Medo e democracia

Sim, o referendo italiano era uma distorção redutora e maniqueísta de um conjunto complexo de problemas. Um golpe, portanto. Que, entre outras questões, evidencia a impossibilidade de discutir em profundidade o mérito das propostas em confronto, já que elas jamais se reduziriam a uma dicotomia tão simplória.

Terminados os actos, vejo, não sem surpresa, muitas pessoas a verberar aqui os votantes que escolheram o “não”, acusando-os de abrir as portas a eleições e, portanto, à ofensiva eleitoral da extrema direita. Ora, se nos lembrarmos que a Itália era governada por um comissário político não eleito e imposto pela força hegemónica na União Europeia, pergunto: desde quando este terror pela possibilidade de eleições tomou conta da nossa razão? O que vale o argumento segundo o qual os votantes do “não” estão ao serviço da extrema-direita pelo facto de quererem eleições?

Perguntando de outro modo e tentando compreender estes receios: o que é, agora, a democracia? Ou: o que vamos fazer do que fizemos da democracia? Era bom trocarmos umas ideias sobre o assunto.

Ars Magna

gold-01

No ano de 1974, ano da Revolução dos Cravos, as reservas de ouro do Banco de Portugal ascendiam a cerca de 866 toneladas. Passados trinta anos, no ano de 2004, essas reservas eram já de 462 toneladas. Num período de apenas três décadas, a democracia portuguesa fez desaparecer quase metade das suas reservas de ouro, ou seja, cerca de 404 toneladas.

Segundo noticiou o Jornal de Negócios na sua edição online de 16 de Maio de 2016, o Banco de Portugal terá informado que as reservas actuais de ouro são de 382 toneladas, mas mais de metade dessas reservas, 55%, encontram-se fora do país. Só no Reino Unido, país que não pertence à Zona Euro e que se encontra em processo de saída da União Europeia, estão 48,7% das reservas de ouro portuguesas.

[Read more…]

Um dia decisivo para a Europa

nh

Hoje é mais um dia decisivo para a Europa. A ameaça está de volta e a Áustria poderá ser o próximo país governado pela extrema-direita. Ao contrário daquilo que afirma o DN, Norbert Hofer não será “o primeiro chefe de Estado da extrema-direita na Europa desde a Segunda Guerra Mundial“. Esse título já foi atribuído a Viktor Orbán. Mas não se preocupem com nada disto. O perigo real é esse tratante do Tsipras e a diabólica Geringonça. Putin, Le Pen, Trump, Farage e Geert Wilders send their regards!

Foto@Heute

Ideias feitas

Carlos Araújo Alves

Nunca a direita entrincheirada aceitará que Estaline, ao derrotar Hitler, permitiu que a Europa continuasse a viver em Democracia, nem a esquerda entrincheirada aceitará que Fidel, apesar da inicial libertação do seu povo do colonialismo, da constituição de um dos melhores sistemas públicos de saúde e de ensino, fosse um ditador feroz.
A vida é tecida destas contradições, cuja falta de liberdade de quem se mete em trincheiras de ideias feitas não consegue ver, quanto mais aceitar.

Cuba

Fidel Castro foi um ditador, isso é inquestionável, não vou entrar na discussão se foi dos piores facínoras ou um pouco mais suave. Não existem ditaduras boas, uma bala metida na nuca de alguém por um esbirro de Fidel Castro ou de Pinochet, produziu seguramente o mesmo resultado, tirando a vida a alguém que pensava de forma diferente, mas também não festejo a morte seja de quem for, prefiro os ditadores apeados do poder em vida, se possível julgados pelos seus crimes, nada mais a dizer.
Visitei 2 vezes a ilha em 1997 e 2005, gosto de Cuba, aprecio a maneira de ser do povo cubano, os ritmos musicais, a salsa e rumba bem dançados por mulheres lindas, adoro a cor do mar azul-turquesa, as águas cálidas, bom clima, excelente peixe e marisco, beber água de coco na praia ou piscina durante o dia, à noite o mojito ou “cuba libre” são indispensáveis, na minha 1ª visita ainda desfrutei os “puros”, na 2ª havia um ano e meio que tinha deixado de fumar, o que mantenho até hoje, mas nunca estive tão perto da recaída como na noite em que me ofereceram um no Tropicana. Cuba oferece ainda paisagens naturais de excelência, verdadeiros quadros ao alcance de quem não se fica por um resort de Varadero ou hotel em Havana. Acresce ainda o país ser um verdadeiro museu automóvel e apesar da degradação das casas, manter um aspecto pitoresco nas cidades, vale a pena além da visita obrigatória ao centro de Havana, passar por Santiago ou Trinidad. [Read more…]

