É preciso defender a Democracia

Os acólitos das «teorias da conspiração», os «anti-vacinas» e os «fake newers» já se preparam para criticar os nossos incansáveis governantes e os seus especialistas científicos que estudaram vários anos nas universidades superiores, quase todos pessoas que vão à televisão, a propósito de questões de lana-caprina relacionadas com a vacina para a Covid-19.

Já não bastava o nosso governo ter gasto 200 milhões do seu dinheiro, tão precioso, na vacina, e que tanta falta faz para outras coisas, como fabricar hidrogénio ou meter no Novo Banco, que passa grandes necessidades. Agora, a propósito de um alegado «disclaimer» da Pfizer – uma excelente empresa cujo negócio é melhorar a vida e a saúde das pessoas -, no qual alegadamente se afirma que não se faz a mínima ideia das consequências que esta vacina pode trazer para a saúde – imagine-se! – , andam os «teóricos da conspiração» e das fake news a lançar suspeitas sobre a pandemia e sobre a honestidade de quem a combate com estoicismo e denodo em conferências de imprensa diárias desde Março, onde tudo é explicado até ao mais pequeno detalhe, mesmo em linguagem gestual, sem esconder nada e em nome da verdade, da transparência, da democracia e do Estado de Direito Democrático. Só falta fazer um desenho do modo como a vacina actua na cadeia de ADN. Francamente. Há coisas que são demais. Os nossos governantes até já vieram dizer que nos vão dar o Natal – o que só demonstra a amizade verdadeira que têm ao povo e às nossas crianças que aguardaram um ano inteiro pelas prendas. Até o Natal nos dão (!), e a forma como lhes agradecemos é com essas teorias da conspiração e fake news onde só falta dizer que inventaram esta pandemia apenas para instaurar definitivamente o fascismo e depois culpar os chineses. É demais. Isto não vai lá só com Estado de Emergência. É preciso mudar a Constituição para definitivamente ilegalizar quem de modo ostensivo e inaceitável exprime opiniões inaceitáveis e ostensivas. É preciso respeito! É preciso fazer fichas desta gente, vigiar os ip’s que usam, meter-lhes Cavalos de Tróia nos computadores, ler-lhes os discos duros, escutar-lhes o telemóvel, conhecer-lhes os disfarces digitais e denunciá-los, vasculhar os arquivos da internet para os entregar à polícia, saber quanto calçam e se põem açúcar no café, entupindo o SNS com consultas da diabetes. É preciso defender a Democracia!

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Como diz o Quadros, com os efeitos secundários da ganza e da branca feita sabe-se lá por quem não se preocupam eles.


  2. Num ambiente imperial onde prevalece o pensamento único, todo o pensamento discordante é taxado de teoria da conspiração e os seus defensores excomungados como traidores à pátria

    • Paulo Marques says:

      Têm provas ou indícios? Não, só de não saberem como nada funciona e aceitarem a primeira explicação que lhes pareça certa porque a sentem no coração, de forma a que se fossem discutir a realidade concordavam em muito pouco e lá morriam os movimentos.


  3. Infortúnios da virtude que teve a Direita em emigrar em massa.
    Ou emigrou, ou está confiada na sua zona de conforto…

    Aonde é que eu já ouvi isto?

  4. Júlio Rolo Santos says:

    Não temos que nos preocupar com os que renegam a utilidade das vacinas e se recusam a toma-las. A sua toma não é obrigatória e, estes, vão ficar voluntariamente sujeitos a serem infetados entre eles e, eventualmente, irem para os anjinhos. A estes, uma boa viagem.

    • Paulo Marques says:

      Assumindo que não há mutações, há muitos que não a podem tomar por terem sistemas fragilizados e dependem da imunidade de grupo.

  5. Filipe Bastos says:

    Nisto da vacina há de tudo:
    — os apavorados que se vão logo vacinar;
    — os desconfiados que nunca se vão vacinar;
    — os reticentes que vão esperar pelos primeiros;
    — os indiferentes que vão quando calhar ou os mandarem.

    O pessoal aqui do Aventar deve ser dos primeiros. A maioria do país há-de andar entre os últimos. O que os anima e alivia não é tanto a imunidade ao covid; é o fim da histeria anti-covid.

    Segundo os (duvidosos) números oficiais, cerca de 5000 mortes em 9 meses. Para os familiares, uma tragédia. Para dez milhões, uma mera gripe má. Quantos morreriam no mesmo período, sem covid, de gripe ou das maleitas que já tinham?

    E quantos morreram e quantos vão ainda morrer desnecessária ou prematuramente devido às medidas anti-covid? Quantos velhotes e doentes morreram sozinhos, impedidos de ver a família?

    Suspeito que são contas que não interessam aos convertidos, como o Júlio Santos aqui acima. Muito menos ao governo.

    • Paulo Marques says:

      Estimando o CFR como quiser, não fazer nada era uma tragédia para todos, ignorando outros danos permanentes.
      Não se morre das medidas, morre-se de se limitar as medidas pela teoria do limite de dinheiro; afinal de contas, não há correlação entre quem nada fez e as suas “contas certas”.

