E ninguém se demite?

Segundo o PSD, um bombeiro ferido com gravidade no incêndio de Pedrógão Grande teve que esperar cerca de 10 horas até chegar ao hospital.  Pelo caminho, contam-se duas idas ao centro de saúde de Castanheira de Pera, unidade sem condições para tratar o bombeiro Rui Rosinha, que acabaria por dar entrada no Hospital da Prelada por volta das 06h de Domingo.

A confirmar-se o relato, estamos perante uma situação de absoluta gravidade, que deve ser alvo de um rigoroso inquérito para que as responsabilidades sejam devidamente apuradas. Não é compreensível que uma situação destas aconteça. Não é aceitável que um bombeiro gravemente ferido espere 10 horas por tratamento adequado. Não é admissível que tudo isto aconteça sem que rolem cabeças. Os ministérios da Saúde e da Administração Interna têm explicações a dar ao país.

Foto: Lusa@RTP

Do incompreensível

© Mónica Joady

Ontem, dia 20 de junho de 2017, em pleno Luto Nacional pela catástrofe que assolou Pedrógão Grande e o país durante o fim de semana, antes ainda de terem decorrido os funerais das vítimas, o PS Gaia fez a festa de apresentação de mais uma candidatura autárquica.

Será este o sentido que toma a tal “grande consternação” e a “solidariedade com as vítimas” manifestadas pela classe política?

Na imagem (recolhida durante a sessão): Eduardo Vítor Rodrigues, secretário nacional do Partido Socialista e presidente da Câmara de Gaia, ao lado de Maria José Gamboa, candidata do PS a uma Junta de Freguesia, durante a sessão de apresentação da sua candidatura. Sem palavras.

Aqui pode ver-se o resto da festa.

© Mónica Joady

 

 

A voz do dono

Ser militante ou simpatizante de um partido político e apoiante de um governo em funções não pode significar trair o povo a que se pertence. A militância ou a simpatia terminam onde começa o valor maior da verdade e da justiça, ou quando são colocados em causa interesses superiores a qualquer ideologia ou filiação política, como é o caso da vida humana.

Se algum responsável público, seja de que partido for, violar, por acção ou omissão, negligente ou premeditada, os deveres públicos a que está vinculado, é direito e obrigação de todo o cidadão exigir que seja responsabilizado por isso e que preste contas à população que representa e tem que proteger. Seja esse responsável público da nossa tribo política ou não seja. Se for, a responsabilidade que nos cabe aumenta.

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Incêndios: Bloco de Esquerda arrasa Governo

“Incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia”

“Sabemos que as condições meteorológicas constituem uma variável importante no número de ocorrências de fogos florestais, mas não é legítimo responsabilizar apenas as condições meteorológicas como o Governo está a tentar fazer”, avançou. Para o dirigente bloquista, “a incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia”.“Sabemos que a região sul da Europa e Portugal têm condições da floresta e meteorológicas propícias para a deflagração de incêndios, mas compete a um Estado competente colocar um dispositivo no terreno que permita contrariar os efeitos, tanto ao nível do ataque directo como da prevenção”, salientou o membro da comissão permanente do Bloco.“Não se conhecem deste Governo políticas florestais nem políticas de prevenção para a florestas”, acrescentou, sublinhando que, pelo contrário, o executivo tem apostado na liberalização do eucalipto e no ataque aos baldios, com a recente revisão da legislação.

O Nó Górdio

O Senhor Primeiro Ministro foi hoje à televisão levando no bolso Aristóteles e no gesto Alexandre da Macedónia:

– Foi azar. – disse.

Foi belo. Há que estar atento aos elefantes.

E depois da tragédia

As imagens e informações que nos chegam das áreas afectadas pela tragédia de Pedrógão Grande chocam, revoltam e fazem-nos sentir pequenos, impotentes. Dezenas de mortos, centenas de feridos e desalojados, uma gigantesca área florestal ardida, casas destruídas, animais carbonizados, colheiras arrasadas, o pânico e sofrimento das pessoas, um cenário desolador. Ano após ano, a história repete-se. Eterniza-se.

