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Problemas domésticos



Todos saberão que Trump está a meio de um processo de destituição. Nada de novo. Há provas claras do que ele fez, mas que pouco efeito terão num Senado controlado pelo seu partido, mais preocupado em manter o poder do que com esses antiquados conceitos a que chamavam de lei e decência.

O lado preocupante dos problemas domésticos dos presidentes americanos é que estes tendem a alastrarem-se a outras nações por via da guerra levada a cabo fora de casa. Foi o que agora se passou com o ataque ordenado por Trump ao Irão. E o mesmo se passou com anteriores presidentes, tais como Bush e a invenção das armas químicas no Iraque ou o ataque de Clinton ao Iraque, também, aquando da sua destituição.

Mesmo face a este padrão de ataques para desviar a atenção, Trump consegue ser pior, devido ao lado errático e, sobretudo, narcísico das suas decisões.

Como exemplo, soube-se agora um episódio, de finais de 2017, sobre o conflito com a Coreia do Norte. Trump tentou evacuar todos os civis dos EUA da Coreia do Sul, apesar dos avisos do Pentágono de que tal movimento poderia desencadear uma guerra com o Norte, de acordo com um novo livro.

As alegações são feitas pelo autor e especialista em segurança americana Peter Bergen em “Trump e os seus generais: O Custo do Caos”, que foi publicado no mês passado.

Independentemente disso, o presidente teria ordenado: “Façam-no!” Bergen escreveu que os funcionários do Pentágono ignoraram a ordem e que Trump acabou por desistir dessa ideia.

Sobre o Irão, ao contrário do que Obama conseguiu com o acordo histórico sobre o programa nuclear iraniano, acordo esse desfeito pelo actual presidente logo que tomou posse, Trump age como um pavão que faz ameaças sobre as retaliações que irá fazer caso o Irão opte por retaliar.

Os chineses e os russos devem estar a bater palmas às sucessivas cambalhotas que o rival dá no palco internacional onde eles querem tomar a dianteira.

Haverá um tempo em que o poder económico e moral dos EUA será cinzas do que outrora fora. A esta potência apenas restará a força das bombas. Trump tem antecipado, e muito, a sua chegada.

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