João Miguel Tavares

João Miguel tavares

“A falta de esperança e a desigualdade de oportunidades podem dar origem a uma geração de adultos desencantados, incapazes de acreditar num país meritocrático. Esta perda de esperança aparece depois travestida de lucidez e rapidamente se transforma numa forma de cinismo. Achamos que temos de ser pessimistas para sermos lúcidos, que temos de ser desesperançados para sermos realistas, que temos de ser eternamente desconfiados para não sermos comidos por parvos”.

Estaria a faltar à verdade se dissesse que não me surpreendeu o discurso de João Miguel Tavares nas comemorações do 10 de Junho de 2019, em Portalegre. Enquanto alguns partidos políticos aproveitaram a data de celebração colectiva para a associar a propaganda partidária nas redes sociais, perfeitamente dispensável e inadequada, Tavares proferiu uma alocução crua e serena, na qual nenhuma palavra foi desperdiçada. Sendo um discurso apenas um discurso, este foi certamente um dos melhores que a democracia produziu desde a sua fundação.

 

Discurso na íntegra.

Comments

  1. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Ainda não li o discurso na íntegra, mas do que já li, gostei… Gostei mesmo muito. E subscrevo!

  2. Nuno M. P. Abreu says:

    Gostei. Gostei mesmo. Abaixo os extremistas. O pais só terá rumo se as cidadãos discutirem honestamente ideias e se deixem de bandeiras ideológicos que, sendo credos, sem possibilidade de serem contestadas, embrutecem o homem!

    • Paulo Marques says:

      O que o países mais têm feito é deixarem-se de bandeiras ideológicas e aceitar a despolitização do “tem que ser” sem possibilidade de ser contestado. A data até está lá no texto e tudo.
      Os resultados são estes, o JMT e o Abreu queixam-se de terem ganho.

    • Carlos Almeida says:

      Não ouvi, nem tenho a intenção de ouvir, mas fico a pensar que quando a “direitalha”, na terminologia do caríssimo “Menos”, gosta muito, eu fico de pé atrás.
      Aprendi isto há muitos anos: menos por mais dá menos e menos por menos dá mais.

    • Nuno M. P. Abreu says:

      Trótski – “A acefalia politica surge sempre que surge alguém que, sem conhecer a mensagem, têm a ousadia de a classificar em funçao da identidade do seu mensageiro. Se Estaline diz uma coisa, é sublime. Se a digo eu, sou um traidor.”
      Trotski, por isto e por coisas similares, nem refugiando-se no México, escapou. Morreu martelado por Ramón Mercader, agente da polícia de Estaline.

      • Nascimento says:

        Ui . Ele inté busca no seu TÓSKI … eheheheh …dominó prós dois ladecos…o que um tipo ” aprende” com o Kolturras lá de cima.

    • anticarneiros says:

      “Abaixo os extremistas” diz o Sr Abreu.

      Olha quem fala, diria o “anticarneiros”

  3. Ana A. says:

    Não ouvi o discurso todo, mas do que ouvi, achei-o bom demais para a pessoa que o preferiu!

    Pelo menos para faceta que o JMT teima em deixar passar da sua pessoa. Mas se ele acredita e luta pelo que diz, já subiu na minha consideração!

    • Ana A. says:

      correcção: “proferiu”

    • Luís says:

      Um discurso bom.
      Mas que não combina com o que conhecemos da personalidade de JMT.
      Há qq coisa que não bate certo…..

  4. Mário Reis says:

    Uma espécie de homilia de que o mundo pode ser bom, se formos bons e melhores… que é musica para os ouvidos de quem já não suporta o fadinho das corrupções e boyadas.
    Dou comigo a pensar se esta conversa nos tem levado a algum lado, se não tem sido esta identidade liberal (do se tu quiseres consegues) que JMT e uma certa esquerda e sociais democratas tem cultivado, vai resolver as profundas contradições em que se encontra a humanidade. É mais um discurso para reforço dos vínculos internos de não questionamento do capitalismo liberal e opressor que se cristaliza desde a nossa porta e a nível mundial. ‘Era bom que trocássemos algumas ideias sobre os assuntos’ e não nos deixássemos atrapalhar por gente cooptada pelo capitalismo (o marcelo não dorme mesmo!!!) que se especializou em mascarar contradições, e em criar a ilusão de que só com uma identidade liberal/individual se vão resolver os problemas das pessoas, quando não se está.

