O truque da venda da TAP

Mário Amorim Lopes fez um post cheio de números e gráficos – números e gráficos dão um ar sério a qualquer post – sobre a TAP. E jurou a pés juntos que se iria flagelar se, com esta privatização, dívida da TAP passasse para o estado.

Está na hora de o fazer e até pode usar a sugestão da imagem.

Victor Baptista, economia e ex-deputado do PS, é assim que ele assina, fez uma coisa que qualquer um pode fazer quanto a números, qualquer um é um exagero porque aquilo é intragável, e olhou para o último Relatório e Contas da TAP, o de 2014.

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De olhos bem tapados

11 Jun 2015, São Paulo, Brazil --- A TAP plane departs Guarulhos international airport in Sao Paulo, Brazil, June 11, 2015. A consortium led by American-Brazilian investor David Neeleman will take control of indebted Portuguese state airline TAP, ending a drawn-out sales process that has faced strong opposition from many unions. REUTERS/Paulo Whitaker --- Image by © PAULO WHITAKER/Reuters/Corbis

© PAULO WHITAKER/Reuters/Corbis (http://bit.ly/1cYx1qt)

Nicolau Santos pergunta se faz sentido o Estado português vender “parte da posição acionista” da TAP “a um banco público brasileiro, ou seja, ao Estado brasileiro”. Creio que sim. Se fosse ‘accionista‘, teríamos outra conversa. Sendo ‘acionista‘, obviamente, o Brasil é o destino mais indicado.

Por falar em Brasil, sempre que leio o Diário da República, lembro-me do Diário Oficial da União. Porquê? Por causa das coisas que acontecem no sítio do costume. Hoje, temos mais do mesmo.

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TAP, Transporte Aéreo Privado

Qual é a situação financeira da TAP? A resposta depende de quem a dá, se for da parte do governo e companhia da direita, a TAP só ainda não se sumiu num buraco negro de prejuízos porque eles estão a dar-lhe asas com esta privatização. E no entanto, há quem esteja disposto a comprar este prejuízo, ainda dizem que só existe ganância no mundo dos negócios. Por outro lado, se a resposta vier da parte da oposição ou do PS, a situação da TAP é um idílio. Apesar de a empresa precisar de uma injecção de capital.

Se fosse pública  a avaliação da empresa que, imaginamos nós na boa fé, o governo fez para conduzir à venda da empresa, poderíamos ajuizar com maior segurança sobre o assunto. Como ainda está para nascer a primeira galinha com dentes, vamos andado no domínio da opinião, baseada em fragmentos de informação seleccionada, logo parcial por natureza. Existem os relatórios e contas da empresa, documentos opacos e nem sempre reflectindo a situação real  – basta lembrarmos-nos de recentes estrelas cadentes como o BES e PT. Fazem-se, também, muitas contas de merceeiro para ilustrar um ponto de vista mas, selectivamente, omitem-se parcelas.

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TAP vendida por 1 euro

Se ainda somos 10 milhões…

Governo vende TAP por 10 milhões de euros
Sérgio Monteiro confirmou ao início da tarde a venda do grupo TAP ao consórcio de David Neeleman e do grupo Barraqueiro. O encaixe para o Estado será de…. 10 milhões por 61% da companhia. Contrato obriga próximo governo a vender o resto do capital da TAP. (…)
“O negócio é sobre todos os pontos de vista um sucesso”, decretou Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, que rematou: “Quinze anos depois de muitos tentarem, nós conseguimos vender a TAP.” [ionline]

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E qual é o sucesso? Ter sido vendida a TAP.

Vamos lá relativizar o sucesso. [Read more…]

Abençoados unicórnios

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Abençoada globalização. Abençoadas empresas ocidentais que aproveitam o trabalho barato na China para maximizar os seus lucros. Abençoados consumidores que apesar dos efeitos catastróficos que tal decisão teve nas suas vidas, nunca reclamaram grande coisa contra a abertura escancarada das portas da Europa aos produtos chineses. Abençoado consumismo.