Y en eso llegó Fidel

Crónica do Rochedo XI – A morte de Rita Barberá

o-barbera-facebook

Há uns dias vi uma reportagem do canal televisivo espanhol Antena 3 sobre Rita Barberá. Nesse momento decidi que tinha de escrever sobre a reportagem em causa. A preguiça foi adiando a empreitada. Até que ontem, Rita Barberá foi encontrada morta num quarto de hotel em Madrid.  Sofreu um enfarte, segundo o que se pode ler nos jornais espanhóis.

Vamos por partes. Quem foi Rita Barberá? Foi a presidente da Câmara de Valência (Alcaldesa como se diz por aqui) durante 24 anos, pelo Partido Popular (PP) e grande obreira das vitórias do seu partido na “Comunidad Valenciana”. Adaptando à nossa realidade, foi um dinossauro político e daqueles bem grandes – a ela muito deve o PP de Aznar e ainda mais o de Rajoy, de quem era amiga pessoal. Enquanto autarca revolucionou Valência (para o bem ou para o mal dependendo das opiniões e dos alinhamentos partidários de cada um). Uma coisa é certa, existe um antes e um depois de Barberá em Valência. E só isso já é relevante. Até que…

[Read more…]

Legal ou ilegal? Dá igual!

votacao-ceta-ep

Tal como se previa, foi rejeitada no Parlamento Europeu a proposta de resolução para solicitação ao Tribunal de Justiça Europeu de um parecer sobre a legalidade do Sistema de Tribunal de Investimento (ICS) contido no CETA. A maioria dos eurodeputados acha que isso agora é de somenos relevância, picuinhices! Importante mesmo é o sprint final para começar a aplicar o acordo, o resto logo se verá. A Valónia até já tinha exigido esse controlo jurídico, mas isso fica para sabe-se lá quando e a ver…

A Associação Europeia de Juízes e a sua congénere Alemã, além de numerosos outros juristas, acreditam que o Sistema de Tribunal de Investimento incluído no CETA não é legal ao abrigo da legislação da UE. Azar o nosso, nem a Comissão, nem os nossos representantes no Parlamento Europeu querem tirar isso a limpo, basta-lhes a opinião dos seus próprios serviços jurídicos – pois claro, por acaso isto até nem tem implicações gigantescas para nós. Os Srs. eurodeputados estão-se nas tintas para nós e para o que isto nos vier a custar!

Portanto, caros leitores, a próxima estação é a votação do acordo pela Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu (INTA), no dia 5 de Dezembro, e cerca de uma semana mais tarde sairá o veredicto do plenário. Agora digam lá que a burocracia em Bruxelas é lenta! Isto foi num abrir e fechar de olhos e só porque sim.

Portanto, quando tiver oportunidade, não se esqueça de ir votar no PSD ou no PS, que quase em força também alinhou nesta trama que vai tramar à grande o peixe miúdo.

Via vergonhosamente ultra rápida para o CETA!

justizia1

A passagem do CETA (o acordo de comércio livre UE-Canadá) no Parlamento Europeu está a ser conduzida a uma velocidade meteórica e levando tudo raso pelo caminho.

Estorvos democráticos, como a audição de comissões relevantes, conforme sucedeu com acordos comerciais anteriores? Interdito!, decidiu a Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu (INTA), que lidera o processo de votação do CETA no PE; Debate no Parlamento Europeu sobre uma proposta de resolução subscrita por 89 eurodeputados – entre os quais Ana Gomes (PS), Marisa Matias (BE) e Miguel Viegas (PCP) – solicitando ao Tribunal de Justiça Europeu um parecer sobre o previsto Sistema de Tribunal de Investimento (ICS) contido no CETA e destinado a permitir que empresas processem os governos por aprovarem legislação susceptível de prejudicar os seus lucros? Bloqueado!, decidiram maioritariamente os próprios eurodeputados no passado dia 21 de Novembro, com 184 votos contra, 170 a favor e 9 abstenções.