  5. ANTÓNIO MANUEL MARTINS MIGUEL says:

    Grande e importantíssima pedrada no charco que fede de corrupção, num país que se vê adiado, onde os vindouros poderiam e deveriam felizes, onde hoje muitos dos pais se sentem infelizes, por que desiludidos de uma classe política oportunista comprada por um bando de salteadores dos cofres públicos, corrupto até às profundezas do melhor sangue lusitano.
    Um País onde a Justiça se banqueteia com os milhafres do Poder e corrompe o incorruptível.
    Um País onde os melhores são afastados e se afastam por força do medo implantado.
    Um país onde as mais diversas “lojas” não têm pejo que coabitarem os mesmos locais, os mesmos banquetes.
    Um País onde o Povo sofre e onde permanecem sem vislumbrar melhorias, mais de 2 milhões de pobres.
    Um País onde falta GENTE que saiba e queira enfrentar o touro pelos cornos.
    Um País que continua adiado sine-dia, apodrecendo……lamentavelmente.


  6. Pff. Engravatados. Não sei o que faz esse sujeito da vida, mas tão engomadinho à banqueiro é de desconfiar…
    Não foi esse gajo que entregou os filhos para o Costa fazer de ama? Relaciona-se bem o sujeito…e agora fiquei aqui a saber que fez um discurso e tudo – de que partido é que é líder? – Como disse, é de desconfiar. E discursos, é como o outro dizia, há muitos, porque palavras leva-as o vento, e o Inferno está cheio de boas intenções.

  7. Paulo Marques says:

    O discurso do “pobres, mas honrados” em versão moderna, sem conteúdo político porque, como o próprio diz, também nada estuda sobre o assunto. A versão milenial do presidente, cheia de frases feitas e senso comum que nada questiona senão o que lhe dizem os jornais para questionar.
    Pode ser que haja um dia em que ele, e quem ache que é um grande discurso, olhem para o início discurso e interroguem-se porque é que o optimismo morreu quando morreu, mas o mais provável é que calhe à próxima geração de historiadores constatar o óbvio.

  8. Nuno M. P. Abreu says:

    “Aquilo que melhor distingue as pessoas não é serem de esquerda ou de direita, mas a firmeza do seu carácter e a força dos seus princípios. Aquilo que se pede aos políticos, sejam eles de esquerda ou de direita, é que nos dêem alguma coisa em que acreditar. Que alimentem um sentimento comum de pertença. Que ofereçam um objectivo claro à comunidade que lideram”
    J. M. Tavares

    • Paulo Marques says:

      E oferecem: pobres, mas honrados e com as contas certas. Não fica emocionado?

      • Nuno M. P. Abreu says:

        É um principio. E como principio ético não estaria mal. Sempre seria bem mais humano que ricos, desonrados e caloteiros.
        Mas claro, cada um sabe de si.

        • Paulo Marques says:

          Como princípio ético é uma nulidade, tão impossível como o trilema de Dani Rodrik. Aliás, no nosso caso, nem somos honrados (o dinheiro Venezuelano está aprisionado porque sim), nem as contas certas sobrevivem a um sopro (estamos à espera de benesses na crise por sermos bons alunos).

          • Nuno M. P. Abreu says:

            Escreve J.Tavares: – Que ofereçam um objectivo claro à comunidade que lideram”
            Escreve Paulo Marques – E oferecem: pobres, mas honrados e com as contas certas.
            E pergunta-me:- Não fica emocionado?
            Respondo: – É um principio.
            Conclui Paulo Marques: – Não oferecem nada. Afinal nem somos honrados nem temos as contas certas.

            Embasbacado só me resta perguntar-me: Perante uma lógica destas, porque te não calas?

          • Paulo Marques says:

            A culpa é minha que o objectivo, com que o Abreu e o JMT concordam, como confirmou, é um disparate pegado e os crentes serem uma cambada de idiotas?

        • Nascimento says:

          É dar-lhe com o Marx ( Groucho)…eheheheh …é só encher a bocarra com a palavrita principios e fica logo tudo bien. Bora lá a bater no peitoral e berrar bem alto!eheheheh foge cão…

  9. Luisa says:

    Li até: “fosse subindo aos poucos na vida e chegasse até aqui.” Depois desandei. Ficou tudo dito.


