia ser assim, mas é.
    Olhando para estes excertos do livro de Luís Filipe Menezes, recordo-me logo de Cavaco Silva, e dos seus “roteiros vomitados de fel, zangado com um povo ingrato, que não o mereceu”.
    Tudo isto para quê?
    Como se alguém se importasse com um rei posto, quanto mais morto!
    Cavaco, Menezes, Sócrates, tudo gente que foi bajulada e lambida até ao último pintelho, pelos acólitos profissionais que gravitam nos partidos, e na economia, entenda-se, tendo caído em desgraça por culpa própria.
    Só se podem queixar de si próprios.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Tem razão. Cavaco, Menezes e o arquitecto, são farinha do mesmo saco … e até do saco da política.