  6. Júlio Rolo Santos says:

    Sr. Filipe Bastos.
    A ciência serve para alguma coisa, quanto mais não seja, para fazer acreditar num mundo melhor no que concerne às pandemias, cada mais em maior número e gravidade. As vacinas que vão chegar brevemente são o resultado da ciência que todos os dias se esforçam para melhorarem a nossa qualidade de vida. Se não lhes louvarmos esse esforço não merecemos ser recompensados por isso. Obviamente nem tudo o que vem da ciência é bom mas quem passa pelo sofrimento de uma pandemia, totalmente desconhecida, não tem outro remédio senão acreditar. Só os céticos (ou pseudo céticos) é que se fazem não crentes, até que o azar lhes bata á porta. Se não acredita na ciência, dê o benefício da dúvida a quem acredita.

  7. Elvimonte says:

    Nota prévia: as vacinas foram uma das descobertas mais importantes da Humanidade em termos de saúde pública e, em abstracto, nada me move contra elas.

    Dito isto, veja-se como é calculada a eficiência de uma vacina, de acordo com página do CDC americano intitulada “Principles of Epidemiology – Lesson 3” (link: o “asco mete” não permite).

    «Vaccine efficacy/effectiveness (VE) is measured by calculating the risk of disease among vaccinated and unvaccinated persons and determining the percentage reduction in risk of disease among vaccinated persons relative to unvaccinated persons. The greater the percentage reduction of illness in the vaccinated group, the greater the vaccine efficacy/effectiveness. The basic formula is written as:

    (Risk among unvaccinated group − risk among vaccinated group)/ (Risk among unvaccinated group)»

    Se, quando se afirma que a eficiência de uma vacina é de 95%, alguém esperava, eu incluído, que 95 pessoas vacinadas em 100 não contraissem a doença, desenganem-se: isso não é verdade, como pode constatar-se da expressão da eficiência acima, que traduz um mero quociente de probabilidades.

    Excerto de comunicado de imprensa da Pfizer:

    «NEW YORK & MAINZ, Germany–(BUSINESS WIRE)– Pfizer Inc. (NYSE: PFE) and BioNTech SE (Nasdaq: BNTX) (…) Analysis of the data indicates a vaccine efficacy rate of 95% (p<0.0001) in participants without prior SARS-CoV-2 infection (first primary objective) and also in participants with and without prior SARS-CoV-2 infection (second primary objective), in each case measured from 7 days after the second dose. The first primary objective analysis is based on 170 cases of COVID-19, as specified in the study protocol, of which 162 cases of COVID-19 were observed in the placebo group versus 8 cases in the BNT162b2 group. (…) The Phase 3 clinical trial of BNT162b2 began on July 27 and has enrolled 43,661 participants to date, 41,135 of whom have received a second dose of the vaccine candidate as of November 13, 2020.»

    Podia citar ainda comunicados de imprensa de outros potenciais fabricantes de vacinas, com afirmações similares, mas olhe-se para o essencial: em 41135 participantes vacinados ocorreram 8 “casos” de infecção, contra 162 “casos” de infecção em número idêntico de participantes não vacinados.

    Ora qual é a probabilidade de alguém não vacinado contrair a doença, sabendo-se que em 41135 pessoas 162 a contrairam? Resposta: cerca de 0,39%.

    E, desses 0,39%, qual é a taxa de mortalidade? O artigo científico “Infection fatality rate of COVID-19 inferred from seroprevalence data”, publicado no Bulletin of the World Health Organization, dá a resposta:

    «Across 51 locations, the median COVID-19 infection fatality rate was 0.27% (corrected 0.23%) (…). In people <70 years, infection fatality rates ranged from 0.00% to 0.31% with crude and corrected medians of 0.05%.»

    Chegados aqui, convém questionar porque razão as vacinas contra o SARS-Cov-1 e o MERS nunca foram aprovadas. O artigo científico “Informed consent disclosure to vaccine trial subjects of risk of COVID‐19 vaccines worsening clinical disease”, publicado no The International Journal of Clinical Practice, fornece algumas respostas:

    «Vaccine‐elicited enhancement of disease was previously observed in human subjects with vaccines for respiratory syncytial virus (RSV), dengue virus and measles [1]. Vaccine‐elicited enhancement of disease was also observed with the SARS and MERS viruses and with feline coronavirus, which are closely related to SARS‐CoV‐2, the causative pathogen of COVID‐19 disease.
    (…)
    It is also similar to the clinical course of COVID‐19 patients, in whom severe COVID‐19 disease is associated with the development of anti‐SARS‐CoV‐2 serum antibodies [9], with titres correlating directly with the severity of disease [10]. Conversely, subjects who recover quickly may have low or no anti‐SARS‐CoV‐2 serum antibodies [11].»

    Será por isso que o MHRA do RU publicou o aviso Supplies – 506291-2020 -TED?

    «The MHRA urgently seeks an Artificial Intelligence (AI) software tool to process the expected high volume of Covid-19 vaccine Adverse Drug Reaction (ADRs) (…).
    (…)
    Events unforeseeable — the Covid-19 crisis is novel and developments in the search of a Covid-19 vaccine have not followed any predictable pattern so far.»

    • Paulo Marques says:

      Portanto, o Elvimonte queixa-se de que a ciência se faz por estatísticas e prefere um método que é avaliado pelo resultado em amostras já recolhidas (e, portanto, normalmente problemáticas) e não pela matemática.
      Certo.
      Já agora, sei que não gosta, mas isso são 20000 mortes se, e só se, houvesse capacidade hospital infinita e poder subir escadas não fosse um problema para muitos outros; não fazer nada, para já, está a correr mal depois de festejarem as graças.

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