Se ao menos nos beijassem

Foi hoje publicada na comunicação social uma lista de “grandes devedores” da Caixa Geral de Depósitos, o conjunto dos quais terá provocado uma perda para o banco público a rondar os 1.200 milhões de euros. A coisa deve pecar por defeito.

A referida lista reporta a 31 de Dezembro de 2015.

O segundo maior devedor, com uma perda para a CGD, segundo a lista, de quase 140 milhões de euros, é uma empresa chamada Investifino, cuja sede era, a 24 de Julho de 2012, em Lisboa. Acontece que o último acto societário publicado pela empresa, em Setembro desse ano, foi a mudança de sede para uma “suite” em Malta, bem identificável no “Offshore Leaks Database” do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. Nessa “suite” há de tudo, principalmente casinos.

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Calaram o CALE-se

O “CALE-se” era o mais importante Festival de Teatro da cidade de Gaia. Calou-se, mas deixou uma carta aberta:

 

Carta aberta do Cale Estúdio Teatro ao público, a propósito do fim do “CALE-se” Festival Internacional de Teatro

Houve um tempo em que falar de tradição não era apenas falar do passado mas, sobretudo, num contexto mais alargado, um tempo em que se percebiam e aceitavam as tradições como uma “permanência no desenvolvimento e na continuidade”, conforme muito bem defendeu em tempos António Sardinha.
Nesse contexto, o terceiro sábado de Janeiro (o próximo, dia 19) era culturalmente marcado em Vila Nova de Gaia pela abertura do “CALE-se” Festival Internacional de Teatro, facto que este ano não acontecerá, pelos motivos já apresentados no encerramento da edição de 2018, que importa agora recordar ou somente informar.

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Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto…

 

Álvaro de Campos

Crime e Castigo

A condenação em juízo de um cidadão é o resultado da aplicação do Direito à sua conduta e da decisão ponderada, presume-se, de um Tribunal, ao qual caiba o seu julgamento. A mais grave punição a que esse cidadão está sujeito é a privação da Liberdade, suplício através do qual a sociedade pretende que ele expie o seu crime e o resto da comunidade se sinta dissuadida de o replicar.

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Quer ser Primeiro-Ministro? Pergunte-me como.

Não sendo um facto reconfortante, a verdade é que o líder do PSD se constitui, no acto de tomada de posse, como um potencial Primeiro-Ministro de Portugal. É da natureza do nosso sistema político. O que verdadeiramente inquieta nesse sistema político e na actual polémica que envolve o PSD, é que a Luís Montenegro, personagem com ares de vendedor da Herbalife, tenha passado pela cabeça poder chefiar o Governo da República.

O trunfo e o risco de Rio

O maior trunfo de Rui Rio é o seu maior risco: actuar a partir do Porto. Não o quero no governo, mas assinalo e louvo a coragem.

A pedra preciosa

LACINIUS, Pretiosa margarita novella (1546)

O facto de as técnicas de persuasão se exercerem através de instrumentos comunicacionais tecnologicamente evoluídos, como a internet ou a televisão, não significa que não se dirijam a receptores primitivos da psicologia humana. Aliás, o recente episódio telefónico envolvendo um órgão de soberania e uma estrela de televisão demonstra precisamente que a tecnologia comunicacional está a ser usada para influenciar estruturas psicológicas que habitam as profundezas mais áridas do Inconsciente.

Esta aparente contradição, entre a sofisticação dos meios utilizados e o arcaísmo das estruturas psicológicas a que se dirigem, é o sintoma de uma radicalização do esforço persuasivo e manipulador da psicopolítica, que talvez só tenha paralelo nos regimes fascistas.

É aqui que tem cabimento aquela imagem do dedo que aponta o outro enquanto três apontam o próprio. É o limite do espelho, que representa também a fronteira da civilização. Pois que a civilização não é de pedras, mas de ideias antes das pedras. E quando as ideias chegam ao grau de abandono que nos é dado contemplar, o que verdadeiramente olhamos chama-se abismo. E o que nos olha, também.

O discurso do embaixador Ernesto Araújo

O embaixador Ernesto Araújo tomou posse como Ministro de Estado e das Relações Exteriores do Brasil. O seu discurso inaugural é um documento que merece atenção por vários motivos, sendo que alguns desses motivos não são óbvios. Um deles é o facto deste discurso remeter para o berço civilizacional e filosófico do Ocidente, qualquer coisa com vinte e cinco séculos. Ao contrário do que possa parecer, o Brasil não anda propriamente a brincar ao Whatsapp e às Fake News, sendo um erro clamoroso, a avaliar pela amostra, subestimar a qualidade dos escolhidos de Bolsonaro. Por cá não temos nada parecido.

