O algodão não engana…

Pelos vistos a educação em Portugal não apenas sobreviveu, como melhorou ao longo dos últimos anos, recebendo elogios no exterior, em Portugal obviamente que pouco destaque mereceu, salvo honrosas excepções. A questão agora é saber se resistirá ao informal ministro Mário Nogueira e sua marioneta da 5 de Outubro, ou se associada á geringonça a palavra reposição significará também retrocesso…

Noite de PISA

pizzaQuando começam a sair os resultados dos testes internacionais, especialmente por serem internacionais, os políticos, já se sabe, aparecem logo a reclamar paternidades e maternidades (porque também há políticas) ou a rejeitar crianças, se forem defeituosas.

Há poucos dias, foi o TIMSS. Ontem, foi o PISA. Apesar de este teste ser feito para avaliar uma parte do percurso de alguns alunos de 15 anos, não há quem não queria reclamar méritos, mesmo que não tenha estado no ministério nos últimos nove anos, ou seja, desde que os alunos em causa entraram para o Primeiro Ciclo. Tudo muito socrático, ou seja, portuguesinho.

O actual ministro, justiça lhe seja feita, deu os parabéns aos alunos e aos professores, essa gente habitualmente menorizada, face aos grandes ideólogos que julgam perceber mais disto a ressonar em gabinetes do qualquer professorzeco a suar numa sala de aula.

No meio de tudo isto, há, a propósito de professorezecos, uma novidade, incluída num relatório que acompanha o PISA: considera-se que os professores portugueses revelam uma estranha capacidade de adaptar o conteúdo e a estrutura das aulas aos alunos. Estranha? Sim, porque é uma ideia contrária às conclusões dos pedagogos de sofá que acusam tudo o que é docência lusa de imobilismos, conservadorismos e outras caturrices que tornariam impossível a boa aprendizagem da juventude. O Paulo Guinote deixa escapar um “In your face” e tem razão. Há alguns meses, abordei lateralmente o assunto. [Read more…]

Eu é que sou o pai da criança!

crato_14A partir do momento em que um país se abre ao mundo, após quarenta e oito anos de clausura, é natural que a Educação beneficie, porque as ideias entram, o saber espalha-se, os livros circulam, as mentalidades mudam, enfim, tudo aquilo que a História da Educação em Portugal já sabe e mais saberá no futuro, esse sítio em que o passado fica mais distante e menos presente.

Ainda assim, os que se preocupam verdadeiramente com o assunto vivem insatisfeitos, especialmente quando se fica com a impressão de que o Ministério da Educação é uma instituição cujo principal objectivo é atrapalhar a vida das escolas, introduzindo alterações sobre alterações, sempre com a colaboração de departamentos universitários ou de cliques partidárias.

De qualquer modo, repita-se, as melhorias são evidentes e naturalmente demoradas, porque a Educação leva o seu tempo e porque há, como vimos, quem goste de a atrasar. [Read more…]

Números duros, políticas moles

Santana Castilho*

Há dias, foi tornado público que, durante o ano lectivo de 2015/2016, se registaram 5.051 ocorrências do foro criminal nas escolas portuguesas, isto é, 500 por mês, em média. No ano anterior haviam sido registadas 3.930. Sublinho que não se trata de incidentes disciplinares. Foram ocorrências que caem sob a alçada do Código Penal. Cumulativamente, a PSP teve ainda que intervir em mais 2.001 situações de outro tipo. Estes números são preocupantes e apelam à reflexão.
Aquando de casos mais graves de violência em meio escolar, verifica-se, por parte das autoridades respectivas, uma propensão para dissimular os acontecimentos. Mas se por um lado sabemos que a tendência para iludir o óbvio foi classificada por Freud como a primeira paixão da humanidade, por outro também sabemos que ignorar a realidade nunca nos salva. Aceitemos, então, que a indisciplina é hoje um dos maiores, senão o maior, problema do sistema de ensino e que há uma evidente crise de autoridade na Escola. Quando a estudamos, são esmagadoras duas situações responsáveis: do ponto de vista interno, a falta de coragem para adoptar políticas adequadas à solução dos problemas, materializada pela manutenção de uma lei inadequada, que introduziu no processo disciplinar o método processual penal, com um cortejo de prazos, audições e garantias pedagogicamente desadequadas, tudo permitindo a proliferação de pequenos marginais; do ponto de vista externo, a crescente demissão dos pais para imporem disciplina aos filhos.
A maioria dos pais de filhos indisciplinados não gostaria de ter filhos indisciplinados. Mas não sabe ou não pode discipliná-los. Os restantes são negligentes, que não se interessam pelos filhos e são, eles próprios, quantas vezes, marginais. [Read more…]

