Já era conhecido o papel determinante de Ricardo Salgado e de outros aristocratas da família, nas duas eleições ganhas por Cavaco Silva para a presidência da República, na qualidade de principais patrocinadores das campanhas eleitorais do político mais político da história da política portuguesa. Já é longa, a relação que une Cavaco e Salgado.
Hoje ficamos a saber que esse financiamento, pelo menos no que à eleição de 2011 diz respeito, terá sido canalizado através da ES Enterprises, também conhecido como saco azul do GES, sediado nas paradisíacas e fiscalmente evasivas Ilhas Virgens Britânicas. Compreendem-se agora um pouco melhor as declarações de Cavaco, na antecâmara da queda do império Espírito Santo, quando assegurava que os portugueses podiam confiar no BES. Cavaco não tinha razão de queixa.
Na verdade, a história já era conhecida desde 2019, quando, em Julho, a revista Sábado noticiou o esquema, que consistiu em doações de vários administradores do universo GES, sempre a rondar o limite máximo permitido por lei, posteriormente ressarcidas pelo saco azul, num total de 253 mil euros. Porém, num país em que a imprensa é controlada pela esquerda, a notícia não foi alvo das habituais longas análises televisivas, acabando por cair no esquecimento.
Cavaco Silva deve uma explicação ao país. Sem bolo-rei na boca.