Ó Rosa, arredonda a saia!

[Francisco Salvador Figueiredo]

 

Estava difícil arranjar um título que reunisse os dois assuntos que vou abordar hoje: a Rosa e a saia do assessor de Joacine. Nada como uma música infantil para falar sobre dois assuntos sérios que foram tratados com imensa infantilidade.

Comecemos pela Rosa. Rosa Mota. Estamos a falar de uma das maiores atletas portuguesas, que tanto honrou o nome da cidade do Porto e deste país. Mas nunca foi tão falada como agora. Rosa Mota acabou de destronar Rosa Grilo no prémio de Rosa mais falada na Comunicação Social. Se não há dúvidas que o rosa é uma ótima cor para Partido, também não haja dúvidas que pode ser um péssimo nome de mulher. Uma assassinou o marido, alegadamente. Outra faz birra por causa do tamanho de letra do seu nome num Pavilhão. Vejamos a situação da forma mais justa possível. Pode-se interpretar que houve uma falta de respeito com a Rosa Mota? Talvez. O que Rosa Mota não se lembra é que não deu nem um tostão para a obra de um edifício que estava a degradar. O que Rosa Mota não se lembra é que sem gastar um cêntimo dos contribuintes, a Câmara do Porto arranjou um parceiro para reabilitar o espaço. A Super Bock não é mais importante para a cidade do Porto, aliás, o nome Super Bock não está lá como homenagem. O nome Rosa Mota está, e sempre estará, devido à sua importância para esta cidade. Rosa Mota é a única desportista homenageada desta forma no Porto. Eu contentava-me que o meu nome fosse dado a uma gaveta.

E agora, um momento mais sério. Vamos falar da maior vergonha na política portuguesa. O governo ter 70 elementos? Não. O buraco do BES? Não. Ah, já sei, o escândalo do Sócrates? Também não. Estamos obviamente a falar da saia do assessor de Joacine. Escândalo gravíssimo que prejudica diariamente a vida dos portugueses, as pessoas já não dormem, não conseguem meter comida na mesa… Meus amigos, quem me dera que o maior problema do país fosse uma saia. Não se compreende como num país em que acabou de ser formado o governo mais caro e inútil de sempre (tendo gabinetes idênticos), o problema das pessoas seja uma saia. O meu plano é vestir de saia todos os membros do PS. Não por uma razão estética, até porque António Costa parece-me mais gordo, mas porque desta forma as pessoas se revoltariam, finalmente, com o alvo certo. O requisito para ter representação na Assembleia deve ser apenas a competência. De nada lhes vale a gravata, se depois prejudicam os portugueses durante 4 anos. Gosto da saia do homem? Não, para mim, saias é só para mulher. Mas isso sou eu e gostos não se discutem.

Comments


  1. Sobre Rosa Mota acho que está a fazer demagogia. A edilidade portuense, depois de demolir o Palácio de Cristal, resolver mudar o nome do Pavilhão dos Desportos para pavilhão Rosa Mota por forma a homenagear o/a atleta da cidade de maior destaque do desporto nacional. Suponho que não terá sido a Rosa Mota a exigi-lo! (como o outro que pagou a sua própria estátua para se auto-homenagear)

    A atleta sente-se enganada. Ela é que sabe o que foi prometido ela é que esteve nas reuniões com Rui Moreira. Se eu fazia o que ela quer fazer? Não.
    Eu não ia para os tribunais travar uma batalha com a Câmara Municipal. Eu simplesmente exigia que o meu nome deixasse de estar ligado aquele pavilhão-disco-voador que destruiu um belo palácio. Isso sim seria uma chapada de luva branca. Mas isto sou eu, cada um é que sabe de si.