Do Egipto a Lutero, numa conversa sobre a Escola a Tempo Inteiro

O mais novo vai ter teste a história e o Egipto é um dos temas em avaliação. Na dimensão religiosa da temática ele percebeu a importância do estudo “destas coisas porque elas explicam as nossas religiões”. Lá foi caminhando a conversa e o mais velho, “especializado” em Lutero (no ano passado) foi dizendo que a “aposta dos Protestantes na Educação foi importante porque as pessoas tinham que ter acesso livre à palavra de Deus.”

Chega à conversa a aula de Geografia onde a Europa foi apresentada às fatias, a do sul, a do norte. Sugeri a ligação entre as dificuldades do sul, hoje conhecidas, e a dimensão histórica que tínhamos conversado. E a conversa continuou pelo jantar dentro.

E, lembrei-me de partilhar consigo, caro ou cara leitor(a), esta pequena prosa a propósito da notícia de hoje do público :”Empresas obrigadas a dar horário flexível a mães e pais.”

Já o escrevi e mantenho – sou completamente a favor de Educação a tempo inteiro, como resposta à não Educação. Houve um tempo – talvez o meu, em que a rua fazia parte da minha educação. A responsabilidade era partilhada por todos os putos, ali no Meiral, nas ruas de Rio Tinto. Cada um de Nós, além da responsabilidade individual era igualmente responsável por “tomar conta” de todos os outros. E, todos, mais novos e mais velhos, rapazes e raparigas, aprendiam com todos. Claro que havia sempre por perto, muitas mães, que à janela gritavam quando os horários das refeições apertavam. Havia toda uma rua para educar cada uma das crianças. [Read more…]

O Diário do Professor Arnaldo – Professores que gostam pouco de trabalhar

– «Já viste? Na 4.ª Feira temos reunião! Fogo, é o meu dia livre, é injusto!»
Isto dizia hoje a novata na sala de professores. Anda há meia dúzia de dias na escola e já aprendeu o missal: é professora, tem de ter dia livre. Tal como as colegas decanas, que trabalham 14 horas por semana e chegam a 6.ª Feira exaustas. Ou melhor, 5.ª Feira, porque 6.ª Feira é dia livre.
Às vezes, sinto que estou num mundo à parte. Não sei se é por ter chegado tarde à profissão, depois de ter estudado à noite enquanto trabalhava como servente e como operário. Estou a centenas de quilómetros de casa, mas sinto-me grato por ser professor. Por ter um dia livre por semana (mesmo com reuniões de vez em quando), por ter mais 2 manhãs livres, por ter uma semana inteirinha de férias no Natal, mais uma na Páscoa, mais dois meses limpinhos no Verão.
Hoje estava a olhar para elas, essas tais que se queixam diariamente. Eram 5 moças. Às 16.35, deu o toque de entrada para a aula. Elas, na sala de professores, não se mexeram. Nem às 16.36. Nem às 16.37. Nem às 16.38. Às 16.43, uma delas olhou para o relógio da Sala de Professores. Eram 16.45 quando, de repente, todas se levantaram ao mesmo tempo, como se tivessem combinado, e foram dar aula.
Engraçado! No meio delas, estava a tal. Essa tal

Quantos professores são necessários?

daviddinisDavid Dinis dá, hoje, professoralmente, as suas notas a agentes políticos, classificando com nota negativa o ministro da Educação, abaixo ainda de Passos Coelho.