Abençoados também os neoliberais que finalmente experienciam todo o esplendor das sociedades ditatoriais governadas por partidos únicos, que tal como eles se mobilizam em torno da eterna luta pelos direitos das castas por um futuro com mais lucros e mais concentração de poder. Que bom que seria podermos também nós ter um partido único capaz de reduzir a participação popular a quase nada e desta forma facilitar decisões que contribuíssem ainda mais para maximizar lucros e silenciar a plebe que ousasse intrometer-se entre os oligarcas e o seu direito natural a tudo. Quanto aos chineses, haja uma malga de arroz e um iPhone martelado e que Confúcio os abençoe.

Valorização do kwanza rebenta a escala planetária!

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Mesmo após a anunciada desvalorização por parte do Banco Nacional de Angola, o kwanza é provavelmente a moeda mais valiosa do planeta terra. Segundo o Diário Económico, cada kwanza vale hoje 116,8745 dólares, cerca de 104 euros. Afinal o Álvaro Sobrinho comprou o Jorge Jesus em saldos. É que segundo o conversor que costumo usar, que estará com certeza desactualizado, o salário anual do novo treinador do Sporting é afinal de 461,50 euros, isto considerando a nova taxa de conversão anunciada pelo Diário Económico, claro! Sai o homem do Benfica para ganhar abaixo do salário mínimo…

Tenham medo! É desta que eles levam o país todo.

O quarto milagre de Fátima: desceu o desemprego

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Hoje foi dia de propaganda do IEFP. Apareceram uns números com “estimativas” do número de empregados em Portugal e tudo (sendo estas cálculos baseados em sondagens, sempre gostava de conhecer a amostra e a margem, de erro).

A malta do costume despeja aquilo com a inutilidade de quem diz ao desempregado e seus familiares que como ele se recorda ainda ontem pegou ao serviço. A chatice é que os desempregados ainda votam.

Voltando à realidade: este anúncio de um estágio pago por todos nós para alguém ir vender santinhos em Fátima, das 9h às 20h (e vais com sorte, por aqueles lados a vida nocturna é muito sossegada), é uma excelente amostra do emprego criado por este governo. Ou de como o governo subsidia o empreendedorismo, enquanto corta nas prestações sociais.

Os angariadores de seguros

Os neoliberais têm uma avença com as companhias de seguros: eles vendem-lhes os produtos PPR e seguros de saúde, elas lá arranjam forma de retribuir, e mesmo que não o façam directamente tratando-se de defender um negócio o verdadeiro neoliberal também trabalha à borla.

O que está a dar é demonstrar que a Segurança Social está condenada ao fracasso. No caso português imaginemos um tipo espancado até à morte, e que antes do golpe final ainda tem de ouvir: estás a ver, a tua vida era insustentável.

Utilizaram a cobardia de quem chamou a troika porque não tinha fundos para pagar a dívida (estamos bem pior), utilizaram a troika para ir para lá dela depois de uma campanha eleitoral onde prometeram que não o fariam, e com a destruição propositada do emprego conseguiram, além do objectivo óbvio de baixar os salários o bónus de colocar a Segurança Social em muito maus lençóis. Seja porque somos menos a contribuir (menos 600 000 desde 2008), seja porque alguns ainda recebem subsídio de desemprego. [Read more…]

Stop TTIP e CETA

A UE pretende em breve assinar dois acordos comerciais de longo alcance : um com o Canadá (CETA = Comprehensive Economic and Trade Agreement) Canadá e outro com os EUA (TTIP = Transatlantic Trade and Investment Partnership). A linha oficial é que os acordos irão criar empregos e aumentar o crescimento económico. No entanto, os beneficiários destes acordos não são de facto os cidadãos, mas grandes corporações.

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Repromoção

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Se bem percebi: Carlos Costa fez o que o governo mandou porque entretanto, o entretanto é depois do BPN, a UE mudou as regras impostas aos governos quando lhes caía mais um banco de vígaros.

Vítor Constâncio tanto cumpriu com o BPN as regras do seu tempo que foi promovido a vice-presidente do banco europeu. Carlos Costa ganha outro mandato.

O cargo chama-se governador do Banco de Portugal. Agora riam comigo: de Portugal.

Como defender uma tese e provar o seu contrário

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Pissarides, um académico laureado, veio a Portugal e defendeu que, como vivemos mais tempo e mais saudáveis, devemos trabalhar até aos 70 anos. Pissarides nasceu em 1948.

