Huwaei Mate 30 Pro
Tal como se antecipava, as dificuldades da Huawei face ao bloqueio americano iriam fazer-se sentir mais ao nível dos serviços (Google Play e Google Apps) do que quanto ao acesso a materiais (processadores, sistema operativo, etc.). Chegou o momento da prova de fogo, com a Huawei a apresentar hoje o seu primeiro modelo (Mate 30 Pro) sem que, até agora, se tivesse sabido se este telemóvel terá acesso a aplicações como Gmail, Maps, demais software e serviços da Google.
Há semanas que se especulava sobre o desenrolar da novela. Como iria esta empresa reagir ao bloqueio americano, quando o mercado europeu não quer prescindir dos serviços da Google. Hoje, em Munique, a empresa chinesa apresentou os seus novos telemóveis. São bons equipamentos e isso de espiar os utilizadores é uma caça às bruxas, usando a linguagem de Trump. Não que os utilizadores não sejam espiados. São-no, isso sim, por todas as empresas que metam um dedo no equipamento ou nos serviços associados, desde o smartphone propriamente dito, passando pelo software que nele corre, até à operadora de telecomunicações.
Confirma-se que o novo modelo da Huawei não trará os serviços da Google. Quem quiser instalar o YouTube, Maps, Gmail, etc. terá que o fazer manualmente depois da compra. Isto se, no futuro, a Google não os bloquear para estes modelos. Em alternativa, o gigante chinês propõem o uso do seu próprio serviço de aplicações, semelhante ao Google Play, onde os utilizadores poderão instalar versões equivalentes, mas fornecidas pelos chineses.
É uma clara derrota para a Huawei e para os chineses, que assim vêem uma perna cortada na sua expansão galopante. Para os europeus, também não são boas notícias, dada a redução de oferta de alta qualidade. E mesmo para os americanos também não são notícias positivas, face ao actual duopólio Apple-Samsung que actualmente domina o seu mercado interno. Dinheiro, tudo se resume a dinheiro, pintado com uma capa de suposta protecção dos cidadãos.
Perdida a batalha, esperemos pelo desenrolar da guerra. Estas restrições vão ter impacto na geopolítica internacional e veremos daqui a uns 5 anos que transformações trarão para todos. Antecipa-se que os EUA sairão enfraquecidos do conflito. Quem confiará nas decisões erráticas de um presidente, que poderão colocar em causa a estratégia de quem use os serviços americanos?