Se Nuno Crato foi uma enorme desilusão, Tiago Rodrigues é apenas uma grande ilusão, sobretudo para muitos que são de esquerda. O facto de não estar a pensar rever medidas verdadeiramente danosas para a Educação é prova disso, mas o meu objectivo, agora, é escrever sobre  outros ilusionistas.

David Dinis, como qualquer neoliberóide-ignorante-atrevido, usa o seu desconhecimento e o fascínio pelas médias, para insinuar que não serão necessários mais professores. A linhagem a que pertence o actual director do Público gosta de dizer que o Ministério da Educação não tem de ser uma agência de empregos que garanta a contratação de todos os que possam e queiram ser professores.

Sendo isso um truísmo, a verdade é que o Ministério da Educação, com destaque para Nuno Crato, tem sido uma agência de desemprego ou, na melhor das hipóteses, um centro de ocupação para professores precários. Os últimos ministros que ocuparam a pasta não foram da Educação e sim do orçamento ou, mais propriamente, foram (e continuam a ser) agentes liquidatários de um sistema público fundamental num país civilizado. [Read more…]

A Fenprof não aderiu?

A Função Pública hoje está a fazer greve

Reality check às políticas para a Educação

Santana Castilho*

Ao completarem-se 30 anos sobre a aprovação da Lei de Bases do Sistema Educativo, este poderia ser o momento adequado para fazermos um balanço rigoroso dos caminhos que a Educação trilhou em democracia e, sobretudo, para definirmos o que queremos para o futuro.
Ao optar hoje, neste contexto, por um reality check, passe o estrangeirismo, às políticas do PS para a Educação, o meu objectivo não é opor-lhes certezas (que as tenho) mas antes confrontá-las com as interrogações e as perplexidades que suscitam. Com efeito, são as perguntas que podem ser feitas que mostram que as coisas vão acontecendo de modo imprudente, mais por reacção ao fundamentalismo de Crato que por ponderação da oportunidade, da qualidade e da justeza das políticas. Tudo beneficiando de um caudal de águas mornas de aceitação dos problemas mal resolvidos pela impreparação de Tiago Rodrigues e pelos excessos de Alexandra Leitão. [Read more…]

O Diário do Professor Arnaldo – Começaram as pressões

Louvo a paciência dos autores deste blogue, que continuam a aturar-me mesmo quando passo anos sem dar notícias.
Pois é, ainda cá estou. Mais ou menos no mesmo sítio, mais ou menos a centenas de quilómetros. Dá para ir a casa uma vez por mês – também não é preciso mais, não está lá ninguém para me receber.
Calei-me durante anos porque o ex-director da minha escola era um facínora. Alguém lhe segredou que tinha sido eu a denunciar as fomes que medravam pela escola – não era culpa dele, mas tomou-se de dores. Muitos dos socratistas eram assim, piores do que o próprio Sócrates.
Felizmente, nova Escola, novo Agrupamento, nova Directora e novos alunos. Mas professores são professores e há coisas que nunca mudam!
Ontem, fui pressionado pela Directora de Turma por causa das notas que dei aos alunos dela – os alunos dela, os meus meninos.
Que dei muitas negativas, diz a coisinha. Que assim não pode ser. Que os pais começaram a reclamar.
Fiquei a olhar para ela. Sempre ouvi dizer, nos últimos dois anos, que é um bocado vaquita para os colegas, mas não esperava que viesse confrontar-me logo em Novembro. A propósito do primeiro teste que os alunos fizeram neste ano.
– «Ora, adoro aqueles miúdos, portam-se muito bem nas aulas, mas se tiveram negativa foi porque não estudaram. Queres que estude por eles?»
E acrescentei:
– «Não te preocupes, no fim do ano passam todos! Tu encarregas-te disso.»
Ficou ofendido, o estafermo. Que isto, que aquilo, que eu não tinha direito.
Se estivesse mal disposto, tinha-lhe dito que o caralho é que não tinha direito. Virei costas e fui almoçar, como sempre, ao sr. Costa. Sopa, pão, prato de peixe ou carne, 1/2 litro de vinho, sobremesa e café, tudo por 5 euros. Valia a pena responder à avantesma, logo hoje que era arroz de pato?
A directora de turma, disfarçada de guarda pretoriana dos papás, é que teve sorte. Dormiu descansada, porque pôs na ordem um professor que teve o desplante de dar más notas aos seus alunos e que, da próxima vez, certamente pensará duas vezes.
Como é que ele se atreveu?