Alcançar um tal estado de senilidade aos 67 anos é obra, e demonstra porque se deve antecipar a idade da reforma, que de resto juntamente com a redução do horário de trabalho é receita universal para criar emprego.

Estou a insultar o homem? apontam-me o dedo os leitores de direita? Bem, ele também veio a Portugal recomendar-nos outras medidas:

olhando para a situação do ponto de vista estritamente económico, é claro que se devia estar a fazer mais investimento em infraestruturas e a criar mais empregos e, dessa forma, sair da recessão.

E agora todos em coro: o Pissarides está chanfrado, temos de o internar num lar de idosos, num hospício e depressa.

Confere.

A reafectação dos factores

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Stephen Antonakos (1926–2013): Incomplete Circle (five-unit drawing with blue and red incomplete circles), 1975. Copyright:© 2015 Stephen Antonakos (http://bit.ly/1HIjMoX)

Como sabemos, foi recentemente apresentada a versão para debate público do Projeto (sic) de Programa Eleitoral do Partido Socialista. Entretanto, durante uma conferência de imprensa, António Costa afirmou que as medidas apresentadas num relatório coordenado por Mário Centeno “inspiram e vão motivar a elaboração do programa do Governo”.

É preocupante que determinadas opções apresentadas no relatório possam inspirar a elaboração do programa do Governo do Partido Socialista.

Na página 9 do relatório, podemos ler “adequada reafectação dos fatores produtivos”. Um forte aplauso para a adopção de ‘reafectação‘ quer nesta página 9, quer na página 65 — “reafectação territorial e funcional de funcionários públicos” e “reafectação de funcionários excedentários” — e uma vaia monumental às ‘afetação‘ das páginas 14, 25, 64, 73 e 74 .

Sejamos claros: a grafia ‘fatores‘, além de não pertencer ao repertório ortográfico português europeu, não é companhia que se recomende a uma reafectação. Em português europeu, como sabemos, “reafetação dos fatores” *[ʀjɐfɨtɐˌsɐ̃ũ̯ duʃ fɐˈtoɾɨʃ] não existe: a formulação grafemicamente satisfatória é “reafectação dos factores” [ʀjɐfɛtɐˌsɐ̃ũ̯ duʃ faˈtoɾɨʃ]. [Read more…]

Aviso à navegção…

Por via do contencioso envolvendo o governo regional dos Açores, liderado pelo PS aos estaleiros navais de Viana do Castelo, que terminaria com a falência da empresa pública então tutelada pelo governo de José Sócrates, a construção do navio Atlântida virou uma verdadeira novela. Pelo meio alguns capítulos bizarros, como a delirante venda ao governo bolivariano de Chavez, mas nunca concretizada. Prova mais que evidente da falta de vocação do  Estado para construtor naval, ou qualquer outra actividade económica. Não fossem as regras apertadas de Bruxelas, lá teríamos o bolso do contribuinte a viabilizar mais uma empresa deficitária. Este filme não é assim tão diferente da TAP e outros sorvedouros de impostos…

O governo explicado a um E.T.

E basicamente a explicação está correcta…

É melhor perguntar aos portugueses o que é eles dizem

“Passos diz que Portugal é considerado um país rico no mundo” [SIC]

SANTOS & SANTINHOS, Sindicalistas Voadores

José Xavier Ezequiel

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Ao que parece, foi a CIA que inventou o conceito de ‘negação plausível’ para proteger o JFK de embaraços como a Baía dos Porcos, o Reagan do escândalo Irão-Contras e o Clinton de saber-se, ao certo, a dimensão dos favores sexuais da estagiária.

Havendo uma ‘negação plausível’, manda a lógica que haja também uma ‘afirmação plausível’. Lógica essa que os partidos e os sindicatos rapidamente aproveitaram. Por exemplo, uma manifestação que leve, vá lá, 20 mil marchantes, pode passar para a imprensa como levando, efectivamente, mais de 100 mil. Uma acção de campanha eleitoral com meia dúzia de jotinhas e uma bandeira em cada mão, pode muito bem parecer, se o plano for simpaticamente fechado, um comício de dimensões épicas. E uma greve com uma adesão de 20% pode, do mesmo passo, transformar-se numa paralisação praticamente total.

