O dia em que o treinador do Benfica agrediu um polícia com duas bofetadas

 

 

 

 

O dia em que o treinador do Benfica agrediu um polícia com duas bofetadas foi o mesmo dia em que um adepto do Benfica matou outro do Sporting, primeiro com um very-light (sucessivamente simulado nos últimos anos) e depois passando-lhe por cima com o automóvel. Um dia de violência incessante, consecutiva e impune dos No Name Boys, a principal claque do Benfica. Quer dizer, o principal grupo de adeptos não organizados. Peço desculpa. Nunca sube.
Foi o mesmo dia em que um adepto do Benfica partiu a cara ao jornalista Rui Santos no parque de estacionamento da SIC. Foi o mesmo dia em que um adepto do Benfica partiu os dentes ao árbitro Pedro Proença. Foi o mesmo dia em que Luís Filipe Vieira torceu o pescoço a um sócio em plena Assembleia Geral, seguindo o exemplo de um outro sócio que agarrara o pescoço de um árbitro em pleno jogo no Estádio da Luz.
Foi o mesmo dia em que um autocarro de adeptos do FC Porto foi incendiado junto ao Estádio da Luz durante um jogo de hóquei. Um jogo, esse ou outro, no qual o próprio autocarro do FC Porto foi alvo de uma emboscada e os jogadores agredidos com tacos de baseball e outros.
O mesmo dia em que o autocarro do Benfica foi atingido por pedradas dos próprios adeptos.

Nesse mesmo dia, do outro lado da segunda circular, numa final no Jamor manchada pela vergonha, choviam pedras verdes sobre o FC Porto vencedor da Taça. No mesmo dia, mas no varandim de Alvalade, choviam mais pedras verdes sobre o médico do FC Porto que tentava socorrer sem êxito dois adeptos sportinguistas que tinham caído lá de cima.
Ainda nesse dia, já depois de 100 casuals do Sporting terem espalhado o terror no Dragão. enquanto se desenrolava o ataque a Alcochete (depois de Alcochete, só hoje as virgens ofendidas vieram de novo a terreiro), Ruben Amorim ameaçou partir a boca toda a um árbitro. «”És um caralho, filho da puta, o meu 9 sofreu falta e tu nem uma apitaste”, pode ler-se no acórdão da decisão divulgada esta sexta-feira. Segundo o mesmo documento, foi expulso pelo árbitro e encostou a cabeça ao mesmo dizendo que “o partia todo”, tendo sido agarrado por elementos da sua equipa. No entanto, ofereceu resistência e voltou a fazer ameaças. “Filho da puta, tás fodido, parto-te a boca toda, filho da puta”, pode ler-se. Mas o caso não fica por aqui. Quando Hugo Silva se dirigia para o balneário, foi interceptado por Rúben Amorim que estava à sua espera e ainda deixou mais ‘recados’. “Eu cheguei lá acima, tu não vais passar daqui porque vou acabar com a tua carreira”, terá dito.»
Foi nesse mesmo dia que, após um Sporting – Nacional da Madeira, o talho do árbitro Manuel Mota foi vandalizado com as expressões «Mota lampião, não prejudiques o leão».

O dia em que o treinador do Benfica agrediu um polícia com duas bofetadas não mereceu do jornal a bola mais do que uma pequena caixa – muito longe do faroeste que se apregoa hoje. A morte de um adepto atropelado? Foram apenas meia dúzia de linhas discretas,  Mas Alcochete foi uma página inteira – Alcochete foi mais importante do que a morte de um ser humano? As agressões de Vieira? Uma pequena caixa, Um autocarro do FC Porto incendiado? Zero! Um autocarro do Benfica apedrejado pelos próprios adeptos? Aí já não houve faroeste nem o regresso ao século passado.

As virgens ofendidas de Alcochete voltaram hoje à liça para verberar o cobarde ataque ao jornalista da TVI. Até o hipócrita Rui Rio. O mesmo que à segunda-feira é contra as misturas entre a política e o futebol, à terça-feira convida António Oliveira para candidato autárquico, à quarta-feira ataca a impunidade do futebol, à quinta-feira é boavisteiro e à sexta está feliz e contente porque está a ver o Benfica a ganhar.

Nada disto serve para defender o FC Porto, um clube que publicamente não se demarcou com uma palavra que fosse do selvático comportamento de Pedro Pinho, o eterno sócio de Alexandre Pinto da Costa e já bem conhecido por outros actos de violência. Nem sequer serve para defender Pinto da Costa, que está a mais no FC Porto há muitos anos. Como portista, queria tanto vê-lo bem longe do clube!
A ele e ao arruaceiro do treinador – mesmo que às vezes diga umas verdades, defendia melhor o clube se pusesse a equipa a jogar minimamente bem.
Com Pinto da Costa, podia ir também toda a corja de quem ele sempre gostou de se rodear – desde os familiares e administradores sanguessugas aos Super Dragões, que mais não são do que uma Guarda Pretoriana responsável por muitos episódios negros na vida recente do clube. Passando pelo Pedro Marques Lopes – que o FC Porto, eterno clube fundado em 1906 por muito que lhe queiram mudar a data da fundação, passa bem sem ele. Sem ele e sem outros tantos que por aí pululam, quais abutres à espera da sua vez de abocanhar o que restar no fim. Se restar alguma coisa depois de Pinto da Costa.
E nada disto serve para defender o FC Porto porque sei muito bem que o meu clube também tem muitos telhados de vidro.
Mas disso tudo cá está a sociedade portuguesa em peso para nos relembrar. Desde um insgnificante ministro (o mesmo que disse que o Benfica não é um clube igual aos outros e por isso não pode ser castigado), passando por um reles secretário de Estado e terminando no esgoto do Jornalismo que é hoje o jornal a bola. O mesmo que é dirigido por uma estrumeira que não hesita em chorar em directo porque o FC Porto eliminou a Juventus.
Por isso, por serem tão díspares os critérios (algo de que o Sporting também foi vítima no tempo de Bruno de Carvalho), é que me pareceu importante uma voz dissonante em defesa do meu clube.
Já que quem de direito e ganha milhões para isso não o faz, faço-o eu.