Os sinaleiros de serviço são o EPP (Partido Popular Europeu) e o S&D (Socialistas e Democratas), com o Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, à cabeça das manobras. Dos eurodeputados portugueses, Carlos Coelho, Sofia Ribeiro e Paulo Rangel do PSD, bem como Ricardo Serrão Santos, Pedro Silva Pereira e Carlos Zorrinho do PS, foram dos que votaram contra a maçada do debate no PE. Discussão democrática nas instituições europeias? Só empata.

Portanto sem debate congestionante, será hoje, quarta-feira, votada no PE a proposta de resolução para pedido de parecer ao Tribunal de Justiça Europeu sobre a compatibilidade do Sistema de Tribunal de Investimento (ICS) com os tratados e as leis da União Europeia. O resultado é previsível, não se esperam acidentes.

É que há que despachar o andamento, pois a votação no PE sobre o próprio CETA, inicialmente prevista para o início de 2017, está agora com a data indicativa de 14 de Dezembro, para 2016 terminar fluidamente com chave de ouro. A maioria dos eurodeputados está preparada para fazer uma curta vénia às muitas centenas de páginas do acordo e voilà! luz verde para a aplicação provisória do CETA!

Todas as religiões são iguais, mas algumas são mais iguais que outras…

Um chef desloca-se a Israel por razões profissionais, que nada têm a ver com política. Porque alguém ousa não seguir a manada do politicamente correcto, bestas radicais deixam a sua marca de intolerância nas paredes do espaço comercial. Até que as autoridades encontrem e interroguem os cobardes agressores, o que duvido venha a acontecer, não poderemos saber de facto se estamos em presença de anti-semitismo, o que seria um crime muito grave. Curioso, ou talvez não, foi até agora não ter este episódio merecido a mesma veemente condenação por boa parte da opinião publicada e organizações políticas responsáveis, despudoradamente alguma esquerda folclórica próxima da geringonça até apoia os fundamentalistas, estão bem uns para os outros. Depois admirem-se com o crescimento de fenómenos políticos extremistas ou securitários na Europa, o cidadão comum não gosta de bandalhos nem bandalheira. E como resultado não poderia ser pior, do ponto de vista de acção política que era o que pretendiam, como contributo para a discussão do problema israelo-palestiniano é irrelevante, para o chef Avillez foi um tremendo golpe publicitário graças a estes idiotas úteis…

Bilhete do Canadá – Ganda Rebaldaria

ivanka-trump-bracelet-2016-11-15

Ivanka Trump, que faz gala em exibir-se ao bom estilo da boazona pirosa, deu uma entrevista ao programa 60 Minutos, da CBS, e deixou perplexos os entrevistadores que se perguntam, agora, que jogo escondido tem a rapariga e o marido. Afirmou e reafirmou, com a maior candura, que o papá a convidou a fazer parte da sua equipa governamental… mas sem pasta. Vai lá estar, diz ela, apenas como filha. Todos estão desconfiados que vai ser, de facto, a primeira dama. De resto, Trump pai opinou a rebentar de orgulho: “A Ivanka é realmente uma beleza. Se não fosse minha filha, era minha namorada”. É de cavalheiro. God bless you America.
Durante toda a entrevista, Ivanka agitou o braço onde exibia uma espampanante pulseira de ouro. No dia seguinte, os responsáveis pelo programa foram abordados por um vendedor da ourivesaria de que a dama é cliente para sugerir que publicitassem a pulseira, posta à venda por cerca de 11 mil dólares, uma pechincha, desde que fosse adquirida através do website de Ivanka. É o que se chama ir com sede ao pote.
Entretanto, Obama e McCain prometem refilar, alto e bom som, quando surgirem anomalias trumpescas. Coitados, vão ser uns mouros de trabalho diário em full time.

