Liga das Nações

Liga das Nações

© Rádio Renascença

Na primeira fila podem ver-se as figuras proeminentes que hoje assistiram, no Estádio do Dragão, à final da “Liga das Nações”, uma das mais importantes competições futebolísticas mundiais. O desafio opôs as selecções nacionais de Portugal, país pertencente à União Europeia e situado no extremo ocidental da Europa, e da Holanda, reino protestante antigo situado abaixo do nível das águas do mar e a duas horas de Paris, por estrada.


Nestas ocasiões especiais é naturalmente accionado o Protocolo adequado, sendo cada país representado a um nível condizente com a importância do momento, não apenas pelos cidadãos a quem cabe chutar a bola no campo de relva, como pelos que estão investidos em funções de poder e representação soberana. Assim se explica que, nessa tal primeira fila, se possam ver, da esquerda para a direita, o Presidente da Federação Holandesa de Futebol, o senhor Presidente da República Portuguesa, o Presidente da UEFA, o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, o senhor Primeiro-Ministro de Portugal e o Presidente do Futebol Clube do Porto.
Um exegeta dos rituais protocolares, aos quais normalmente se associa a dignidade de um Estado e os modos exigíveis da sua representação, terá dificuldade em compreender os motivos pelos quais o topo da hierarquia de uma República soberana se coloca ao nível protocolar de presidentes de federações desportivas. Mas não terá qualquer dificuldade em perceber os motivos pelos quais uma Monarquia Constitucional não se dignou sequer fazer-se representar ao nível do Estado. Tal ausência não significa, evidentemente, que o povo desse país não valorize o desafio da bola e não exulte com ele. Significa que lhe confere o valor adequado à preservação da dignidade da própria Nação.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Aquilo que diferencia os países nórdicos de nós próprios, e aqui incluo de facto o sul da Europa, é esse pirosismo muito latino, “arre macho!”, de querer aparecer na foto de família a qualquer preço, sempre que o evento tenha importância internacional que lhe estão a dar, mesmo que tenha algum “valor acrescentado” para o turismo. É que nem sequer medem o valor intrínseco das coisas. A Liga das Nações está para as competições internacionais, inter seleções, como a nossa Taça da Liga está para os clubes de futebol. Uma espécie de Taça da Cerveja ou dos Seguros.
    Apesar de não ter nada a ver com este assunto, recordo-me daquele episódio do “moleque Barrosão”, nas Lajes, a fazer de estadista, num assunto para o qual Portugal pouco ou nada era chamado.
    Não, não vale a pena trazer Marcelo à liça. Marcelo tira selfies até com um pinheiro ardido, algures em Pedrogão. E se tudo isso nos pode parecer ridículo, Marcelo é sempre assim. Contrariamente outros só vão quando a coisa da “pontos”.


  2. A monarquia não se mete no futebol, porque senão teria de vestir calça de ganga para se misturar com a plebe. E quem diz futebol diz outro evento qualquer. A monarquia prefere andar aos tiros aos elefantes em vias de extinção quando o próprio país está ameaçado pelo FMI, ou fazer batidas à caça, mas sempre entre os seus pares, só com gente de sangue azul.
    Mas também estamos a falar de regimes ditatoriais não é? Que não são eleitos democraticamente. Chegam lá e tomam conta do poder, e depois, passa de pai para filho. Felizmente que em Portugal, com as recentes leis de impedimentos familiares, se voltarmos a ter monarquia, nem os primos do rei lhe poderão suceder ao trono, porque seria, num regime democrático como português, algo eticamente reprovável.

    Sim, porque em Portugal condena-se que alguém contrate para um cargo de confiança política um familiar, mas nos países monarcas acham perfeitamente normal que o poder do país passe de pai para filho! E vocês acham isso normal! Não! Eu não acho isso normal! Onde é que fica a igualdade de oportunidades, onde fica afinal o tão propalado mérito?

    Se os políticos portugueses dão o cu e três vinténs para aparecer? Sim. Se a monarquia é muito melhor do que aquilo que temos? Definitivamente não! E ainda assim, se não concordamos, é só mudar a lei!

  3. Nuno M. P. Abreu says:

    Ao ler este comentário fico na dúvida sobre qual será a opinião do autor.

    O facto de um povo não ter representação, ao nível estatal, num evento desportivo realizado fora do seu território, por contraponto de outro que a tem, nesse mesmo evento, realizado no seu espaço territorial, significa que um confere valor adequado à preservação da dignidade da nação e outro não?

    Ou, dito de outro modo, quando um povo tem o seu chefe de Estado presente num evento desportivo, ao lado dos representantes máximos pela organização desse mesmo evento, significa que esse povo “não confere valor adequado à preservação da dignidade da nação” ?

    Que diabo! Não somos certamente o povo mais evoluído do mundo mas não há necessidade e nos estarmos sempre a amesquinhar aproveitando circunstâncias perfeitamente irrelevantes para o fazer.

    Imagens similares surgiram em praticamente todos os países onde esses eventos se realizaram sugerindo assim que o conferir valor adequado à preservação da dignidade da nação por um povo é um questão circunstancial.

  4. António de Almeida says:

    Muitos adeptos do meu Sporting têm problemas em entender Marcel Keizer (holandês). A tradição calvinista é bem diferente da católica…

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