Apesar de tudo agora podemos começar a pagar as nossas dívidas

Este ano, para além do ano da contestação (ou resignação se acreditarmos no feeling do Sr. Gaspar), pode ser também o primeiro ano em que colectivamente, como país, começamos a pagar as nossas dívidas ao exterior.
De forma muito simplista isso só será possível quando começarmos a vender mais do que compramos e é isso que parece estar a começar a acontecer.

O gráfico abaixo publicado pelo Banco de Portugal mostra-nos já com um saldo 0 ao nível do ano e com uma tendencia aparentemente positiva.

É verdade que o pico costuma ocorrer por esta altura mas se mantivermos o mesmo padrão anual já teremos um resultado global incomparavelmente melhor do que a habitual taxa de cobertura de 80% dos tempos da pre-troika.

Regozijemos portanto.

Ministro italiano a favor das eurobonds

Corrado Passera, ministro do desenvolvimento económico, infraestruturas e transportes é mais um dos apoiantes das eurobonds, pelo menos na sua nova versão “project bonds”.
Numa passagem recente pela LSE, numa palestra intitulada “Austerity and growth: time to shift gear“, Corrado Passera aponta a Itália como mais um país ao lado dos que consideram importante a Europa ter uma emissão comum de obrigações.

“the idea of project bonds and better, stronger use of european investment bank is certailny the right direction [to go]”

Merkel vai aos poucos ficando isolada (nem os seus conterrâneos lhe valem) numa Europa que segundo as palavras deste ministro tem sido gerida de forma insuficiente.

“(..) Europe is beeing managed in a disapointed way in many respects (..) certainly the greek crisis, the sovereign debtcrisis is not being managed has it should (..)”

Decisões Nucleares

Um acontecimento quase histórico que ocorreu nos últimos dias e que passou um pouco despercebido foi o fecho da ultima central nuclear que continuava a produzir energia elétrica no japão.

Isto quer dizer que pela primeira vez nos últimos 40 anos o japão não usa o nuclear no seu mix energético. Este é um resultado direto do evento improvável mas real do terramoto seguido de maremoto que ocorreu o ano passado.

Mas o que eu acho verdadeiramente interessante é perceber que foi possivel substituir em pouco mais de um ano cerca de 20% da produção total de energia para outras formas de produção. Não consegui encontrar indicadores sobre como foi feita essa substituição ou sequer se tiveram que repor toda essa capacidade ou se conseguiram reduzir o consumo mas que esta é uma oportunidade para que outras formas de produção elétrica sejam exploradas lá isso é.

Alguns factoides só como curiosidade:
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Nós não fazemos mas vocês também não

“Funcionários da Câmara do Porto iniciaram hoje, às 8h, os trabalhos para entaipar as entradas da escola, de onde foi retirado diverso material, como portas ou sanitas das casas de banho.

O objectivo é impedir a reocupação das instalações pelos activistas do coletivo Es.Col.A, que agendaram para esta quinta-feira à tarde, às 18h30, uma assembleia geral para decidir o que fazer depois da intervenção da Câmara do Porto.

Desta vez, a intervenção da autarquia foi mais radical e incluiu a colocação de tijolos e a destruição das infra-estruturas essenciais à continuidade do projecto Es.Col.A, avança a Lusa.” via porto 24

Algumas razões porque acho que a CMP tem dois pesos e duas medidas mais em baixo.
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PSD/Porto, aproveitem esta deixa

Esta foto demonstra bem como os/alguns responsáveis da CMP pensam que se reabilita uma cidade.
Primeiro manda-se abaixo (como no Aleixo) e expulsam-se as pessoas (como no Mercado do Bom Sucesso), depois arranja-se uma PPP (como no Palácio de Cristal) para construir de novo.

Podem argumentar o que quiserem mas para mim a fontinha resume-se a isto:
1. O estado central e municipal demitiu-se das suas funções ao deixar uma escola abandonada durante 5 anos.
2. Um conjunto de pessoas resolveu utilizar esse espaço público abandonado para criar um projecto social.
3. A CMP achou que o melhor era tirá-los de lá e deixar tudo outra vez abandonado.

Depois ainda vem com tangas de que querem recuperar a cidade…

Como diz o Pedro Figueiredo “No fundo, temos sido em geral demasiado complacentes e tolerantes para com a CMP. É caso para dizer: CMP Filhos-da-Puta, Rui Rio Fascista / Não perdem por nova okupação! …”

PS: Este é o momento ideal para um certo PSD (vereadores, deputados municipais, …) que não se revê nestas posturas pidescas de Rui Rio se demarcar e começar a mostrar porque razão hão-de ter o voto dos portuenses nas próximas eleições.

Hoje dá na net: Ouro Azul

“Ouro Azul” / “Blue Gold – World Water Wars” é um documentário sobre a água e os negócios que se foram construindo à sua volta nomeadamente a privatização da sua exploração.
Baseado no livro “Blue Gold: The fight to Stop the Corporate Theft of the World’s Water” foca um tema absolutamente atual quando falamos na privatização das Águas de Portugal e que apresenta alguns casos práticos como o dos EUA e alguns países sul americanos.

Uma pausa no Clube Literário do Porto

O Clube Literário do Porto vai suspender a sua atividade a partir de 31 de Março por motivos de reestruturação de todos os serviços da Fundação Dr. Luís Araújo a que pertence.

Desde que abriu em 2007/2008 (penso), o Clube Literário do Porto foi, na minha opinião, um dos locais mais relevantes para todos aqueles que gostam de partilhar ideias e conhecimento, basta olhar para o seu calendário de atividades para o perceber.

Para além disso era uma casa que estava sempre disponível a todos os pedidos de colaboração que recebia, pelo menos eu sempre tive resposta positiva a pedidos para utilizar as instalações do CLP, fosse através da Campo Aberto ou da Associação de Cidadãos do Porto e que me permitiram organizar bem mais para cima de uma dezena de debates.

Também assisti a algumas edições do Cooltiva-te e algumas exposições e o Aventar também andou por lá.

Claro que imagino que manter uma infraestrutura daquelas em funcionamento deva ser caro, mas espero que o consigam porque fazem falta ao Porto.