A farsa evangélica, vírus altamente contagioso que corrói o Brasil há décadas, como outros fanatismos religiosos, operados por vigaristas que fazem da fé e da ignorância dos mais vulneráveis um negócio canalha e altamente rentável, continua sem vacina. Os milionários do dízimo continuam a vender água milagrosa do Rio Jordão, políticos de todas as cores continuam a oferecer-lhes a cabeça da laicidade numa bandeja, enquanto abanam o rabo, e o assalto prossegue, triunfante.
A mais recente encenação viral, duplamente viral, contou com a participação de Jaír Bolsonaro, para quem a farsa e a vigarice não têm segredos. A determinada altura, o charlatão que conduz a farsa declara que, a partir daquele momento, não morrerá mais ninguém de Covid-19 no Brasil. Os figurantes, habituados à encenação da extorsão, respondem “Em nome de Jesus!”. Terminada a vigarice, o pastor larápio afirma que desde 17 de Março não dá a mão a ninguém, para de seguida dar um valente passou-bem e um forte abraço ao presidente, que o gatuno revela ter sido escolhido por Deus. Vigaristas of a feather, vigarete together.