  10. Agora que reli: “A falta de esperança…”, “achamos que temos que ser pessimistas”…

    Espera lá! Eu ainda tenho memória! Para o gajo que passou a vida a defender com unhas e dentes o discurso miserabilista de Passos Coelho, o primeiro-ministro que cavou o buraco e enterrou a esperança lá entro, e que quem não estivesse bem a porta da rua era a serventia da casa, vir agora com esse paleio da “esperança”, é assim um bocadinho pró demagógico e populista, não é?

  11. Nuno M. P. Abreu says:

    Acidentalmente dei entre os meus papeis, hoje mesmo, com um pequeno opúsculo editado pela Secretaria de Estado da Comunicação Social, em 1978.
    O título é : 10 de Junho – Dia das Comunidades de Camões e das Comunidades Portuguesas.
    Publica os discursos proferidos nas comemorações que, coincidências das coincidências, tiveram lugar em … Portalegre!
    Era Presidente da República, Eanes, era 1º Ministro, Soares. O presidente da Câmara não é identificado e o orador oficial é Fernando Namora.
    É revelador a comparação dos discursos que merecia um estudo aprofundado para se compreender o caminho percorrido.
    De qualquer forma, eis aqui um pequeno extracto do discurso de Namora, versus Tavares:

    “Este é o meu modo de ser português, porventura idêntico ao vosso. Assim visceral, por uma necessidade de integração no corpo gregário que nos justiça como indivíduos e de harmoniosa conciliação do particular com o universal; e assim talvez emocionalmente excessivo, por isso as mais das vezes dramático. A vida das pessoas sensíveis é um misto de fervores e amarguras, de ansiedades que nunca encontram definitiva resposta, e nós Portugueses, possuímos uma vulnerável e ao mesmo tempo rija sensibilidade , a sensibilidade complexa que habitualmente caracteriza os que são tidos como simples… Desculpem-me estas deambulações aparentemente sem nexo com o dia que hoje festejamos” Namora

    “Criámos comissões de inquérito para encontrar responsáveis. Descobrimos um país amnésico, cheio de gente que não sabe de nada, que não viu nada, que não ouviu nada. Percebemos que a corrupção é um problema real, grave, disseminado, que a Justiça é lenta a responder-lhe e que a classe política não se tem empenhado o suficiente a enfrentá-la. …O sonho de amanhã, ser-se mais do que se é hoje, vai-se desvanecendo, porque cada família, cada pai, cada adolescente, convence-se de que o jogo está viciado. Que não é pelo talento e pelo trabalho que se ascende na vida. Que o mérito não chega. Que é preciso conhecer as pessoas certas. Que é preciso ter os amigos certos. Que é preciso nascer na família certa» Tavares

  12. Mário Reis says:

    «O Portugal da Mini – um discurso salazarista em Portalegre»

    Não resisto, e cito:
    «… a arenga de JMT explorou os sentimentos mais baixos das turbas: a resignação, o servilismo hipócrita e a recusa de cada português assumir as suas responsabilidades. Populismo do mais reles. A demagogia do discurso assentou em dois pilares clássicos, já utilizados por Salazar na definição da sua família na capa do livro da 3ª Classe da Escola Primária: os portugueses querem uma vidazinha, uma casinha, os filhos educados, pão e vinho sobre a mesa, um emprego no Estado, uma semana no Algarve, referiu o tribuno, numa concessão pós-moderna. Mais, os portugueses devem abster-se de assumir responsabilidades políticas – a política é uma porca e os políticos uns malandros da pior espécie, disse ele por outras palavras. Só não esclareceu que somos nós, os portugueses, a escolhê-los e a elegê-los, porque isso nos responsabiliza e o discurso da JMT é o da irresponsabilidade. Se os portugueses soubessem o que custa mandar preferiam obedecer, já Salazar sentenciou. (…) O discurso deste 10 de Junho foi um discurso salazarista, com meio século de atraso, que podia ter sido proferido por um antigo graduado da Mocidade Portuguesa. Felizmente Portugal tem muito melhor que este JMT. Infelizmente são estes demagogos sem história que sobem às tribunas da opinião pública. Não é por acaso… e é perigoso…»
    Carlos Matos Gomes, Militar de Abril, aqui
    https://www.jornaltornado.pt/o-portugal-da-mini-um-discurso-salazarista-em-portalegre/?fbclid=IwAR1EH4Z_LtAYZ3LQg44As5YECtjPQb4UFd_Fi0n3D2wlOWAJ2L1kBqDnBGI

    Será que todos sabemos que a dita elite é uma valente porcaria? Volta e meia há muita gente que a adora…

  13. mdlsds says:

    Não ouvi, nem li… Não vou ouvir, nem ler!
    Só saber que este senhor discursou, e só ver a fotografia, já me chega para o horror!


