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Joe Biden




Salvo algum imponderável, Joe Biden terá garantido ontem a nomeação pelo partido Democrata à candidatura a presidente dos Estados Unidos da América. O antigo vice-presidente de Barack Obama obteve três vitórias esmagadoras nos estados da Florida, Illinois e Arizona sobre o opositor Bernie Sanders e só não foram quatro porque o governador republicano do Ohio adiou à última hora as primárias para Junho, decisão bastante controversa que agradou aos apoiantes do senador do Vermont, tendo a sua porta-voz elogiado a decisão.

É preciso perceber que os americanos votaram durante a segunda guerra mundial e até durante a guerra civil. Por muito que alguns defendam o adiamento, face à gravidade da situação mundial, tal não se afigura fácil, pois seria necessário um acordo muito alargado do congresso e senado, casa branca e supremo. O que é altamente improvável que possa vir a acontecer.
Alguns dirão que a evidente derrota de Bernie Sanders se deveu à união do partido contra ele. Nada mais falso, existiu sim uma tentativa de aproveitar a divisão de votos para virar o partido à esquerda, contra a vontade dos eleitores do partido. Como se vê semana após semana, desde que a disputa passou a ser mano a mano, Joe Biden tem vencido. E conseguiu nesta altura uma vantagem superior a 300 delegados, praticamente irrecuperável, nunca um candidato recuperou de desvantagem desta magnitude. A orientação política defendida por Bernie Sanders terá despertado entusiasmo a um significativo número de pessoas, não há como negar tal evidência, mas não mais que um terço dos eleitores registados no partido Democrata, número insuficiente para garantir a nomeação, que se dilui quando pensamos no universo que compõe a sociedade americana. Por isso Donald Trump sempre considerou Joe Biden o rival mais perigoso e procurou influenciar o campo rival para que este optasse por Sanders, que seria teoricamente mais fácil de vencer.
Ontem no discurso de vitória a partir de casa, Joe Biden já estendeu a mão ao rival, numa tentativa de unir os eleitores do partido, olhando já para a disputa frente a Donald Trump.
Será interessante perceber quem será a mulher escolhida para candidata a vice-presidente, algo que só deverá acontecer perto da convenção.

Apesar de não ser americano, não costumo ficar indiferente às eleições. Normalmente simpatizo com o partido libertário e sou mais próximo dos candidatos republicanos. O que não me impediu de apoiar Barack Obama em 2008, desde as primárias. Desta vez estarei a torcer por Joe Biden. Pode não ser um político entusiasmante, mas poderá fazer regressar a decência à política. O que não é pouco importante.