Qual é a entidade que mais prejudica a vida das escolas?

Continuo a defender que o Estado deve ter uma presença forte na área da Educação, de maneira a que se possa resistir a perversões que possam advir do capitalismo ou da religião.

Ainda assim, o peso do Estado não tem impedido que as escolas sejam vítimas de outras perversões. O facto de ter havido quarenta reformas nos últimos trinta anos só vem confirmar o que já escrevi há vários anos. Permita-se-me o pecado da autocitação:

Se o Ministério da Educação (MEC) tivesse algum poder sobre as salas de operações, qualquer cirurgião viveria em constante sobressalto, sem nunca ter a certeza se, no dia seguinte, sairia uma ordem de serviço que o obrigaria a operar com um talher de peixe ou se seria obrigado a substituir a anestesia por uma dose de bagaceira (em princípio, para o paciente).

As escolas são vítimas, em primeiro lugar, de uma pulsão de poupança, consequência da desvalorização da Educação. Entre tampões vários na carreira docente, que impedem a maioria de chegar ao topo de carreira, congelamentos e cortes salariais, para nos referirmos apenas aos professores, os últimos vinte anos corresponderam a um desinvestimento brutal na Educação.

Quanto ao resto, desde que não implique aumento de despesa, foram vários os poderes que puderam deixar as suas marcas na Educação, impondo alterações legislativas, curriculares, terminológicas e outras, num delírio que sobrecarrega escolas e profissionais da área.

A resposta ao título é, evidentemente, o Ministério da Educação, o que parece contradizer a minha fé no Estado, tendo como consolo utópico a frase de Churchill sobre a democracia como o pior sistema político à excepção de todos os outros. Por falar em utopias, pode ser que, um dia, os cidadãos se preocupem mais com Educação do que em invejar a nada invejável carreira dos professores e há sempre a possibilidade de que os professores comecem a lutar melhor. Nessa altura, os políticos terão de agradar ao povo, optando pela sensatez e pelo investimento consequentemente responsável. Nessa altura, o Ministério da Educação poderá deixar de ser o principal problema das escolas.

Comments

  1. Antonio Pena Serpa says:

    A Escola nunca mas nunca deveria estar sob a alçada do Estado.
    Os perigos são muitos. Por exemplo o que acontece em Portugal mas não só , em que o ensino se tornou num centro de controlo de liberdade de pensamento travestido de Formação Cívica e outras nomes fantásticos que esses ideólogos comunistas inventam, para iludir as pessoas, onde sub-repticiamente difundem a ideologia marxista

    António Serpa

    • António Fernando Nabais says:

      Sim, sim, e comem criancinhas ao pequeno-almoço e dão injecções atrás das orelhas dos velhinhos, para não falar das aulas em que se queimam bíblias e crucifixos.

    • Carlos Almeida says:

      Sr Serpa

      Claro, que não devia estar na alçado do estado, mas sim do bando de pedófilos da Santa Madre Igreja como era no tempo em que os Jesuitas mandavam em Portugal.
      Abençoado Marques de Pombal que começou a correr com essa mafia. Mas eles voltam sempre, é como o piolho. Desde que haja falta de higiene volta sempre. Com falta de higiene física volta o piolho, com falta de higiene mental volta a padralhada.

      Com que então “ensino se tornou num centro de controlo de liberdade de pensamento”.
      A chamada “liberdade de pensamento” era a que era promovida pelos padres à frente dos colégios internos, obrigando os alunos a ir à missa todos os dias sob o risco de serem expulsos do colégio. Sei bem do que falo, porque fui obrigado a frequentar um colégio de padres durante alguns anos e conheço bem as suas manhas e as técnicas de lavagem cerebral que fazem aos miúdos dos 12 a 16 anos que lhes caem nas mãos. Felizmente comigo não colou, antes pelo contrario.

      O sr Serpa dá bem a imagem do sectarismo religioso e o que é para ele(s) a “liberdade de pensamento”.
      Quem não pensa como eles ou é comunista, maxista ou mentores de “centro de controlo de liberdade de pensamento travestido de Formação Cívica e outras nomes fantásticos que esses ideólogos comunistas inventam, para iludir as pessoas”

      Quem os não conhecer, que os compre

      Mas atenção. Tal como o piolho, a padralhada volta sempre, desde que as pessoas não pensem pela sua própria cabeça.

      Os amarelos Jesuitas, levaram ultimamente um grande rombo nos seus negócios mafiosos, mas não vão desistir. É só voltar para o poder, os do Partido do Marcelo Caetano, recauchutado em 1974

  2. Luis says:

    1º – o “eduquês”;
    2º – o “eduquês”
    3º – o “eduquês”

    1.000.000º – o “eduquês”.

  3. anónimo says:

    “Nessa altura, o Ministério da Educação poderá deixar de ser o principal problema das escolas.”
    Impluda-se!

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