Educação? Perguntem à M80!

m80As escolas – e, portanto, todos aqueles que aí trabalham – são rochedos que vão resistindo como podem às muitas intempéries a que estão sujeitos. Políticos, professores universitários de muitas áreas, empresários, teóricos, cronistas, jornalistas, analistas, todos pensam saber mais sobre Educação do que aqueles que trabalham nas escolas. O costume: num convívio de dez pessoas em que uma seja professor, os outros nove têm sempre explicações a dar e medidas infalíveis para propor, ficando o professor desvalorizado por ser parte interessada. Até Cavaco, com o génio que se lhe reconhece, resolveu, há poucos anos, os problemas nos concursos de professores. [Read more…]

Afinal, qual é o problema da imprensa com Tiago Brandão Rodrigues?

Os Truques” apresentam uma hipótese. Ou melhor, 65.250 hipóteses amarelas.

Nuno Crato ao SOL: “Houve quase uma fatwa da Fenprof contra mim”

Se calhar, a incompetência própria ajudou. E o falhanço no arranque do ano lectivo 2014/2015 também.

Os tocadores dos tambores do empreendedorismo

Santana Castilho

Pelo Expresso de 22 de Outubro, fiquei a saber que está criada uma “fábrica de líderes” (sic) em Cascais. A matéria-prima para a fabricação são 10 mil alunos de 50 escolas de Cascais. Diz a notícia que se trata do “maior programa municipal de empreendedorismo nas escolas” e afirma o obreiro mor, vereador Nuno Piteira Lopes, que quer “despertar o espírito empreendedor dos mais novos, dando-lhes ferramentas para encararem a criação de negócio próprio”. A iniciativa é da DNA Cascais, dita pelos costumes como associação sem fins lucrativos, mas verificada, de facto, como uma emanação da Câmara Municipal de Cascais. Com efeito, os associados fundadores são empresas municipais e a própria câmara e os órgãos sociais confundem-se, ora com políticos do PSD, ora com elementos da autarquia. Tudo em casa, pois, com a municipalização da Educação a passar de fininho, sob a égide da geringonça.

Softkills” (é talvez um acto falhado, mas é assim que está escrito no texto que cito) e “coaching”, são dois instrumentos pedagógicos com que o despertador de espíritos, Piteira Lopes, conta para catequisar 10 mil indígenas. O presidente da Câmara Municipal de Óbidos, o primeiro que se chegou à frente logo que a municipalização deu os primeiros passos, aquele que anunciou filosofia para os alunos do 1º ciclo do básico, yoga para os do jardim-de-infância e golf e eco design para os do secundário, não está mais só em matéria de arrojo. Já só faltam 306 contributos das restantes câmaras do país, no prometedor caminho da municipalização da Educação, para termos o curriculum nacional transformado numa empreendedora nave de loucos. [Read more…]

Quem quer tramar Tiago Brandão Rodrigues?