Apesar de tudo, o partido ou o sindicato podem sempre socorrer-se da ‘afirmação plausível’. Quem pode obstar, com certeza absoluta, que 20 mil não são mais de 100 mil e meia dúzia de fervorosos jotinhas não são uma multidão? Como negar a fé do sindicalista que, apesar da chafarica continuar obedientemente a funcionar, vê ali uma paralisação de pelo menos 80%?

Bem vistas as coisas, o jornalista pode ter tido o cuidado de filmar a única chafarica que funcionava obedientemente. Toda a gente sabe que os jornais são maioritariamente controlados por interesses, amiúde obscuros, as mais das vezes estrangeiros. E, assim, fica sempre a pairar uma nuvem de incerteza. Que é exactamente o pressuposto da ‘afirmação plausível’.

No entanto, há greves e greves. Há greves que não aquecem nem arrefecem. Tenham 20, 50 ou mais de 90 por cento de adesão, tanto faz. Ou acabam às dez da manhã e retomam às cinco da tarde, por turnos, ou já ninguém se lembra delas no dia seguinte. As nossas greves, por norma, passam e andam. E incomodam mais a classe operária que os patrões. Que, aliás, sobretudo quando o patrão é o estado, até agradece os efeitos positivos nas contas públicas com a poupança de um dia de salário+subsídio de refeição, por cada grevista assumido.

A greve de 10 dias de alguns pilotos da TAP foi, no entanto, uma coisa completamente diferente. [Read more…]

Pilotos, Responsabilidade e Cerveja

Meditações na Cervejaria

(com a devida vénia à Ana Cristina Pereira Leonardo e ao seu blogue “Meditação na Pastelaria”)

cervejaria-trindadeTenho andado a ponderar bastante sobre o tema da Responsabilidade, no sentido ontológico-ético-político-geográfico e cheguei à seguinte conclusão sustentada (pelo menos tão sustentável como as conclusões do Passos Coelho, do Pires de Lima – ministro da Cerveja – e restantes apêndices do Governo; da Helena Matos, do João Vieira Pereira, do José Manuel Fernandes e do Camilo Lourenço):

– A responsabilidade pela presente situação que o país atravessa é integralmente imputável aos Pilotos!

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– Aos Pilotos da TAP? perguntarão alguns de forma enfática. [Read more…]

Novo Jornalismo

Onde Política e Gastronomia se cruzam

cavacoCom um Cavaco na Presidência e um Coelho a primeiro-ministro muitos OCS se aperceberamWild rabbit  siting on sand track das grandes poupanças a fazer na Editoria de Política.

Na conjuntura que atravessamos, em que a “fusão” está presente em todas as áreas do saber e da cultura, nada mais lógico que “encolher” a Política e “expandir” a Gastronomia, mantendo os ingredientes, perdão, os intervenientes na ribalta. Assim é mais infotainment!

Afinal, quantos leitores/ouvintes/espectadores/utilizadores é que se irão aperceber da diferença?

Ver também, sobre o mesmo tema, aqui

Entender o libertarianismo – II

Entender o libertarianismo

“O Grexit

seria um grande desafio para a zona euro”, diz Albuquerque num quase perfeito inglês para dizer “catástrofe”. Bem me parecia! p02qs895

Ainda há quem afirme que o actual governo é liberal…

Já tinha afirmado que não iria votar em qualquer dos partidos que compõem a actual maioria. Se dúvidas ainda tivesse quanto à minha posição, a deplorável insistência na aprovação da chulisse Lei da cópia privada justifica  a decisão que tomei, desde logo porque não gosto de contribuir para proxenetas. E mais, os próximos tablet, computador ou iphone seguramente serão comprados fora de Portugal, por uma questão de princípio. E que se lixem todos, a SPA, actual governo e deputados… 

Pretende enriquecer? Dedique-se à aldrabice bancária

UBS

Como fazer: adquira um banco, se possível grande demais para cair, contrate meia dúzia de corruptos, preferencialmente políticos caso venha a precisar de um resgate patrocinado pelo dinheiro do contribuinte, e inicie já a sua carreira na área da aldrabice bancária. A aldrabice bancária, ao contrário de outras formas de aldrabice convencionais, permite-lhe a utilização de várias técnicas e/ou instrumentos considerados pouco éticos ou mesmo ilegais mas nada disso interessa. O que interessa mesmo é que você lucre, doa a quem doer. Caso surja algum problema de natureza legal ou financeira, basta colocar um dos seus corruptos a funcionar. Não existem garantias de imunidade absoluta pelo que poderá ter que participar numa encenação judicial em que o seu bom nome será colocado na lama com a mesma velocidade a que os seus bens serão colocados no nome da sua esposa ou filho. Não desespere. Trata-se de uma situação passageira. Em pouco tempo estará de volta ao seu iate.