O rei vai nu – denuncia Piketty

faixa3

É posta deste modo a nu por Piketty a esquizofrenia e hipocrisia dos “tratados de comércio livre”, com especial referência ao CETA :

“Não deveriam ser assinados mais acordos internacionais que reduzam os direitos aduaneiros e outras barreiras comerciais sem que sejam incluídas medidas quantificadas e vinculativas para combater o dumping fiscal e climático nesses mesmos tratados. Por exemplo, poderiam conter taxas mínimas comuns de imposto sobre as sociedades e metas para as emissões de carbono que possam ser verificadas e sancionadas. Não é possível continuar a negociar tratados de comércio livre sem nada em troca. Deste ponto de vista, o CETA, o acordo de comércio livre UE-Canadá, deve ser rejeitado. É um tratado que pertence a outra era. Este tratado estritamente comercial não contém absolutamente nenhuma medida restritiva em matéria fiscal ou climática. Faz, porém, considerável referência à “protecção dos investidores”, permitindo às multinacionais processarem os estados em tribunais de arbitragem privados, contornando os tribunais públicos disponíveis para todos “.

Os nossos governos andam a brincar aos samurais contra o aquecimento global na cimeira do clima em Marraquexe, fazendo de conta que não notam – e atirando-nos muita areia para os olhos – que com os seus acordos de “comércio livre” promovem exactamente o oposto; e, da mesma assentada, fazem-nos reféns do grande capital. Como de parvos nos fazem!

Vale a pena saber como os deputados portugueses no Parlamento Europeu vão votar em relação ao CETA. Peça-lhes para votarem contra, aqui : https://www.nao-ao-ttip.pt/ceta-check/

Ficaremos assim também a saber qual é o conceito de democracia dos nossos eurodeputados, indicado pelo facto de responderem, ou não, aos cidadãos que legitimam a sua presença no PE.

A arte da mentira

Rui Naldinho

Após a eleição de Donald Trump muito se tem falado das razões mais profundas que estiveram na origem da sua vitória. Teoriza-se sobre tudo sem se ter a certeza de nada. Analisam-se as motivações para tantas mentiras  do republicano vitorioso nesta eleição. E como o povo americano se deixou seduzir por elas.

Ferreira Fernandes fala no Diário de Noticias da “pós-verdade”, como a palavra do ano. “Uma homenagem ao Brexit e a Trump. É um adjectivo que define uma sociedade pasmada com a realidade. Espero que passe a substantivo, já. É que, se a verdade é dura, a pós-verdade, que é uma mentira, pode distinguir-se talvez melhor, pois é mole.”

Se tudo isso está em conformidade com o pensamento dominante, há questões que, no entanto, não podem deixar de se colocar. [Read more…]

Valha-lhes São Schäuble

Com estas palavras de Pierre Moscovici, a Comissão Europeia deitou para o lixo um ano de discurso do medo.

PSD, CDS e outros terroristas da palavra ficaram desarmados e balbuciam incoerências, mas apenas porque a sua profissão é não estar calados.

Jornalistas, à míngua de apocalipses para títulos, gaguejam e nem São Schauble, padroeiro dos sem alternativa, lhes vale.

Enfim, uma chatice! Pior: uma geringonça! Pior ainda: o diabo!

Como o Facebook permitiu a vitória de Trump

image

Um artigo na Wired explica a forma como o Facebook contribuiu para a vitória de Trump. Não foi tanto pelas notícias falsas, isso deve ter sido mais reservado ao Twitter, mas sim pela angariação de fundos e pela observação, em tempo real, do efeito do arranjo das comunicações de campanha (se funcionava melhor um vídeo ou uma imagem estática; se certo destaque devia estar antes ou depois do título; etc.). O grande investimento em propaganda por parte da campanha de Trump foi, precisamente, no Facebook. Leitura obrigatória para os nossos doutores em rotação.

Here’s how Facebook actually won Trump the presidency

Nada a que os pafiosos estejam desatentos, dada a experiência demonstrada no império do click, montado durante o anterior governo (Observador, perfis falsos no Facebook, equipa de produção de fotomontagens, constante produção de “factos” políticos, etc.).

A América que elegeu Trump

Crimes de ódio contra muçulmanos nos Estados Unidos aumentam 67% em 2015 [Expresso]

O estranho caso do elogiador de Trump

Uma história com contornos obscuros, em estreia na página d’Os truques da imprensa portuguesa.