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Ao mexer com os poderosos e multimilionários interesses do ensino privado, Tiago Brandão Rodrigues colocou a cabeça a prémio e, desde então, vem sendo alvo de uma verdadeira perseguição por parte da oposição, onde abundam beneficiários dos milhões que são anualmente transferidos para os colégios privados, e de parte da imprensa nacional, onde patrocinadores e alguns cronistas têm também estreitos laços com o sector, algo que ficou provado com alguns casos de manipulação da opinião pública, na qual Público, TSF e Visão participaram alegremente, isto apesar do caso mais grave, na minha opinião, ter sido aquele em que a RTP anunciou a dimensão de uma manifestação a favor das posições dos colégios privados, mesmo antes da mesma ter acontecido[Read more…]

Educação, o parente pobre do regime

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Está em curso uma guerra de números que diz respeito ao valor alocado pelo OE17 à Educação. O governo afirma que a rúbrica sai reforçada com 180 milhões de euros, a oposição contrapõe argumentando que será aplicado um corte próximo dos 170 milhões de euros. Aparentemente, ambos os lados têm razão. O governo tem razão porque, face ao valor inicial apresentado no OE16, existe um aumento da verba disponível. Por seu lado, a oposição tem também razão porque, face ao total que se prevê gastar em 2016 – houve um aumento do investimento na Educação de 348,9 milhões de euros ao longo do ano, face ao inicialmente previsto – haverá, um decréscimo no investimento. Contudo, existe uma lacuna na argumentação da oposição, na medida em que, tal como aconteceu este ano, em 2017 poder-se-á verificar um novo aumento da verba gasta. [Read more…]

Manuais escolares: o populismo decide, a sensatez paga

Santana Castilho*

O Governo escreveu e os jornais repetiram: a despesa com a Educação sobe 3,1% em 2017. Mas, não é assim. O que o Governo acaba de apresentar é o que estima vir a gastar em 2017, que comparou com o que previu gastar em 2016. Ora o Governo sabe que vai fechar as contas de 2016 com uma despesa bem superior à que estimou. Termos em que, com o que já se conhece, a afirmação é falsa.

Apesar deste expediente e dos artifícios que recheiam o OE 2017, fica desde já claro que prefiro a lógica que o informa à lógica dos que o antecederam. Posto isto, permitam-me que formule a pergunta de partida para abordar um desses artifícios: quais são as consequências da imposição de um modelo de gratuidade e reutilização dos manuais escolares? Como se pretende abordar uma indústria que, estima-se, move anualmente 100 milhões de euros, dá emprego a 2.000 pessoas e interessa a 1.600 livrarias? Poderemos ter, numa primeira fase, sob um pretexto político discutível mas que é bem acolhido pelo mainstream, uma iniciativa que poderá destruir, numa segunda fase, uma cultura que demorou décadas a desenvolver-se? Tratar-se-á de uma actuação movida por simples preconceito, que acaba abalroando, de modo centralista, interesses de editores, de autores e dos que trabalham na indústria da produção de livros? [Read more…]

O problema das Crianças Hiperactivas

O debate ocorrido hoje na Assembleia da República demonstrou uma vez mais a solidez da maioria parlamentar que apoia este governo e a coerência das políticas implementadas em contexto nacional e internacional de grande imprevisibilidade.

O governo do Partido Socialista mantém-se fiel aos compromissos assumidos com o eleitorado e com as forças políticas com as quais firmou posições conjuntas visando a inauguração de um novo ciclo na nossa vida colectiva.

A última intervenção do debate de hoje coube ao deputado André Silva, do Partido PAN, que dirigiu ao Primeiro-Ministro duas questões relevantes, a última das quais relativa ao consumo preocupante e crescente de Metilfenidato (Ritalina), por crianças portuguesas em idade escolar.