A vitória da tronchuda

Tronchuda

Há dias ouvia um Ancião, bem curtido pelas vicissitudes do tempo, apontar uma única crítica a Oliveira Salazar. A de não ter posto termo à injustiça que existia na relação entre o caseiro e o patrão (o proprietário). O caseiro trabalhava as terras que não eram suas e, do que colhia, entregava a maior parte ao patrão. Era frequente ter que comprar pão para lhe dar. Para si e para a sua família ficava, a maior parte das vezes, a fome e a miséria, num tempo em que se chamava “vitela” às tronchudas (couves).

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Anedota de fim de ano

Não há nada como a boa disposição para ajudar a acabar um ano e a começar outro. Por isso decidi, a título absolutamente excepcional, sem exemplo, contar aqui uma pequena anedota:

Um dos advogados da equipa jurídica que acabou de salvar o Benfica de ir a julgamento no processo “e-toupeira”, é membro do Conselho de Prevenção da Corrupção, uma entidade administrativa independente que funciona junto do Tribunal de Contas e tem como fim desenvolver, nos termos da lei, uma actividade de âmbito nacional no domínio da prevenção da corrupção e infracções conexas (artigo 1º da Lei nº 54/2008).

Bom Ano!

Alexandra Leitão

Alexandra Leitão, Secretária de Estado Adjunta e da Educação, tem, como todos os outros membros do executivo, uma nota biográfica no sítio da internet do XXI Governo Constitucional da República Portuguesa.

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Catalina Pestana (1946-2018)

Em Memória.

Catalina Pestana

Tavares “loves” Tutankamon

O Professor Freitas do Amaral publicou há dias um artigo no qual questiona o facto de Ricardo Salgado ser apontado como o único responsável pelo terramoto financeiro, político e judicial que envolve o Grupo Espírito Santo. Nesse artigo, o Professor Freitas do Amaral não escreve tudo o que pensa, nem tudo o que sabe, o que é normal e avisado. A queda do GES, independentemente dos juízos de valor que cada um possa fazer sobre a personalidade e a actuação do seu líder, é uma história que não foi, nem será contada, uma vez que é inverosímil. Não foi Ricardo Salgado, nem o seu império empresarial que ruiu.

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O lado oculto. A ler.

As “fake news”, tal como entraram muito recentemente nas nossas vidas, trazem no bojo uma ambição de censura não institucionalizada mas muito mais eficaz. A operação “fake news” impõe, de facto, as verdades oficiais do sistema dominante transmitidas precisamente através dos meios que sempre produziram as falsas notícias, os chamados mainstream. Ou seja, a comunicação social de grande consumo não apenas continua a limitar o acesso dos seus frequentadores – seguramente mais de 90 por cento da população mundial – à realidade em que vivem como aponta o dedo inquisitorial aos que lutam por desvendar e divulgar essa mesma realidade, transformados assim em criminosos fazedores de “fake news”.
Por isso, a operação “fake news” não apenas reforça o juízo moral, político e económico, que pretende ser absoluto, como tenta asfixiar a contestação fundamentada desse juízo. A operação “fake news”, no limite, quer inviabilizar os efeitos dos mecanismos através dos quais se divulgam realidades diferentes, factos contraditórios, opiniões contrárias – desacreditando-os, perseguindo-os, caluniando-os.

José Goulão
O Lado Oculto. Antídoto para a propaganda global. Semanário digital de informação internacional.

“Outras questões”

Como é que nunca ninguém se tinha lembrado disto?

Águas de Gaia, 46.125 euros de “rebranding”

A arte do Plágio parece estar muito em voga nas teses de doutoramento, mas é preciso não cometer exageros de análise, sempre subjectiva, e oferecer ao criativo o benefício da dúvida, cujo direito conquistou ao longo de muitos anos de trabalho árduo.

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Mário Centeno está em Portugal

O Ministro das Finanças português foi visto, esta quarta-feira, na Assembleia da República.

