Aquele cheirinho…

O número de elogios aos hospitais públicos foi o dobro dos elogios aos hospitais privados. Mas a maioria das notícias esqueceu-se de referir este detalhe.

Paira no ar um cheirinho a notícia plantada, vindo dos cantos que apregoam maravilhas a 3 hospitais geridos em PPP.

O documento que é citado por toda a comunicação social da mesma forma (1.º sinal de notícia plantada) diz que quase 70% das queixas na saúde dizem respeito a unidades públicas. Refere, ainda, que o Hospital de Braga, o Hospital de Cascais e o Hospital Vila Franca de Xira são aqueles que têm menos reclamações.

Estes números não dizem, porém, qual é a percentagem de reclamações em função do número de doentes atendido (2.º sinal da notícia plantada). Por exemplo, afirma-se que o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, é o que tem o maior número de reclamações. Faz algum sentido fazer a comparação com o Hospital de Vila Franca de Xira sem sabermos qual é o universo de doentes de cada um deles?

E porque é que se deu destaque ao lado negativo do relatório da ERS, que favorece os hospitais privados, quando o mesmo relatório tem dados igualmente positivos para os hospitais públicos (3.º sinal de notícia plantada) e que foram completamente omitidos?

Página 37 do relatório da ERS sobre as reclamações nos hospitais referentes a 2018

Por fim (4.º sinal de notícia plantada), porque é que um relatório de 2018 demorou 6 meses a ser publicado, tendo calhado vir a público, precisamente, na semana em que médicos e enfermeiros do SNS estão em greve? Com a particularidade de ter sido pintado um quadro negro para o serviço público.

Estes sinais mostram a forma rasteira de fazer política que também este governo leva a cabo. Uma a uma, todas as classes profissionais que procurem melhores condições de trabalho acabam por levar com o mesmo rolo do achincalhamento. Que se lembrem disto da próxima vez que o PS (ou outro partido) pedir uma maioria absoluta.

Amostra da cobertura jornalística:

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Apetece-me parafrasear a CEO da Luz Saúde, e dizer:

    “A influência da Isabel Vaz e do Carlos César, na Entidade Reguladora da Saúde, no Ministério das Finanças, e até na RTP, é muito perniciosa para o governo.”
    Se deixarem os hospitais públicos completamente descapitalizados, estes ainda vão ficar piores que os da Venezuela.
    Basta tentarem !

  2. j. manuel cordeiro says:

    Post actualizado às 21:56 para adicionar a cobertura jornalística


  3. manda quem pode e tem dinheiro, obedece quem deve

  4. Nina Santos says:

    A minha alma está parva!
    Com jeitinho muito maneirinho, não tarda nada, este senhor j. Manuel Cordeiro ainda vem dizer que o cds e o psd dão o coiro em defesa dos hospitais públicos e que o sacana do ps entrou numa deriva defensora de liberalismo desenfreado, defendendo os hospitais privados, quiçá os lucros privados!
    Aliás, até desconfio que o objetivo do ps e das esquerdas é o abate do sns!
    Ao que esta merd@ chegou!

    • JgMenos says:

      Ó Nina, qual o espanto?
      Que a cretinice é bem capaz de matar o SNS é uma muito realista possibilidade.

  5. Julio Rolo Santos says:

    O PSD e o CDS, nunca negaram serem defensores de um misto público/privado na saúde embora se saiba que o seu pendor tende para realçar o privado mas, o PS mas o tem sido de uma indefinição completa sobre esta matéria ao ponto de, primeiro pôr de parte o entendimento com os partidos á sua esquerda, para de seguida tentar um acordo com o PSD que, obviamente deu para o torto.E agora PS, qual o próximo passo?

    • JgMenos says:

      O que se sabe é que, onde o privado e o público podem ser comparados na acção, no desempenho, temos o melhor do público.
      O que a cambada sempre quer é promover e alargar a modorra pública, para que a acolha com um máximo de empregos.

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