Este tema, acerca do qual se deverá liminarmente recusar qualquer tentativa de aproveitamento político ou demagogia perversa, reputa-se de importância decisiva, merecendo, sem dúvida, o destaque que o deputado André Silva decidiu dar-lhe, ao trazê-lo para o debate na Assembleia da República.

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Para as Editoras, a Constituição é inconstitucional

© Expresso

© Expresso

 

Segundo se afirma nesta notícia sobre a oferta de manuais escolares, o conceituado especialista da Ciência Jurídica Gomes Canotilho terá defendido, num parecer que lhe foi encomendado por empresas privadas, que a gratuitidade do ensino público consagrada constitucionalmente será, afinal, inconstitucional.
O Ministério da Educação afirma, por seu lado, que o interesse das Editoras não é o das famílias, conclusão que não aparenta necessitar de douto parecer, uma vez que certas evidências, sendo de borla, não perdem por isso a filiação axiomática e constitucional.
Faltam ainda a opinião e os doutos pareceres jurídicos dos vendedores de mochilas, dos carregadores sherpas e da Ordem dos Endireitas, com as quais se estabelecerá doutrina definitiva sobre este tema polémico que milhares de crianças levam às costas todos os dias para a escola. Treinando para o que as espera pela vida fora?

Se eu tivesse um sonho de merda…

… faria hoje um ano que morreu o JJ. Um ano redondo. Em rigor, mais um dia. Morreu, pois foi. Morreu. Ah, e se ele estivesse aqui, o que diria? Diria, olha, cá estou, morri! E di-lo-ia até morrer de secura. Diluía, pois. Era uma estragação de café e de whisky. Mas se não dissesse, era o mesmo. “O círculo aperta-se, primeiro fulano, depois beltrano, agora sicrano. Não sei porquê mas cheira-me”, até já o tinha dito e muito antes. E é verdade que ela agora fede como nunca. Até no cheiro dos meus colhões a sinto. E se fosse vivo? Ah, se fosse vivo… Se fosse vivo, fingia-se de morto e ela passava por ele como cão por vinha vindimada. Bem, a verdade é que ele não o faria. Chamá-la-ia armado em parvo, como se pudesse dar-lhe a volta ou insultá-la. Arrasá-la-ia no Aventar ou no Endrominus, como se o sonho comandasse a vida. E cairia no último momento – como sempre se cai! – depois de dar cabo dela, fodendo-a bem outra vez. Se eu tivesse um sonho de merda, seria assim.

O Professor hoje e os desafios de amanhã (iii)

No encontro de Professores organizado pela FENPROF estiveram também David Rodrigues e Licínio Lima.

David Rodrigues reflectiu sobre o  Desafio da Inclusão.

 

Licínio Lima, por sua vez, apresentou uma comunicação sobre o Desafio da Democratização da Escola.

O Professor hoje e os desafios de amanhã (ii)

A segunda parte da intervenção de António Sampaio da Nóvoa, no seminário organizado pela FENPROF, em Coimbra, por ocasião do Dia Mundial dos Professores.

O Professor hoje e os desafios de amanhã

A FENPROF organizou na passada sexta-feira um encontro em Coimbra onde a Educação esteve no centro da reflexão. Trago, neste dia especial para o Aventar. Neste dia em que um de Nós partiu. Neste dia em que um de Coimbra partiu. Neste dia em que um Professor partiu, nada melhor do que celebrar  a sua memória, trazendo até si, caro leitor, as intervenções de António Sampaio da Nóvoa, de Licínio Lima e de David Rodrigues.

Contigo sempre junto de Nós, amigo JJC, vamos continuar, porque nada substitui um bom professor!

A infância é uma doença

“Recentemente, um professor disse-me que quando olha para adolescentes que estão a ser medicados há anos com ritalina se lembra do que os electrochoques faziam aos internados no filme de Milos Forman, Voando sobre um Ninho de Cucos. É abusiva esta visão?”