Acusações gratuitas de plágio

Do lado esquerdo: Melbourne e Google. Do lado direito: Gaia

O presidente da Câmara de Gaia queixou-se, recentemente, de ter sido injustamente acusado de plagiar a cidade australiana de Melbourne, quando decidiu mandar criar a nova identidade visual, vulgo City Branding, do município de Vila Nova de Gaia. O edil gaiense parece ter toda a razão. Como pode verificar-se pela imagem anexa, a nova identidade visual da cidade de Gaia – todo um mundo, sublinhe-se -, pela qual os munícipes pagaram a Vítor Tito a módica quantia de 46.125,00 euros, tem um aspecto indiscutivelmente original. Mesmo a comparação com a Google se afigura abusiva, uma vez que, embora a marca Gaia utilize exactamente as mesmas cores e os mesmos princípios gráficos, os tons são diferentes e a letra G só é a mesma por coincidência irreprimível da toponímia local. Tito chegou a ser acusado de usar falsos desempregados em cartazes. Uma ofensa, evidentemente.

 

Antero de Quental

Há uma Alma em tudo. Nas pedras, nas plantas, nos animais, nos seres humanos. Há uma Alma no vento e nas estrelas, no mais longínquo ponto de luz deste Universo. De qualquer Universo. Quando o legislador conferiu ao animal (Anima, Alma) um estatuto jurídico superior ao de “coisa”, mais não fez do que iniciar o caminho que leva ao reconhecimento social e normativo da Alma de todas as coisas, da rocha aos anjos e mais além. E mais aquém.

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Autarca de Gaia apresenta denúncia anónima ao Ministério Público

Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, enviou ao Ministério Público uma denúncia “anónima”, a qual assinou sem se identificar como presidente da Câmara de Gaia. Nessa denúncia, sou acusado de ter pedido 300 euros a um tal de Joaquim Lopes, de Canelas, para tratar de um problema de humidade.

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A luxúria do menino Adolfo

Diz o menino Adolfo que o Estado é que depende da iniciativa privada para existir e não, como sugere toda a evidência epistemológica desde Tales de Mileto ou, até, sem transigir, a clareza dialéctica dos comentários de Confúcio ao I Ching, sem relevar, ainda, por parcimónia maiêutica, os milhares de milhões de euros roubados aos cidadãos portugueses, ou seja, ao Estado, por insignes instituições bancárias privadas operando “no mercado” de predilecção do menino Adolfo sob siglas esotéricas tais como BPN, BES, BANIF, BPP. Entre outros.

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A ministra da Saúde fez bem e deu o exemplo

A senhora Ministra da Saúde teve um lapso de linguagem durante uma entrevista, proferindo declarações que não reflectiam aquilo que verdadeiramente pensava e queria dizer. Numa atitude louvável de humildade, a qual só pode assumir alguém com dimensão para ocupar cargos públicos de alta responsabilidade, veio pedir desculpas, publicamente, a quem se tinha sentido atingido pelas suas declarações. É assim que se faz. É isto que se espera de uma governante com dimensão cívica, ética e política.

A senhora ministra não foi a tempo, contudo, de evitar o ataque imediato e feroz do Secretariado Nacional do PS, o partido do próprio governo a que pertence. Eduardo Vítor Rodrigues, acabado de ser condenado pelo tribunal de Gaia, mantém a língua afiada e os seus alvos bem escolhidos.

Plasma, o quarto Estado

Diz a comunicação social que os CDOS (Centros Distritais de Operações de Socorro) do Porto, Braga e Vila Real não atenderam as chamadas de alerta sobre o desaparecimento do helicóptero do INEM que se despenhou em Valongo. Parece que a primeira chamada foi efectuada às 19h20. Estariam a jantar. Não importa.

O que importa realmente, num Estado que se projecta na pós-modernidade através da convergência acelerada com os padrões europeus de qualidade de vida e salubridade republicana passando da matéria gasosa ao plasma, é que o congresso da JS decorra sem percalços. Afinal, são esse jovens promissores, de curricula enciclopédicos, que amanhã representarão democraticamente o seu povo, abocanhando o que ainda houver, chupando-lhe os ossos, repartindo entre si cadeiras e passwords e colocando em prática governativa a sua sólida formação social-democrata, de princípios e valores de esquerda – não esquecer esta parte -, bem como a sua irreprimível vocação de matilha. Entre as claques de futebol e essa tropa aprendiz da gatunagem, mil vezes os Super Dragões.

