Existe, em Portugal, uma direita “alternativa” e intelectualmente desonesta, que gosta de pregar aos seus crentes fanáticos que o nazismo é uma ideologia de esquerda e que Hitler foi um ditador de esquerda. O que essa direita é incapaz de explicar é o porque de ser nas agremiações e manifestações de extrema-direita, ou nos partidos que a albergam, de forma oficial (Chega) ou envergonhada (CDS-PP, através da tendência TEM), que surgem as ideias discriminatórias e persecutórias, o racismo, a xenofobia e as bandeiras nazis. Ou porque é que a malta da extrema-direita tatua suásticas no braço e no focinho. Ou porque é que extrema-direita cita e plagia discursos de altos oficiais do nazismo, como aconteceu com aquele ministro de Bolsonaro.
A resposta, a meu ver, é simples: porque a alt-right, que, em Portugal, pode ser encontrada por todo o espectro que vai da bandidagem neonazi aos ultraconversadores infiltrados no PSD, (mal) disfarçados de democratas, sabe que fala para um público-alvo tendencialmente ignorante, fanático e manipulável, sedento de sangue. Pena estarem reféns do politicamente correcto, e não os terem no sítio para assumir o que realmente são, mascarando-se, não raras vezes, de moderados. Está na hora dessa direita sair do armário e do conforto que partidos como o PSD e o CDS lhes proporcionam, em particular o privilégio do poder, a corrupção e o tráfico de influências. Que se deixe de artifícios e discursos moralistas, e que assuma, de uma vez por todas, que pretende um estado autoritário e castrador das liberdades, excepto no que à liberdade da elite explorar economicamente a maioria diz respeito. Grow a pair, little Trumps and Bolsonazis!