Esta é uma das perguntas que a jornalista do Público, Clara Viana, faz ao bastonário da Ordem dos Psicólogos, numa entrevista de leitura obrigatória publicada hoje.

A Ritalina é uma das marcas comerciais do Metilfenidato, princípio activo da maioria dos medicamentos usados para “tratar” crianças com diagnóstico de Hiperactividade e Défice de Atenção. Foi precisamente a Ritalina que nos idos anos de 1969 e 1973 retirou o título de vencedor da Volta a Portugal em bicicleta a Joaquim Agostinho, pois era uma substância proibida em Portugal e foi detectada num controlo antidoping feito ao ciclista.

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Os diferentes tratamentos da realidade

Santana Castilho *

O Estado da Educação 2015, do CNE, radiografa a educação nacional, compilando dados de fontes diversas. Eis a síntese que me parece útil, em números, comprimida para o espaço de que disponho: nos próximos cinco anos, a diminuição das inscrições no 1º ano do ensino básico vai duplicar por referência à verificada nos últimos dez; a taxa de abandono precoce da educação (13,7%) está, felizmente, em queda; as taxas de conclusão do ensino básico e dos cursos do ensino secundário aumentaram; verificou-se nos últimos dez anos um forte crescimento dos níveis de escolaridade da população activa; no mesmo período, o ensino público não superior perdeu 73.572 alunos, enquanto o privado ganhou 18.912; nos últimos quatro anos, diminuiu significativamente o número de técnicos de educação especial, embora tenha aumentado o número de alunos dessa área; a relação psicólogos/alunos, no ensino público, é 1/1.270; na última década, o sistema de ensino perdeu 40.159 docentes e a despesa pública em percentagem do PIB reduziu 15% para o 1º ciclo do ensino básico e 8,3% para os outros dois ciclos e para o secundário.

Fora outro o autor desta curta síntese e os números retirados de tantos quadros e gráficos seriam diferentes. Sejam quais forem, mais importante que mostrar é interpretar, relacionar e explicar.

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Tenham juízo

Sindicato quer que professores tenham redução de horas de aulas a partir dos 40 anos

As proezas de Joaquim Mota e Silva

jms

Apresento-vos Joaquim Mota e Silva, outrora deputado do PSD, hoje presidente da Câmara Municipal de Celorico de Basto. Do seu vasto curriculum constam proezas como a adjudicação, por ajuste directo, de uma prestação de serviços, no valor de 56.800€, à empresa dos seus pais, a única que a autarquia que dirige contactou para o efeito. Estranho? Nada disso. Tudo não passou de um lapso. Segundo o jornal O Minho, o autarca afirmou que desconhecia que a empresa de consultoria contratada era da sua família. Quem nunca adjudicou uma pipa de massa a uma empresa da sua família, sem dar por ela que os donos eram os seus progenitores, que atire a primeira pedra.

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36ª Congregação Geral dos Jesuítas

A Companhia de Jesus (Jesuítas) vai realizar a partir do próximo dia 3 de outubro, em Roma, a sua 36ª Congregação Geral, tendo como primeiro ponto da agenda a eleição de um novo responsável mundial da Companhia, após a renúncia do padre Adolfo Nicolás.

O novo Superior-Geral dos Jesuítas, também conhecido por General, ou Papa Negro, vai ser escolhido por 215 jesuítas oriundos de 62 países e será eleito por maioria simples. Em 476 anos de existência, esta é a 36ª Congregação Geral da Companhia de Jesus.

O Papa Francisco é o primeiro Papa jesuíta da história da Igreja Católica e será ele o primeiro a conhecer o nome do novo Superior-Geral da Companhia, antes de este ser tornado público. É também do Papa Francisco o lema que presidirá à reunião magna de 3 de Outubro, inspirado num seu discurso, proferido em 2014, por ocasião dos 200 anos da restauração da ordem religiosa:

“Remando mar adentro”.