  14. Não me lembro de ninguém que me provocasse tanta repulsa como esta personagem o que me impede de ver qualquer programa em que participe.
    Citando o Coronel Matos Gomes, no Mirante: (…O discurso deste 10 de Junho foi um discurso salazarista, com meio século de atraso, que podia ter sido proferido por um antigo graduado da Mocidade Portuguesa. Felizmente Portugal tem muito melhor que este JMT. Infelizmente são estes demagogos sem história que sobem às tribunas da opinião pública. Não é por acaso… e é perigoso…)

    • Armindo Neves says:

      Se foi ou não um discurso Salazarista, não sei (nem me interessa) …. mas que, porventura, em virtude do eco que fez, dando voz à grande maioria dos Portugueses, “silenciados”, que se identificaram com estas palavras, mereceria um pouco mais de decoro nas palavras de vª Exª, merecia. Mas enfim… as verdades incomodam muita gente…. principalmente quem se revê em regimes como o da Venezuela ou da Coreia. Gente que nega a verdade e seguramente para quem será mais fácil movimentar-se no pântano em que se transformou a sociedade politica Portuguesa “y sus muchachos”. Felizmente que vivemos em Liberdade. Coisa que ainda faz confusão a muita gente que, ainda por cima, tem como bandeira a crítica ao Estado Novo. Enfim…

      • Nascimento says:

        Mas é claro que NÃO SABES NEM TE INTERESSA! O que te interessa ? é o… “enfim”,…siga para bingo! Cheio! faz favor…

        • Armindo Neves says:

          Exmo… acho que ainda não temos essas intimidades , nem partilhamos da mesma educação.

          • Nuno M. P. Abreu says:

            Não ligue, nascimentos e carneiros há muitos! E desde que apareça alguém a desafinar, os corneteiros de Nero surgem logo espavoridos, a virar o polegar para baixo gritando: à morte!
            Há gente que ficou parada no tempo! Pobres coitados!

          • Paulo Marques says:

            Sim, porque o discurso anti-socrático como criador de todos os males é novo.
            Mééééé.

      • Paulo Marques says:

        Silenciados em quê? As crónicas e programas semanais do dito cujo foram censuradas? São minorias entre os paineleiros?
        Venezuela e Coreia, lol.

    • Carlos Almeida says:

      Mas quem é que convidou o dito “artista” para falar ?
      O filho do ministro ?

  15. Luís says:

    À medida que vou relendo o discurso de JMT vou ficando mais contido….

    Assumindo-se como liberal, como se compreende o mote que fica a soar-nos nos ouvidos: “Deem-nos algo em que acreditar”.

    Mas há outras incongruências do género, nomeadamente uma certa confusão entre o individual e o colectivo.

  16. abaixoapadralhada says:

    E volta o Sr Abreu, com a melhor da semana:

    “Há gente que ficou parada no tempo! Pobres coitados!”

    Deve estar a ver-se ao espelho, o velhote.

    • Nuno M. P. Abreu says:

      Deixe-me a sua bênção para o tempo que me resta viver, senhor apadralhado!

      Vi-me ao espelho e confirmo: não parei no tempo. Estou muito mais velho.


  17. Aventando um arejo, que a discussão ´tá pesada :

    Qualquer semelhança com a coincidência…


    João Miguel Tavares pediu e os políticos fizeram-lhe a vontade.

    Depois de ontem, no discurso do Dia de Portugal, ter pedido à classe política “qualquer coisa em que acreditar”, o cronista recebeu, esta terça-feira, logo pela fresca, uma Virgem.

    A acompanhar a Santa vinha, para aproveitar o correio, a nota de liquidação do IUC da monovolume de João Miguel Tavares.

    “Pode acreditar nisto, porque não há nada mais sério e verdadeiro que o Fisco”, podia ler-se, numa mensagem inédita dirigida ao contribuinte.

    Segundo o Imprensa Falsa conseguiu apurar, não seria propriamente impostos que Tavares estava a solicitar, nem uma Santa, mas na nota de liquidação vem a explicação:
    “Provavelmente estava a pensar em coisas maiores, mas isto sem arame não se faz nada. Primeiro temos de liquidar e então depois, sim, sonhar.”

    Zé Pedro Silva__ IF