Comments

  1. CARLOS ALMEIDA says:

    Estimo as melhoras

  2. Nuno Fernandes says:

    Grande javardo me saiste. Gsnha juizo tolinho.

  3. Paulo Marques says:

    É curioso que um país alegadamente tão preocupado com a corrupção seja manietado pelos mitos da catedral, Amorim incluído. Mesmo que, como diz o Ricardo, também os adeptos do FCP sejam manietados pela direcção e quem os acompanha, incluindo quem janta com embaixadores com mão traiçoeira.
    Como está registado, há paixões boas, e paixões, num desporto que não é dos adeptos, e também já não é desporto. Já não há arquivos de Pôncio Monteiro, mas há outros, não vale a pena branquear o artista da semana (https://reflexaoportista.blogspot.com/search/label/Hugo%20Miguel) num campeonato há muito decido, onde a única dúvida é se o Rubenzito faz melhor do que o grande Vitória em coisas com regras a cumprir.
    Uma coisa é certa, dia 23 é dia de pagamento, a bem ou a mal.

  4. Filipe Bastos says:

    Pois não vos irei maçar com o meu tranquilo distanciamento e irónico olhar reprovador, do alto da espantosa capacidade de me estar a defecar para o futebol, este circo triste, rebanho com pastores mafiosos, ‘paixão’ de adultos retidos na adolescência.

    Não vale a pena. Basta ler de relance a lista de vergonhas do post, aliás um breve resumo da ininterrupta vergonha que é a bola todos os anos, todas as semanas, para verificar que está a cumprir o seu papel: distrair e descarregar as frustrações da carneirada.

    Pelo clube são capazes de urrar, insultar, bater, apedrejar. Ninguém os pára, ninguém os cala. Até os mais calmos se revoltam contra supostas injustiças, como a recente Super League. Mas contra os pulhíticos e os mamões que os chulam e roubam? Nem um balido.

  5. Rui Naldinho says:

    O futebol é uma choldra.


  6. Que cheiro a lixívia que por aqui vai.
    Comparar actos de marginais valentões (e esquecendo os actos próprios), iguais em todos os clubes, com actos de coação e corrupção de dirigentes… E desde há 40 anos!
    Por mais que esperneiem ninguém vos poderá tirar o ferrete de clube sujo e corrupto.
    Os ingleses (e não só) que o digam.

    • Fernando Manuel Dias de Lemos Rodrigues says:

      Os ingleses?… LOL

      Esses têm cá uma moral. Quais ingleses? Os que foram comprados por árabes, os que comprados por americanos ou os que foram comprados por chineses?

  7. QAnon says:

    Saudades do tempo do guarda Abel…Nesse tempo, fazia-se as coisas de forma asseada!


  8. Fantástico. Conseguiu preencher duas paginas A4 com puro “whataboutism”. Mas o seu post pretende exatamente o que?

  9. Francisco Rosa says:

    Lavandaria a funcionar! Mas será que não há um portista que veja que independentemente das situações que relata de outros clubes nada tem paralelo com o que se passa com o seu estimado clube? È que com os outros clubes as ilegalidades e crimes cometidos são alvo de sanções legais, e muito bem, como não podia deixar de ser.
    A exceção está no Porto onde as autoridades prestam vassalagem ao clube azul e branco e nunca ninguém sabe ou viu o que quer seja.

    Não é à toa que PdC foi arguido 18 vezes e todas elas absolvido.

  10. Paulo Marques says:

    Gosto muito das virgens ofendidas a falar em lavagem do pior crime de sempre do país!!!1!!11, há anos a lavar agressões, ameaças, fuga ao fisco, compra de juízes e polícias, e até mortes. É bonita a lealdade.

    • Filipe Bastos says:

      “…há anos a lavar agressões, ameaças, fuga ao fisco, compra de juízes e polícias, e até mortes. É bonita a lealdade.”

      Está a falar também de si, certo?

      • Nascimento says:

        Claro que está. Até se engana e mete pontos de exclamação com números pelos meio, tal o desnorte.
        Fanatismo? Não… estupidez? Ai, isso é de certeza.Mete bolinha e estes tipos desatam a dar piruetas… são giros. É só rir. Depois? bem, depois acalmam…

      • Filipe Bastos says:

        O “!!!1!!11” deve ser deliberado: usa-se para representar a habitual histeria dos indignados da net, seja qual for o motivo da indignação – a histeria woke, por exemplo.

        No resto é tal como diz, certa malta é toda racional e tal até lhe tocar no clube do coração. Aí começam as piruetas. O carneirismo é mais forte que eles.

      • Paulo Marques says:

        Tal como o Ricardo, nem por isso. Mas nem sequer é comparável com a instituição, nem que fosse, que não é, com o tipo e número.

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