É necessário um novo acordo ortográfico da língua portuguesa

MAÎTRE DE PHILOSOPHIE.- Et l’R, en portant le bout de la langue jusqu’au haut du palais ; de sorte qu’étant frôlée par l’air qui sort avec force, elle lui cède, et revient toujours au même endroit, faisant une manière de tremblement, RRA.

MONSIEUR JOURDAIN.- R, R, RA ; R, R, R, R, R, RA. Cela est vrai. Ah l’habile homme que vous êtes ! et que j’ai perdu de temps ! R, r, r, ra.

MAÎTRE DE PHILOSOPHIE.- Je vous expliquerai à fond toutes ces curiosités.

Molière, Le Bourgeois gentilhomme

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Por muito paradoxal que possa parecer a alguns distraídos, o Acordo Ortográfico de 1990 impede uma límpida leitura brasileira das polémicas portuguesas, logo, deve ser substituído. Ao ler as perspetivas de Daniel Oliveira, um falante/escrevente de português do Brasil fica obviamente escandalizado e profundamente incomodado. Valham-nos os serviços de tradução do Público. De facto. Exactamente.

Efectivamente, a necessidade de um novo instrumento ortográfico para a língua portuguesa justifica-se também por outro motivo: hoje em dia, um falante/escrevente de português europeu fica naturalmente perturbado quer perante os contatos de hoje, no sítio do costume,

quer diante disto (*):

É preciso um instrumento ortográfico que substitua o Acordo Ortográfico de 1990. Como dizia há uns tempos Michel Onfray, nada fazer quando tudo desaba é efectivamente (effectivement) contribuir para a decadência. Para evitar o desabamento e a decadência, a solução é simples: regresse-se a 1945 (pdf).

Desejo-vos uma óptima semana.

(*) Os meus agradecimentos a Manuel Monteiro.

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Comments

  1. Luís Lavoura says:

    O autor do post pede um Novo Acordo Ortográfico, mas tenho a impressão de que o que ele gostaria seria de voltar à ortografia antiga.
    O autor do post pede também “uma límpida leitura brasileira das polémicas portuguesas”, mas sabe que isso nunca será possível: as pronúncias das duas línguas (brasileira e portuguesa) divergiram demasiadamente, são hoje demasiadamente diferentes, pelo que não é realista almejarem uma ortografia comum.

    • Paulo Marques says:

      Qualquer coisa é melhor que um “acordo” que não serve a ninguém.

      • Luís Lavoura says:

        O acordo serve, sim. Serve para deitar fora uma data de consoantes que não se lêem. Só isso, já teria utilidade.

        • Luís Lavoura says:

          Recordo que em 1973 foi feita uma pequena alteração ortográfica, em que foram eliminados os acentos graves em palavras como “sòmente” ou “sòzinho”. Em suma, foram eliminadas coisas que não serviam para nada.

          No “acordo” ortográfico, fez-se a mesma coisa: eliminar-se coisas que não servem para nada.

        • Paulo Marques says:

          Fez pouco então. Porque não livrarmonos dos acentos? Ninguém os lê. E então o “H” de haver e história? Coisa inútil que só serve para desgastar o teclado. Porque não a vírgula e as maiúsculas também? É só entulho. Entulho? Porque não ntulho? Ninguém precisa do “e”.
          Ou isso ou as letras, fora para aí o finlandês, não funcionam assim.

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