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Produtividade fiscal

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A D. Maria decidiu premiar os funcionários das Finanças pela sua produtividade na cobrança de impostos. Fugir fraudulentamente ao fisco é um crime que tenho por grave (já o que o governo manda cobrar ao fisco é outro assunto), é fugir à responsabilidade de cada um para com todos nós.

O problema é que quando se premeia este tipo de produtividade não sabemos se estamos a falar do trabalho que deve ser feito, ou do que foi inventado.

Lembrei-me desta família que viu a vida virada do avesso. Quantas perseguições deste género são agora recompensadas? Quem nos protege dos nossos protectores?

Outro mentiroso

Mentir é isto:

Ministro diz que preços dos combustíveis desceram em média três cêntimos
Moreira da Silva fala em poupança de quase 200 milhões de euros nos encargos dos portugueses com combustíveis num ano por força da nova legislação.

É preciso ter muita lata para pretender que é uma legislação aprovada há dias, e não a queda do Brent no mercado internacional, a razão de os combustíveis estarem mais baratos. Isso depois de ter aumentado o Imposto Sobre Produtos Petrolíferos, o que teve como consequência comer parte da baixa de preço que poderíamos ter agora.

Mas se a Moreira da Silva não falta descaramento, aos jornalistas copy-paste e à oposição sobra incompetência para desmontar mentira tão óbvia.

Dispam-se de preconceitos e ide ouvir a entrevista do secretário-geral da APETRO, onde, novamente, é explicado que o problema dos preços em Portugal são os impostos. E que leis como esta de nada servirão, tal como de nada serviram as tabuletas de preços nas auto-estradas e a obrigação de adicionar biodiesel ao gasóleo.

Atentem também ao que aconteceu à rede de abastecimento em França, que desapareceu para dar lugar às grandes cadeias de retalho. Curiosamente, ou não, quem é que sai beneficiado com esta lei? Pois. O tio Belmiro e c.ia, que não vão gastar um tostão para ficarem dentro da lei.

O consumidor? Ora, ora, mas havia direito de admissão nas bombas de low cost?

À atenção dos liberais encostados ao estado e, também, dos arrependidos, como Carlos Abreu Amorim

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A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) cobrou em 2014, de forma coerciva, 26,5 milhões de euros em dívidas pelo não pagamento das taxas das portagens, receita que reverte na totalidade para as empresas concessionárias das auto-estradas. [P]

Falem-me outra vez de menos estado e de iniciativa privada, depois de terem posto o estado a trabalhar para empresas privadas.

Jorge de Brito, um banqueiro à portuguesa

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Tropeço num grunhido do Henrique Mentiroso, afirmando que os bancos nacionalizados foram roubados. É a velha tese da extrema-direita, que se esquece da forma como na maior parte dos casos as fortunas que deram origem aos bancos foram feitas à pala do estado, sendo o próprio sistema bancário um gamanço institucionalizado.

E lembrei-me desta história contada por Silva Lopes a jornalistas do Público, que em tempos publiquei noutro blogue:

O Banco Intercontinental Português, o BIP de Jorge de Brito, “caiu” na secretária de Silva Lopes em 1974, quando este era ministro das Finanças do II Governo Constitucional. “Agora falamos destas coisas, mas comparado com o que o Brito fazia…”. “Estas coisas” são, como se entende, os casos BPN e BPP que nos últimos meses estão nas páginas dos jornais.

