Durão Barroso e Goldman Sachs: uma relação de transparência

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O jornal Público divulgou ontem duas novas informações sobre a relação entre Durão Barroso e o Goldman Sachs. A primeira é que, ainda na qualidade de presidente da Comissão Europeia, Durão recebia, confidencialmente e com alguma frequência, “sugestões” de alterações a políticas comunitárias provenientes do banco norte-americano. A segunda diz respeito à inexistência de qualquer registo sobre uma visita de Barroso à sede do Goldman Sachs em 2013, algo que, para além falta de transparência, revela um regime de excepção, na medida em que não existe registo de outros contactos desta natureza que não tenham sido devidamente documentados. [Read more…]

Lições dos protestos

Foto: Greenpeace

Enquanto para o governo do PS português o acordo de comércio e investimento com o Canadá (CETA) já estava mais que bem na sua actual forma – talvez por falta de paciência para ler as 1.600 páginas, em que nem uma única vez é referido o princípio da precaução, nem fica assegurado que os OGMs não serão permitidos na Europa – outros dirigentes europeus estão, com a comissão à cabeça, a ter de usar todos os cartuxos para o assinarem em Outubro – incluindo a promessa de anexarem ao texto declarações adicionais com valor jurídico para “melhorar” uns 3 ou 4 pontos dos que têm sido apontados como inaceitáveis pelo movimento de protesto europeu. Há especialistas a dizer que estas declarações não têm valor nenhum se não estiverem no próprio texto, mas o que é certo é que, com mais este coelho tirado do chapéu mágico, muita gente anda a engolir o isco. Segundo declarações no final do encontro de ontem em Bratislava, existirá já um consenso pró-CETA entre os ministros do comércio – pressuposta a inclusão das ditas declarações. Mesmo a Áustria e Bélgica, anteriormente candidatas ao veto, já se terão alinhado.
Ora bem, sem entrar nos detalhes dos problemas que persistem no acordo – e que são os principais – vejamos quais são as lessons learnt deste processo: [Read more…]

Somewhere in white America…

“Não disparem. Ele não tem nenhuma arma”, ouve-se no vídeo gravado no telemóvel de Rakeyia Scott, esposa de Keith Lamont Scott, morto a tiro pela polícia de Charlotte.

Apesar dos factos obscuros que envolvem o caso, é o registo criminal de Keith Lamont Scott que se tornou o ponto focal da imprensa de direita norte-americana.

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Gente sinistra

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Este indivíduo sinistro é Kay Nerstheimer, membro do partido alemão de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (Alternative für Deutschland – AfD), recentemente eleito para o parlamento de Berlim, nas regionais alemãs.

Entre os seus contributos para um melhor entendimento dos tempos que vivemos, Nerstheimer apresenta-se como um orgulhoso defensor da herança nazi, alinhando em teses alucinadas que procuram transformar Adolf Hitler numa vítima da Segunda Guerra Mundial, atribuindo culpas à Polónia.

É nestes momentos que sinto alguma pena de certas individualidades académicas e das suas comparações entre trogloditas como este e outros anormais, como Trump ou Viktor Orbán, e governantes da nova esquerda europeia como Alexis Tsipras. Como se extrema-direita, racista, xenófoba e apologista da violência, tivesse paralelo com qualquer governo de esquerda na Europa. Como se o elogio nazi fosse comparável à luta contra o radicalismo neoliberal.

Foto@The Telegraph

A gente que se ajeite, né?

Protestos contra o CETA e TTIP em Bratislava

Os ministros do comércio da UE estão reunidos em Bratislava para deliberarem sobre acordos de comércio e investimento da UE, em especial sobre o Acordo Económico e Comercial Global (CETA) com o Canadá.

Os executores das ordens do capital estão em grande azáfama para abafar as últimas vozes críticas que se fazem ouvir contra a assinatura do acordo que vai, definitivamente, selar a primazia dos grandes investidores sobre os cidadãos.

O contorcionismo e a pressão exercida neste processo foram abismais. Sigmar Gabriel, presidente do SPD com aspirações a candidato a chanceler nas eleições do próximo ano, usou de tudo – desde a ameaça de se retirar se o partido não alinhasse, passando pelo bombástico anúncio, em sintonia com o seu colega francês, de que o TTIP (acordo de comércio e investimento entre a UE e os EU) estava moribundo, até a promessas de adendas com valor jurídico ao acordo – para conseguir o sim do seu partido. A comissão ameaçava que um não ao CETA representaria o naufrágio da política comercial da UE; aos romenos foi feita a promessa de facilitação de vistos; e por aí fora. Em Bratislava, está a ser preparada, em panela de pressão, a assinatura do acordo a 27 de Outubro e foi para lá que Gabriel levou a sua cábula das correcções ao texto do tratado, que prometeu aos seus correligionários para que lhe dessem luz verde: melhorias quanto à independência dos tribunais arbitrais, defesa dos serviços públicos, leis de protecção dos trabalhadores, introdução do princípio da precaução e reforço da defesa dos consumidores. Veremos, promessas leva-as o vento. [Read more…]

Há que proteger os monstros

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A compra da Monsanto pela Bayer representa mais um ponto alto neste absurdo sistema insustentável que tão bem serve os interesses dos grandes e no qual os pequenos engolem tudo por mor do existencial argumento do emprego.

Nunca uma empresa alemã pagou um valor tão elevado (66 mil milhões de euros) por uma empresa estrangeira e, mesmo sob o ponto de vista empresarial, ainda está para se ver se o espectacular negócio irá dar certo. Não raro, a fusão de duas culturas empresariais diferentes acaba em pesadelo, como aconteceu com a Daimler, que pagou 40 mil milhões de dólares pela americana Chrysler. Mas isso é um problema deles. O nosso problema é que este tubarão da indústria química adquire um bombástico “valor sistémico” e catapulta-se para posição ainda mais confortável no que concerne à manipulação de governos e coacção de cidadãos. A Monsanto – conhecida pelas suas obscuras práticas, como a proibição de utilização de sementes provenientes de colheitas das suas sementes transgénicas e pelas funestas consequências do pesticida glifosato – passa agora para as mãos de uma empresa farmacêutica que já tem que se lhe diga. [Read more…]

Manipular a economia é desígnio divino e não merece castigo.

db

O Departamento de Justiça dos EUA pretende multar o Deutsche Bank em 14 mil milhões de dólares pelo seu envolvimento numa série de atentados terroristas que culminaram na crise financeira que afundou a economia mundial, levando países como Portugal e a Grécia na enxurrada. A jihad neoliberal arrasou tudo à sua volta, exceptuando, claro, as elites que tão bem souberam aproveitar o sangue nas ruas para comprar propriedade, como aconselhava em tempos um famoso terrorista venerado pela seita. [Read more…]