    De resto, o que tenho visto na imprensa por exemplo no escarro pseudo-jornalístico mais vendido do país é a sobre a namorada do João Felix e sobre o Sócrates (quatro dias seguidos)… nada sobre de Rosa Mota e saias…

    • salvador1123 says:

      Claramente. Foi uma homenagem muito bem pensada e que continua a ser feita. O que ganha, monetariamente, a cidade ao ter o Pavilhão Rosa Mota ou outro nome qualquer? Nada. É uma homenagem sincera a uma das maiores figuras desta cidade. Infelizmente, a Rosa Mota está a ter esta atitude que não me parece justificável. A homenagem continua, o nome dela está lá. De qualquer maneira, todos conhecemos aquilo como Palácio de Cristal, venha a cerveja que vier. 😀

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    O caso Rosa Mota envolverá o não cumprimento de acordos entre a edilidade e a antiga atleta.
    Segundo sei, Rosa Mota não gostaria de ver o seu nome ligado a uma bebida alcoólica, mas acedeu fazê-lo. O desencanto de Rosa Mota, reside num outro ponto. No início tinha ficado definido que apareceria primeiro Pavilhão Rosa Mota com letras grandes e, por baixo, “arena qualquer coisa”, com letra pequena. O que se fez, foi exactamente o contrário ou seja, Rosa Mota aparece em baixo com caracteres de tamanho que, praticamente são ofuscados pelo nome de Arena e a bebida.

    Esta é a questão de fundo embora o presidente da câmara – e vejo que o autor do post faz coro com o o autarca – ande a passar outra mensagem sobre o caso Rosa Mota, a quem se referiu em termos extremamente deselegantes na cerimónia da inauguração.
    Devo recordar que o pavilhão Rosa Mota já o era bem antes deste senhor chegar a presidente. E ela, como qualquer português que pratique feitos, não tem que associar o seu nome a uma qualquer recuperação que envolva dinheiro. É uma questão de homenagem e para uma desportista, ter o seu nome num pavilhão de Desportos (era assim que era chamado quando foi construído sobre as cinzas do Palácio de Cristal), parece-me adaptado. É de muito mau tom associar a homenagem a dinheiro. Isso fez Cavaco Silva em muitas das condecorações miseráveis que emitiu.
    Conclui-se deste post que apenas serão imortalizados os portugueses ou as instituições que têm dinheiro para colaborar em obras mais ou menos de mecenato. Os outros, independentemente do seu valor, estão condenados à lei da morte ou então, ofuscados por um qualquer anúncio comercial. Pobre país…

    É evidente que todos sabemos o porquê de tudo isto.
    É tudo uma questão de dinheiro e há quem o troque facilmente pela palavra… Enfim, mais um presidente que, mais tarde ou mais cedo, terá o seu nome numa rua da cidade. Quem sabe se após “destronar” um outro qualquer como Júlio Dinis ou Latino Coelho… Já agora, com uma marca publicitária na placa, bem por cima e com letras bem brilhantes…

    • salvador1123 says:

      Não me parece que a atitude da Rosa Mota seja justificável. Aliás, acho que a Rosa Mota está a desrespeitar a Rosa Mota. A atleta vale mais do que qualquer obra que possa receber o seu nome. Alguém para ser imortalizado não necessita de nenhuma obra. Mesmo assim, ela continua a ser homenageada tendo o nome no Pavilhão. Acho muito mais importante salientar o trabalho da Câmara, que conseguiu reabilitar um espaço importante da Cidade sem gastar dinheiro dos contribuintes.


      • Elogiar a posição da câmara que mais não fez que ceder de um espaço público e vender o nome a um privado é o mesmo que elogiar a gestão da CGD que começou a dar dinheiro porque (além de lá ter sido injetados muitos milhões dos contribuintes) dispararam os custos das comissões das pessoas que lá têm o dinheiro. Depois se o Rui Moreira mentiu à Rosa Mota, desculpe lá, mas não se pode elogiar mentirosos.

        • salvador1123 says:

          Nunca terei a resposta em relação a isso. Prefiro comentar apenas o que é público e certo.

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Está enganado.
            Não está a comentar tudo o que vem a público. Está a comentar o que os jornais, sempre na sombra das forças políticas põem cá fora, evitando sempre o contraditório.
            Leia o documento que a Rosa Mota produziu e já poderá comentar outra coisa que não sejam as palavras do presidente da câmara…

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Caro Salvador 1123.
        É tudo uma questão de se honrar, ou não, a palavra.
        Eu, porque sempre a honrei, escrevi o que escrevi.
        Mas admito que tenha outra opinião.

