Que merda, João

Esta merda não se faz, João. Um gajo chega aqui e leva com uma notícia destas. A notícia. Esta. O João é um gajo terrível. Com um feitiozinho de mula, teimoso como eu e mais alguns poucos, e acho que foi por isso que nos demos bem. Eu, pelo menos, gostava dele bem antes de conhecê-lo. Lia o Aventar regularmente, comentava furiosamente muitos posts, muitos dele, e ele respondia, normalmente bruto, deliciosamente bruto, com quem dava prazer discordar.

E as vezes que discordámos. Um dia, juntamente com o Nabais, convidou-me para escrever lá. A mim, que escrevia num bloguezinho de segunda liga com umas 50 visitas por dia. Do que ele se foi lembrar. E disse-lhe, clara e abertamente, como disse ao Nabais, que não sabia se era capaz de escrever num dos blogues mais lidos. Um projecto enorme, com uns bastidores de trabalho que vão muito além do que é publicado. O que é que ele me respondeu? Vai-te foder e escreve.

E eu escrevi. E o João farta-se de reclamar, e eu com ele, seu esquerdista ranhoso, com esse braço de aço, incapaz de torcer, com a mania da perseguição estalinista. Portista, ainda por cima. Que merda, João.

Depois saí mas continuei a reclamar com o João e ele comigo. Continuámos a falar, sempre furiosamente, menos pessoalmente. Mas eu acho que é quando escrevemos que somos mais sinceros. E ele e eu somos uns furiosos por natureza. Era a beleza do João. Fodia tudo directamente, insultava como deve ser. Umas vezes subtilmente e as pessoas não percebiam, depois, outras, directamente. “Filho de 50 putas”. É o preço que paga por ser um gajo inteligente.

O João deu-me a Carla, a Noémia, o Dario, o João e soubesse ele o quanto me deu mais.

Eu acho que nunca lhe disse, mas eu adoro o João. E hei-de lê-lo no Aventar sempre que me apetecer rir e pensar e ficar chateado e discordar furiosamente dele. Deve ser por isso que este texto está escrito meio no passado e meio no presente.

Ele há-de estar a rir-se e a insultar-me também nalgum lugar. De uma forma tão pura como fazemos aqui no norte. E não vieste a Leça, pá. Que merda, João.

Não me apetece

Não me apetece isto. Não me apetece mesmo. Da mesma forma que cumprimentei ao entrar, cumprimento ao sair. Não me apetece. Não me apetece a condescendência, que me irrita tanto. Sou a favor do insulto claro e limpo, do confronto de ideias, da luta das palavras e de tudo o resto, mas não me apetece. [Read more…]

O Wando da blogosfera

Renato Teixeira, aka Wando da esquerda blogueira, no seu melhor. Tão relevante como salpicos nas sanitas.

O Álvaro vende bem

Álvaro Cunhal vende bem, dentro e fora da www. Na passagem do centenário do seu nascimento, não faltam artigos que valem cliques que valem publicidade, como não faltam livros sobre livros sobre diz-que-disse Cunhal.

No vídeo acima, Odete Santos é clara e desmonta os mentiras que este livro contém. Não faltam convidados para falar de Cunhal como frio, calculista, sectário. Um monstro, ao que parece, e a quem a ideologia dominante não perdoa o carisma, a simpatia popular de que gozava e a admiração que alguns, mesmo adversários, lhe tinham. Não podem, que os tempos não são fáceis quando o tempo prova que o PCP teve razão antes de tempo, sobre o euro, sobre a UE, sobre as políticas desastrosas de PS, PSD e CDS que levaram o país a um estado de não Estado.

Nos dez minutos do vídeo acima, Odete Santos arrasa autor e imprecisões do livro. Talvez por isso sejam poucos os militantes do PCP convidados para falar nas apresentações dos muitos livros que foram e serão lançados em torno de Cunhal: [Read more…]

Novas da democracia

Discordas da UE? Tens opiniões contrárias às da UE? Queres criticar a UE? Vais preso. Notícias gregas. Gregas, para já.

Revolução de Outubro – 96 anos

Foto de Pascoal Sousa

Foto de Pascoal Sousa

Há 96 anos deu-se a Revolução de Outubro. Com todos os erros e desvios – não há sistemas perfeitos – foi um marco único na história da humanidade. O povo tomou nas suas mãos o seu destino. O “Estado social” europeu foi criado para procurar igualar todas as conquistas dos trabalhadores na URSS. Não conseguiu e está a ser dizimado todos os dias, em todos os países, agora que não equilíbrio de forças sem  socialismo a leste. No entanto, “as derrotas no caminho da libertação são temporárias e comportam sempre lições”. Saibamos retirá-las, estudá-las e o futuro voltará a ser de todos nós, como um dia foi depois da ocupação do Palácio de Inverno czarista. [Read more…]

Ensinar o quê?!

Governo prepara aula de economia para o Tribunal Constitucional. TC devia preparar aula de direito constitucional para o governo.