O regresso de Esopo

 

Em Julho de 2017 houve um rapaz que citou aqui Esopo da seguinte maneira:

“Os mentirosos conseguem apenas uma coisa: é a de ninguém acreditar neles quando disserem a verdade.”

O moço  pretendeu chamar-me mentiroso por eu aqui ter escrito, citando um ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, que os empreendimentos que estão a nascer na zona do Cabedelo, junto ao antigo recinto do Marés Vivas, tiveram a aprovação da actual Câmara.

Escreveu, ainda, na altura, bem instruído, o moço de Esopo:

(1) Adenda com os factos:
– o licenciamento em questão foi aprovado a 31 de julho de 2007.
– o PDM em vigor havia sido aprovado em 1994, 10 de março.
– Estudo de Plano para o local, aprovado em 22 de abril de 2004.
– o novo PDM, aprovado posteriormente ao licenciamento do Cabedelo, foi aprovado em 2009, 12 de Agosto.
– o Presidente Eduardo Vítor Rodrigues não teve qualquer intervenção, participação ou votação, simplesmente porque não era eleito nos órgãos que deliberaram.

E foi-se embora. O seu “post” teve até direito a “outdoor” no local, como se pode ver acima.

Há dias, soube-se que a APDL emitiu dois pareceres desfavoráveis sobre esses empreendimentos com base em alterações aos projectos realizadas em 2013 e 2014, ou seja, já com o actual executivo municipal em funções. Diz assim, a notícia:

Em resposta escrita remetida à agência Lusa, a APDL refere que “a operação urbanística, submetida a parecer em 2007, não ocupava a margem, ou seja, o DPH [Domínio Público Hídrico], libertando-a de qualquer uso ou construção privada, pelo que mereceu parecer favorável. Caso diferente, nos projetos posteriores [2013 e 2014] a operação urbanística já implicava ocupação do DPH, o que implicou levantar a questão da titularidade dos terrenos, dando assim origem aos pareceres desfavoráveis pela falta de reconhecimento de propriedade privada”.

O outdoor do Esopo, entretanto, desapareceu.