Existem muitos culpados, sabemos quem eles são, mas daqui a umas semanas as massas acabarão por esquecer e virar a página. Como fizeram com os milhares de fogos de 2013 ou com o grande incêndio na Madeira do ano passado. E não, não o fazem por serem insensíveis ou más pessoas. Fazem-no porque a vida é uma correria, porque são inundadas de informação nova a cada minuto, porque o campeonato recomeça em Agosto, porque o Verão vai ser de poluição eleitoral, enfim, por uma mão cheia de razões. Lambem-se as feridas, enterram-se os mortos, a vida recomeça e a dor permanece apenas entre aqueles que verdadeiramente viveram o inferno das chamas. [Read more…]

Pedrógão Grande e a segurança interna

Aquilo que se passou, e está a passar, em Pedrógão Grande, é uma falha multidimensional no cumprimento de deveres fundamentais que cabem ao Estado. Uma das dimensões dessa falha, que até agora não parece ter merecido a atenção devida, pelo menos publicamente, é a da própria Segurança Interna. Não só no plano civil, mas também no plano militar.

A exposição das populações e do território ao tipo de risco que o incêndio de Pedrógão representa, e que neste caso se traduziu numa catástrofe humana, não é assunto do âmbito estrito da Administração, mas abrange a própria Segurança Interna e o serviço de informações, civis e militares, do Estado Português. Não é compreensível que uma fragilidade desta dimensão não seja conhecida desses serviços e que os mesmos não tenham alertado as hierarquias respectivas para a possibilidade de um acontecimento desta natureza, resultante da falência combinada dos sistemas de comunicação, de organização e de operacionalização dos meios de defesa e combate a uma ameaça repetidamente anunciada, expondo as populações e o território.

Dói-dói, senhor deputado?

Não há tragédia neste país sem que o aproveitamento político dê o ar da sua graça. Hélder Amaral tem razão nas questões que levanta, mas faz uma péssima figura quando afirma que “não basta um Presidente da República dar beijinhos no dói-dói, e dizer que não há nada a fazer“. Não só porque não é o momento para que um representante eleito se dedique a guerras de propaganda com conteúdos brejeiros, mas também porque Marcelo teve pelo menos a dignidade de se deslocar aos locais afectados pelas chamas, o que não sendo mais do que a sua obrigação, não deixa de ser revelador da nova era que se vive em Belém. [Read more…]

É preciso evitar falar em responsáveis

A verdade sobre o que aconteceu em Pedrógão é insuportável. É esse o motivo pelo qual os agentes políticos e os seus porta-vozes evitam, a todo o custo, falar em responsabilidades. Foi conhecendo já a verdade insuportável que o Presidente da República se apressou a dizer que “fez-se o máximo que se podia ter feito”. Mas não fez. E a própria declaração apressada do Presidente foi o primeiro sinal de que uma gravíssima negligência tinha ocorrido e que a estratégia de protecção mútua dos responsáveis políticos tinha começado.

Enquanto os bombeiros apagam o fogo e as televisões facturam, por detrás da cortina há reuniões permanentes de gabinetes, encontros assessorados por empresas especializadas na gestão da comunicação em ocasiões de crise, há snipers anónimos espalhados pelas redes sociais, cooptados nas juventudes ou entre dirigentes partidários arruaceiros contumazes, mais propensos à cacetada e ao vernáculo de taberna, cuja missão é insultar quem questione a palavra de ordem: é preciso proteger a imagem do governo. É preciso evitar que se fale em responsáveis. Daqui a uma semana já ninguém se lembra disto.

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Pedrógão, conhecer é lembrar

O ministro Capoulas dos Santos atribuiu hoje a tragédia de Pedrógão a fenómenos meteorológicos paranormais.
Há aspectos em que este governo se está a tornar melhor do que o anterior. Um deles é a falta de vergonha.

Notícia de 18 de Maio de 2017:

Falha total do sistema de Protecção Civil

© Expresso

A consternação, cada um que a viva a sós consigo, para que ninguém mais possa avaliar a sinceridade com que o faz.
A denúncia da tentativa de desresponsabilização imediatamente iniciada por governantes e políticos, essa, deve ser pública e sem tréguas.

Há vários factos inéditos nesta tragédia. Um deles é a imediata resposta do sistema de propaganda e contra-informação que, de modo muito eficaz, procurou culpabilizar a trovoada seca e os relâmpagos pela absoluta inaptidão dos meios de protecção civil, inaptidão essa que ainda há poucos dias foi denunciada, pela segunda vez, pelo presidente da Câmara Municipal de Vila Real e líder dos autarcas socialistas, a propósito do acidente ocorrido no túnel do Marão que, felizmente, causou apenas danos materiais. Desta vez.

A “optimização de recursos” e o governo do país guiado pelas folhas de Excel tem os seus custos. Por vezes incomportáveis, como é o caso vertente. Em ano de eleições autárquicas, seria importante avaliar a quantidade de dinheiros públicos que estão a ser desviados para festas, festivais culturais, conferências sobre investimento inteligente, inaugurações de pedras, subsídios a instituições para compra de votos, pagamento a snipers anónimos que campeiam pelos blogues, perfis falsos de feicebuque, compra de meios de comunicação locais e o mais que constitui o regabofe dos orçamentos autárquicos em ano de eleições, ao mesmo tempo a que se assiste à degradação contínua dos serviços públicos e ao abandono do interior do país.

