“Dizes que não és racista…”

“A maior expressão de preconceito racial consiste, precisamente, na negação deste preconceito” palavras claras e clarividentes da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem. “(…) eu, falando na primeira pessoa, acrescentaria que para além de ver, de ouvir e de ler, também sentimos”.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    No link partilhado pela Ana Moreno, da TSF, Francisca Van Dunem estimou ainda que a melhoria dos níveis de escolarização do país não mitigou “o discurso do ódio”.
    Pois não, infelizmente. O que só prova que atrás de um académico cheio de títulos, pode estar um monstro.
    Josef Mengele, médico alemão, doutorado em antropologia, assistente universitário, tinha um curricullum invejável, mas nem por isso deixou de ser um facínora.

    A “supremacia social e racial” de algumas elites começa logo na negação do Estado Social como uma entidade jurídica inclusiva, e acabam no discurso do preconceito ou da xenofobia, para justificar qualquer falhanço na política de tentar aproximar e elevar o patamar social das minorias. Nada disto é feito ao acaso. Tudo isto faz parte de uma nova narrativa da direita e dos seus ideólogos, “fartos de pagar impostos para um Estado Social despesista”, com o fim de pôr tudo a ir ao Banco Alimentar.
    Como é óbvio, depois de lermos o artigo da Dra Fátima Bonifácio, constatamos que o racismo existe, mesmo que embrulhados numa dissertação “académica” sobre os valores da cristandade e da Revolução Francesa. E tal como no coro da igreja, não faltou o barítono Rui Ramos e a Solista Helena Matos, como eu já previa. Veremos se o João Miguel Tavares não faz também ele uma remistura do tema, dando-nos aquela versão muito pessoal, só dele:
    “A culpa é da falta de credibilidade dos intervenientes”. Onde nem Sócrates escapará, como o culpado disto tudo.

    • JgMenos says:

      «A “supremacia social e racial” de algumas elites começa logo na negação do Estado Social como uma entidade jurídica inclusiva,…»

      O Tremendismo é tremendo!

    • Paulo Marques says:

      «Tudo isto faz parte de uma nova narrativa da direita e dos seus ideólogos, »
      A narrativa nada tem de novo, o poder mantém-se pondo os restantes uns contra os outros. Nem sequer é novidade do capitalismo.

  2. JgMenos says:

    Ser racista é excluir a possibilidade de vir a tomar por igual todo o indivíduo de uma raça.

    Ainda assim, o não-racista é livre excluir a possibilidade de lhes dar acesso à sua cama; gostos não se discutem!

    Isto dito, o corretês traduz a insensibilidade que, tendo horror a definir valores ao indivíduo, se refugia em alardear sentimentos grupais, descomprometidos e desprovidos de exigência de compromisso.

    • Paulo Marques says:

      Já não é a primeira vez que fala em valores do indivíduo, mas o que está em causa é exactamente o contrário, darem valores ao grupo porque são todos iguais.
      Mas é preferível “refugia[rem-se] em alardear sentimentos grupais, descomprometidos e desprovidos de exigência de compromisso”, senão tinham que lidar com o sofrimento anti-cristão que trazem ao mundo.

      • JgMenos says:

        Todas iguais em cada grupo s-ao as formigas, trengo!

        • Fascista eu ? says:

          Caríssimo Cruz

          V. Exª não escreve, porque não é politicamente correcto, mas de certo que há cerca de 70 anos atrás apoiava os que defendiam a raça ariana.
          Sim, sim o da mosca, já decerto ouviu falar. O Adolfo tinha umas ideias interessantes, do seu ponto de vista claro, não tinha?

        • Paulo Marques says:

          Não somos todos iguais, merecemos ser todos tratados de maneira igual, que é diferente.

  3. João Mota says:

    “Não posso afirmar que haja racismo grave em Portugal” – Francisca van Dunem (2017)

  4. Luis says:

    “O racismo é a doutrina que defende que há etnias superiores a outras; é também o preconceito que leva a ver como inferiores os indivíduos de etnia diferente.”
    (ciberdúvidas)

    Quanto a mim esta definição está 100% correcta… agora só falta conhecer as etnias que se julgam superiores para, como se diz cá na terra, pôr o nome aos bois.


    • Não precisa de procurar muito.
      Os herdeiros da “Civilização Cristã” levam-se a muito a serio a si próprios.

    • Paulo Marques says:

      O grupos que acham que há etnias superiores não são constituídos por todos os membros dessa etnia, pelo que lhe falhou aí qualquer coisa.

      • Luis says:

        Vou fazer o desenho para ver se percebe!
        Quando os “grupos” são a esmagadora maioria dos membros dessa etnia que se acha superior, temos de mandar o politicamente correcto às malvas e dizer que essa etnia é racista.

        • Paulo Marques says:

          Às vezes, mas aí estamos a ser preconceituosos, ou seja, a pensar que os grupos são todos iguais, e lá vai a igualdade, o respeito e o civismo pelo cano do esgoto.
          «Um olho por olho deixa o mundo inteiro cego» não foi realmente dito por Ghandi, mas podia.

  5. João Mota says:

    HOW DO WE STOP RACISM? ACTOR MORGAN FREEMAN SAYS: “STOP TALKING ABOUT IT”
    https://www.illinoisreview.com/illinoisreview/2013/07/how-do-we-stop-racism-stop-talking-about-it.html

  6. Julio Rolo Santos says:

    Todos somos racistas, uns mais do que outros, obviamente mas, uma coisa é ser racista outra coisa é cultivar o ódio racista e isso, infelizmente, é o que há mais por aí. Quando se tenta fazer passar a ideia “eu não sou racista” está-se a querer reprimir um sentimento que todos temos dentro de nós e que só se manifesta em momentos em que somos obrigados a defendermo-nos do outro com ataques manifestamente racistas, de parte a parte. Os próprios continentes foram sendo criados para separação das raças e, só mais tarde, essas raças foram-se misturando e deram lugar ao que temos hoje, uma miscelânea de raças mas mantendo a predominância da raça em cada um dos continentes.

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