“O Brito utilizava os depósitos para os seus negócios pessoais. Tudo quanto ali se punha era para os seus negócios pessoais. Não emprestava apenas a si próprio. Emprestava também ao jardineiro, que era para ele, claro. Ele comprava de tudo: terrenos, palácios, arte… tudo. Depois, nas compensações do Banco de Portugal [o acerto dos cheques e transferências passados pelos clientes e depositados noutros bancos], o BIP estava sempre a descoberto. E o BdP aparecia-me lá quase todos os dias a dizer ‘mais um descoberto do BIP’. O BdP teve que adiantar nessa altura 10 milhões de contos, que agora corresponde a mais de 100 milhões [500 milhões de euros].” [Read more…]

Custou mas foi

Há anos que designo os neoliberais que tomaram conta do PSD/CDS como extrema-direita. Tenho levado como reacção que é um exagero, onde meto o (inexistente) PNR, etc, etc.

Há anos que coloco o PS na direita, vá lá, centro-direita, como o social-liberalismo à moda de Blair que representa. Insulto, queixam-se uns, é de centro-esquerda, és um exagerado, levei como resposta.

Até que um dia os insuspeitos Abrantes falam de erro de paralaxe: “O que já vinha a acontecer na década anterior, e se aprofundou nestes últimos quatro anos, foi uma transformação do PSD num partido da direita radical, abdicando até de se reclamar da «social-democracia».” E segue-se que, depois de lido o documento macro-neoliberal do PS (austeridade com vaselina, submissão ao euro e à ortodoxia europeia), a extrema-direita lá chega, basta ler o Pedro Romano:

Francisco Louçã tem um excelente texto no Público, que toca mais ou menos nos mesmos pontos, embora de forma detalhada. Lido do princípio ao fim, penso que só divergimos na forma como encaramos a essência do programa do PS: Louçã com repulsa, eu com alívio.

O texto de Louçã realmente desmonta como o PS se prepara para mais do mesmo, pasokismo que o há-de partir ao meio; deixemos o governo grego sair do euro e demonstrar como algum tempo de sacrifício prova  haver alternativa, e valer a pena. A dívida é impagável, o euro é uma moeda alemã, o resto é conversa de treta.

Finalmente, obrigado António Costa, por outras razões, é certo, também fiquei  aliviado.

Leituras

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Ando a ler o relatório dos economistas liberais para o PASOK, perdão, para o PS. Uma suavidade.

Dez orçamentos de estado

A grande tese do governo quanto à estratégia do PS ontem apresentada resume-se a dizer que o PS provocará o desequilíbrio das contas públicas.

Isto é uma falácia,  pois o governo não equilibrou as contas públicas. Reduziu alguma coisa no défice à conta de enormes aumentos de impostos, do descontrolo na dívida e de um aumento brutal do desemprego. 

Quanto às ideias do PS, é de recordar que António Costa afirmou há tempos que se se pensasse como o governo, acabar-se-ia a agir como o governo. Ao insistirem no tema TSU e numa versão light da austeridade torna-se claro que foram incapazes de pensar fora da caixa e, pela lógica do próprio, acabarão a agir como este governo.

Ainda pior, do ponto de vista político, o PS deu um enorme tiro no pé. Confirmou a pretensa pertinência de Passos Coelho em ter voltado ao tema TSU e, ao apresentar uma versão moderada da estratégia do PSD, acabou a validar a acção governativa destes 4 anos, deixando espaço para nos interrogarmos se este prometido ligeiro alívio da austeridade só existe por se estar na oposição. Por fim, para quem tem afirmado prometer o que possa cumprir, basearam o  cenário num contexto macroeconómico  que nunca atingimos. Muito credível, sem dúvida.

Ainda quanto à TSU, o PS diz que compensará a quebra de receitas através de reformas menores a pagar no futuro. Tal como Passos Coelho, António Costa, parece não perceber que a Segurança Social não é um sistema onde se tenha uma conta corrente. A quebra de receitas terá consequências no presente e coloca em risco o seu futuro.

Quanto ao resto, registei que a educação é um sub-capítulo da economia, o que, em si mesmo, já é um programa político. Curiosamente, não encontrei nenhum capítulo sobre o Serviço Nacional de Saúde, este mesmo que está actualmente em pré-falência.

A agenda da década socialista consiste, sobretudo, na gestão financeira do país. Se não era para apresentar uma visão estratégica para o país, mais valia terem apresentado dez esboços de orçamento de estado.