Teilhard de Chardin

Por Desconhecido – Archives des jésuites de France, CC BY-SA 3.0

“A menor molécula de carbono é função, em natureza e em posição, do processo sideral total; e o menor protozoário está tão estruturalmente ligado à urdidura da Vida que a sua existência não poderia ser anulada, por hipótese, sem que se desfizesse a rede inteira da Biosfera. A distribuição, a sucessão e a solidariedade dos seres nascem da sua concrescência numa génese comum. O Tempo e o Espaço juntam-se organicamente para tecer, em conjunto, a Base do Universo. Eis onde nos encontramos, eis do que hoje nos apercebemos…”

Teilhard de Chardin

“Em 1926, os Superiores dos Jesuítas ordenam a Teilhard que termine o seu ensino no Instituto Católico. Em 1927, Roma recusa o imprimatur para o livro Le milieu divin. Em 1933, Roma ordena ao Padre Teilhard que recuse toda e qualquer função em Paris. Em 1938, proíbem-lhe a publicação de L’energie humaine. Em Abril de 1941, manda para Roma a sua obra-chave, Les phénomène humain. Em 6 de Agosto de 1944 tem conhecimento de que esta obra foi recusada pela censura. Não virá a aparecer Les phénomènes humains senão depois da sua morte. Em Setembro de 1947 é convidado a deixar de escrever filosofia. Em 1948 é-lhe interdito aceitar a cátedra oferecida pelo Colégio de França. Em Junho de 1950 a censura recusa Le group zoologique humain. Em 1955 proíbem-lhe participar no Congresso Internacional de Paleontologia. A hierarquia não deixa, durante toda a sua vida, de o privar de meios de expressão. Até a sua morte, fora alguns artigos técnicos, a sua obra é apenas conhecida em fragmentos feitos ao duplicador que circulam clandestinamente.
(Garaudy, 200).”

in
Teilhard de Chardin
de Ernest Kahane
Colecção Estudo e Ensaio, Editora Delfos
Tradução de Ricardo Madeira Romão

Afinal, quanto custou o Red Bull Air Race?

Uma notícia do dia 8 de Março de 2017 reproduzia declarações do presidente do Turismo Porto e Norte de Portugal (TPNP), Melchior Moreira, recentemente detido por suspeitas de corrupção, segundo as quais a prova Red Bull Air Race, realizada nas cidades do Porto e Vila Nova de Gaia a 2 e 3 de Setembro desse mesmo ano, iria ter um custo de 6 milhões de euros. Segundo Melchior Moreira afirmou na altura, “metade do investimento fica a cargo da Red Bull Internacional e os restantes 50% [3 milhões de euros] serão “comparticipados pelas câmaras do Porto e Gaia e do Turismo do Porto e Norte”, com o apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e do Turismo de Portugal (TP), no âmbito de uma candidatura a fundos comunitários.”

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Letter é le néante

Membros do Ministério Público da República Portuguesa anunciaram hoje em conferência de imprensa uma Greve.

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Sánchez Pança

A Turismo Porto e Norte e a Maçonaria

O grão mestre da Grande Loja Legal de Portugal é candidato, segundo as notícias, à presidência da Turismo Porto e Norte de Portugal, essa escola de virtudes.

Não devia.

Os maçons devem, nesta altura, afastar-se dos cargos de poder público, ou, então, afastar-se da Maçonaria.

Uma nota ao Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, que veio dar prova de vida aos jornais: quem fala não sabe. Quem sabe não fala. Se quer falar, ao menos chegue à Pedra.

Marta Soares

O senhor Marta Soares já foi uma excelente pessoa, cheia de predicados cívicos e leoninos, quando se tratava de escorraçar o Dr. Bruno de Carvalho da presidência do Sporting.

Agora é um “irresponsável” que “coloca em causa a segurança dos cidadãos” e até cometeu pecados como presidente de câmara. Só falta chamar-lhe incendiário.

A greve dos Enfermeiros

O senhor Primeiro-Ministro afirmou, hoje, no Parlamento, sobre a greve dos enfermeiros, que o “exercício do direito à greve não pode ter como consequência a morte de pessoas”, aludindo a supostas declarações de um responsável da Ordem dos Enfermeiros.

O senhor Primeiro-Ministro tem toda a razão. Sendo legítimo por princípio, o exercício do direito à greve deixa de o ser quando provoca a morte de pessoas. Tal, aliás, como o exercício do direito à cativação. Quando o governo da República cativa os recursos necessários ao funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, induzindo com tal opção o aumento de mortes ou danos irreversíveis por deficiente ou tardia assistência, incorre numa ilegitimidade não inferior à dos grevistas que critica. É pena que ninguém lhe diga isto na cara.

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