        Diz o senhor que : “…A atleta vale mais do que qualquer obra que possa receber o seu nome…”.
        Completamente de acordo. Relembro que o pavilhão já era Rosa Mota antes da transformação. Se nada se passava lá e se caiu em ruína e se o complexo pertence à Câmara, aqui está uma boa questão a colocar ao Sr. presidente. Claro que ele dirá que não havia dinheiro. Até aqui, tudo certo. E que vai procurar um financiador. Continua tudo certo e tudo isto é material.
        Passemos agora à fase do imaterial, aquilo que ninguém vê e que por isso, se defende com mentiras: a adulteração da designação do pavilhão e a secundarização do nome da pessoa que dava antes o nome ao edifício.

        Logo, isto não tem nada a ver com o trabalho da câmara. Tem a ver com o não cumprimento da palavra dada e pelo respeito, também, que merecem figuras públicas.
        Foi isto que ataquei.
        O Salvador 1123 fala exactamente como o presidente da câmara, mas fala num contexto político: relevar o material, não dando importância ao imaterial que aqui se resume à palavra de uma pessoa.
        Lamento, mas não o acompanho, independentemente de pensar que a recuperação do edifício é sempre um bom trabalho para a cidade.
        Mas nem tudo tem preço, excepto para a neo-liberalidade.

        • salvador1123 says:

          E respeito a sua opinião, obviamente. Resumindo e concluindo, não me parece que a Rosa Mota tenha sido desrespeitada pela parte do nome do Pavilhão. Agora, se acordaram algo diferente do que foi feito, já é diferente. Como disse, só vou falar daquilo que é público e certo. Cumprimentos

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Caro Salvador 1123.
            O documento da Rosa Mota é público. Só o sr. presidente da câmara é que fala numa carta que nunca lhe chegou. Eu não sei se é carta, telegrama, mail ou uma simples folha de papel. Agora o que eu li é público, disso não tenho dúvidas. Provavelmente os jornais fazem coro com o presidente … omitindo aquilo que se conhece.
            Tal como o caro Salvador, eu também só falo do que é público. E tenho-o como certo porque sei bem que Rosa Mota é uma pessoa de confiança.
            Note, em todo o caso, que não conheço pessoalmente a senhora. Mas tenho-a em muito maior conta e consideração que ao presidente da câmara do Porto.
            Cumprimentos.

  3. Paulo Marques says:

    Acordos com políticos como Moreira e Costa, só assinados em triplicado.

  4. Isolete Calheiros says:

    Obrigada aos comentadores anteriores-está tudo dito.
    Ao autor da publicação queria dizer que acho de muito mau gosto a associação que fez dos dois assuntos que tratou. Rosa Mota sobreviverá a todas as maldades que lhe façam, pois o seu nome já está registado na História do Desporto Nacional e Olímpico e, com a simplicidade da sua grandeza, está no coração de muitos Portugueses.

  5. Paula de Oliveira Pinto says:

    Resumindo, gostamos de fazer super gritaria com mini assuntos!

  6. Victor Nogueira says:

    A mim parece-me metido a martelo neste post o autor juntar a Rosa Mota à Rosa Grilo com Sócrates de permeio. Quanto a mim, entendo que aos vivos não devem ser erguidas estátuas ou serem nome de artérias ou edifícios públicos.

  7. Isabel de Santiago says:

    O dinheiro dos outros sabe melhor que o nosso, quando é para gastar à pala. E como fui vítima de racismo, pro ser uma preta branca e sem carapinha, os amigos da Joacine de saias, todavia de calças, mas desbraguilhados, usando o desnivelamento de educação, invocam paternalismo em forma de mentira, para agredir, o que não é refutável.
    A miséria continua.
    PORTIGALdospequeninosPortugalizáveis

    https://www.publico.pt/2019/10/28/opiniao/opiniao/racismo-mundo-nao-preto-branco-1891075

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