Qualquer que seja a posição que cada um tenha relativamente aos assuntos da Religião e da Fé, há factos históricos inegáveis. A Companhia de Jesus é uma das organizações mais sólidas e influentes da História, tendo desempenhado um papel decisivo no desenvolvimento científico, pedagógico, político, diplomático e até militar do mundo, desde o século XV até aos dias de hoje.

“Manifestantes em fúria contra Secretária de Estado da Educação” – para reflectir!

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Miguel Teixeira

Tenho todo o respeito e compreensão (não na forma , mas no conteúdo) como professor da área de influência da Escola Básica de Gandarela, a que pertence a Escola E B 1 do Rego, pela luta dos pais contra o encerramento do estabelecimento de ensino da freguesia. Afinal, qual é o encarregado de educação, que podendo ter o educando na freguesia, gostaria de o ver deslocar-se para o novo e moderno Centro Escolar da Gandarela a cerca de 4 Kms do Rego? No entanto, já não tenho a mesma compreensão e entendimento relativamente à posição da Câmara Municipal de Celorico de Basto. A questão é simples e explica-se em poucas palavras: a autarquia de Celorico com o apoio do Estado abriu há cerca de 4 anos um moderno e bem equipado Centro Escolar na Vila de Gandarela de Basto, um investimento de centenas de milhar de euros, que veio melhorar as condições de todos os que lá trabalham e é um verdadeiro orgulho para a Comunidade Educativa da área de Gandarela. Um verdadeiro “Hotel 5 estrelas”, que eu já tive oportunidade de visitar, com espaços amplos e salas arejadas , recursos educativos de primeira geração, com aquecimento de topo, tendo em conta os invernos frios, húmidos e por vezes rigorosos da Gandarela.
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Manuais Escolares

debater-escola-publica-e1467571337416Há, no nosso país um conjunto de pessoas com uma capacidade fantástica de saberem tudo, sobre tudo. Aliás, há quem diga que a TVI conseguiu colocar um desses a Presidente, mas eu não acredito.

Por maioria de razão, até a Ferreira Leite, por ter sido um dia mãe, achou que podia ser uma excelente Ministra da Educação.

E, trago até si, caro leitor (e cara leitora, para o politicamente correcto, tão em moda) esta reflexão introdutória porque há coisas sobre as quais sou um perfeito ignorante. Não sei falar Castelhano como o Jorge Jesus e estou longe de conseguir miúdas giras como o Pinto da Costa, isto só para citar dois exemplos.

Sobre Manuais Escolares também. É uma daquelas áreas que abordo com algum receio porque me parece que os lugares comuns existentes nas Praças da República deste país não têm permitido uma reflexão séria sobre o modelo. Entendam este texto como um contributo para um debate que poderá e deverá continuar até na caixa de comentários.

Começo por vos deixar a ligação para o site oficial do Ministério da Educação onde podem consultar toda a informação disponível e perceber como está tudo mais que regulamentado. Na prática e para abreviar a prosa, existe um calendário de adopções definido pelo Ministério da Educação, as editoras apresentam aos Professores as suas propostas e depois, em cada escola (ou agrupamento) o grupo de docentes responsável por leccionar cada uma das disciplinas escolhe o manual que entende ser mais adequado. A fase seguinte passa pela aquisição dos respectivos. Agora, no primeiro ano com oferta do Ministério da Educação, com a presença de inúmeras câmaras municipais na oferta de manuais no 1º ciclo, havendo ainda casos em que a colaboração das autarquias com os pais se alarga até ao 3º ciclo. Este envolvimento do governo e do poder municipal na aquisição dos manuais é uma demonstração da dificuldade que esta factura representa para as famílias, a quem compete uma parte demasiado importante desta despesa.

E, a pergunta que quase todos fazem é: não é possível ter uma política de manuais escolares que permita uma despesa menor às famílias? [Read more…]