Esoterismo e Política

© Bruno Santos

© Bruno Santos

Pacheco Pereira deu nota recente da sua preocupação com o estado actual do PSD, referindo que as direcções distritais do partido estariam todas entregues à Maçonaria. É possível que esse fenómeno não seja um exclusivo do seu partido, uma vez que se verifica uma disseminação muito ampla de membros do GOL e da GLRP por diferentes patamares do poder, seja público ou privado, desde as autarquias ao governo central, passando por múltiplos outros sectores, instituições e orgãos de soberania. Este texto pretende enquadrar com simplicidade o fenómeno do ponto de vista histórico e permitir uma leitura mais rigorosa e prática daquilo que verdadeiramente pode estar em causa, quer no quadro estritamente político, quer num âmbito mais alargado, ao qual não é alheio o esforço continuado de conquista, distribuição e exercício do poder.

[Read more…]

Winter is coming – entrevista a Garry Kasparov

Uma entrevista muito interessante sobre o domínio de Putin. Na Antena 1, programa Visão Global.

image

Rage Against New Balance

nb

Matt LeBretton, responsável de relações públicas da empresa de calçado e vestuário desportivo New Balance, fez as seguintes declarações:

A administração Obama fez-nos ouvidos de mercador e, francamente, com o presidente eleito Trump sentimos que as coisas vão avançar na direção certa

E o boicote começou. Por todo o lado, clientes desiludidos estão a publicar e a partilhar vídeos em que sapatilhas da marca norte-americana são atiradas pela janela, colocadas no balde do lixo ou simplesmente queimadas. De ícone de moda, as sapatilhas da New Balance passaram a alvo a abater.  [Read more…]

Crónicas do Rochedo X – Trump e Europa

494483504

Escrevo este texto num computador americano. O meu telemóvel é americano. O meu carro é americano (e alguns dos meus carros de sonho são americanos). Compro música (sim, ainda sou dos que compra música) num site americano e muita da minha música é americana (a minha banda de música preferida não sendo americana tem um álbum, o seu melhor até hoje, feito e inspirado nos EUA). As minhas calças preferidas são de uma marca americana. Assim como as minhas botas. Um dos meus escritores preferidos é americano. E por aí fora. Os EUA fascinam-me. Desde miúdo.

É um país excepcional. Como todos os outros, a começar pelo nosso, com virtudes e defeitos. É o expoente máximo da liberdade e, até por isso, no seu seio podemos encontrar desde o mais retinto racista aos mais perigoso fanático religioso passando pelo mais básico dos básicos. Sendo um verdadeiro “país continente” nele se encontra de tudo. E em doses à imagem e semelhança do seu tamanho. O que o torna ainda mais fascinante.

Ora, os americanos decidiram, através do voto, escolher Donald Trump para seu Presidente. Se é verdade, a mais pura verdade, que ainda estou em choque com a escolha, também o é que não falta muito para me obrigarem a defender o homem. Quando ouço o Presidente francês comentar como o fez (tanto no tom como no conteúdo) o resultado das eleições americanas; quando ouço as últimas declarações de Junker fico pasmado com a lata.

[Read more…]

Zona de desconforto

trump-lepen-2015
Miguel Szymanski

Adoramos Cohen ou Bowie e sabemos onde é a Gulbenkian. Não usamos palitos à mesa, fazemos gala em ir ao casamento de amigos gay e somos contra alimentos geneticamente modificados, porque sim. Passamos férias em cidades interessantes, onde temos amigos e conhecemos cafés e restaurantes óptimos e achamos importante que as nossas filhas e filhos aprendam violino, piano ou pelo menos flauta.
Sorrimos da gramática e ignorância da população tendencialmente obesa que ouve Ágata e se alimenta de frango industrial, bebe vinho de pacote e refrigerantes açucarados e pensa que a Teresa Guilherme e aquele senhor do Preço Certo são vultos da cultura.
Depois, um dia, admiramo-nos que as massas incultas usem a democracia para nos puxar o tapete debaixo dos nossos sapatos elegantes.

Que diferença face a Trump. E por cá, aprendam também.

God Bless América

Rui Naldinho

O carater vitorioso de uma candidatura é determinado, mais pelo conjunto de interesses que ela consegue aglutinar à sua volta, do que pelas ideias propostas ao eleitorado.

[Read more…]

Dili

dili_massacre
Foi assim
há 25 anos.

Bernie Sanders

bernie_sanders_smile_wave_ap_img

“Milhões de americanos registaram o seu voto de protesto na última terça-feira, expressando a sua oposição feroz a um sistema político e económico que coloca a riqueza e os interesses das grandes corporações acima dos interesses do povo americano. Apoiei Hillary Clinton com grande empenho, fiz uma intensa campanha em seu favor, e acreditava que ela seria a escolha certa no dia das eleições. Mas Donald J. Trump ganhou a Casa Branca porque a sua campanha retórica obteve grande sucesso junto de uma população legitimamente revoltada, na qual se encontram muitos americanos que tradicionalmente votam no partido Democrata.

Estou triste, mas não estou surpreendido, com o resultado. Para mim não é surpreendente que milhões de americanos tenham votado no Sr. Trump por estarem fartos e cansados do status quo económico, político e mediático.

[Read more…]

O eleitor não é inocente

viena2004castigo

(publicada no diário As Beiras a 10/11/2016)

A propósito das eleições americanas, regressou ao debate uma questão que é um clássico da ciência política. Devemos criticar ou não os eleitores pelos resultados de candidatos com potencial destrutivo para a sociedade, como Marine Le Pen, Donald Trump ou o britânico Nigel Farage? Há quem julgue que não se deve culpar o eleitor. A culpa é remetida exclusivamente para os restantes candidatos e respetivos programas, desculpabiliza-se o eleitor argumentando, por exemplo, que nenhum candidato é bom, logo é aceitável votar num candidato desbocado.
A própria definição de democracia requer que ninguém deve estar à margem da crítica ou do escrutínio, inclusivamente o eleitor. Mas mais do que catalogar negativa e cegamente todos os eleitores deste perfil de candidatos, interessa sim interpelá-los em questões concretas e fundamentais. No caso dos candidatos referidos é especialmente difícil debater diretamente assuntos basilares da sociedade, como a igualdade de género, o respeito pelas minorias, a orientação sexual ou a laicidade. Mas quem não pode fugir a estes debates são as respeitáveis figuras públicas que apoiam personagens deste calibre. Entre os apoiantes de Trump estão veneráveis mecenas, banqueiros e personalidades como Clint Eastwood, Slavoj Žižek ou Rudolph Giuliani. É a estes que deverão ser colocadas as questões que dolorosas que vão do racismo à misoginia de Trump.

Obamacare: o primeiro recuo de Trump?

Depois de prometer acabar com a reforma do sistema de saúde de Obama nos primeiros 100 dias de mandato, Trump parece agora inclinado para aceitar uma versão alterada da lei. Sai um chá para a mesa do Tea Party.

Um conselho a Donald Trump…

Juncker afirmou que Trump desconhece o funcionamento da Europa, pelo que teremos dois anos desperdiçados até que o próximo inquilino da Casa Branca adquira a noção da realidade para lá das fronteiras dos EUA. Talvez seja avisado Trump perguntar ao antigo Secretário de Estado, Republicano, nascido na Europa, Henry Kissinger, se já tem o indicativo para marcar o número e fazer a chamada para o cada vez mais velho, ultrapassado e irrelevante Continente…

Donald Trump e a memória da Democracia

poroschenko_merkel_and_biden_security_conference_february_2015

A 21 de Novembro de 2013 dava-se início à Euromaidan, uma onda de manifestações “populares” na Praça da Independência da cidade ucraniana de Kiev. Os manifestantes exigiam mais “integração europeia”, assim como a resignação do Presidente Viktor Yanukóvich, eleito em Fevereiro de 2010.

A 18 de Fevereiro de 2014 dá-se a chamada Revolução Ucraniana, um conjunto de acontecimentos provocados por milhares de manifestantes pacíficos – alguns deles snipers – fortemente armados e com impecável organização militar, apoiados pela União Europeia e pelos Estados Unidos, cujo propósito era depor o Presidente eleito, fazer entrar no país o FMI, o Banco Mundial e o BCE, e conquistar território estratégico sob a influência política, económica e militar russa.

[Read more…]