Sábado, 17 de Junho de 2017, cerca das 9h00, quase toda a comunicação social fez eco do aviso lançado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, que colocou quatro distritos em Alerta Vermelho, prevendo temperaturas de 44 graus para algumas zonas do país e elevado risco de incêndio em praticamente todo o território, com natural agravamento nas zonas do interior.

Eram 14h00 quando o incêndio teve início, em Escalos Fundeiros, no concelho de Pedrógão Grande. Só às 19h00 o IC8 foi cortado, entre a zona industrial de Pedrógão e o nó de Outão. Estavam no terreno 180 bombeiros, dois meios aéreos e 52 viaturas, num dos maiores incêndios de sempre em Portugal. A Barragem do Cabril, um imenso reservatório de água, fica a escassos dois ou três quilómetros do centro de Pedrógão Grande.

Às 21h30, já com várias aldeias cercadas pelas chamas, um bombeiro desaparecido, vários feridos entre civis, o Presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande afirma: “É impossível acudirmos a todas as aldeias. Estamos a todo o custo a ver se nos chegam bombeiros de Lisboa”.

Às 23h45, quase dez horas depois do início do incêndio, o Secretário de Estado Jorge Gomes fala e confirma a morte de, pelo menos, 19 civis.

Às 00h35 o primeiro-ministro chega à Autoridade Nacional de Protecção Civil. Cinco minutos depois, chega o Presidente da República a Pedrógão Grande, afirmando que “se fez o máximo que se podia ter feito”.

Às 5h00 o Governo declara “estado de contingência activa”, explicando que “isso torna possível o acesso a mais meios e a outras possibilidades” (!)

Às 9h00 confirma-se a existência de 43 vítimas mortais.

Às 10h00 estavam no terreno, segundo o jornal Expresso, “cerca de 800 operacionais, apoiados por 244 viaturas”. Quando chegaram, não se sabe.

Às 10h10 o director da Polícia Judiciária afirma ter sido encontrada “a árvore que foi atingida por um raio”, alegadamente responsável pelo maior e mais mortífero incêndio de que há memória em Portugal.

Às 10h30, cerca de vinte horas depois de ter início o incêndio, chegam meios aéreos de Espanha e estão a caminho três aviões fornecidos pela República Francesa.

Às 13h30 o governo decreta três dias de luto.

 

Paulo Fernandes, do departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em declarações à RTP, afirma que houve uma “falha total do nosso sistema de proteção civil”. Em causa, por exemplo, “o não encerramento de algumas estradas ao trânsito” e o facto de “não haver um único meteorologista especializado em incêndios florestais que esteja a trabalhar em situação operacional.

 

Portugal e o rating da Fitch: dating with ratings

Na passada sexta-feira António Costa mostrou-se satisfeito com uma decisão da Fitch, ao mesmo tempo que Passos Coelho a desvalorizava, afirmando que não era a primeira vez que a agência dava uma visão positiva sobre a dívida portuguesa.

Com efeito, depois da derrocada de 2011, foi preciso esperar até Abril de 2014 para a Fitch atribuir-nos um “BB+; Outlook Positive”. Esta revisão manteve-se sem alteração até Março de 2016, altura em que foi revista em baixa para “BB+”, tendo assim ficado durante um ano, até ao passado dia 16.

Este relato é factual. Passemos agora à análise.

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Algo não bate certo

No país que bate recordes no défice, cujo ministro das finanças é um Cristiano Ronaldo, que cai novamente do goto das agências de rating, que vê a taxa de desemprego “descer” para níveis nunca vistos, cujo PIB dispara como um míssil, que substitui o Banco público por carrinhas, há dezasseis pessoas que morrem na estrada, dentro do carro, atingidas por um incêndio, sem que autoridade alguma o tivesse prevenido.

Onde fica Pedrógão Grande? Será que, neste caso, a Protecção Civil também estava a operar a partir de Almada?

Bandeira à meia-haste na sede do PSD

Os terroristas da Fitch decidiram que a perspectiva do rating da nação já não é tão má e as carpideiras já começaram a chegar à São Caeteno à Lapa.

A sina e a purga

Imagem: Jornal Sol

O Partido Socialista foi ontem protagonista de um triste espectáculo público que certamente embaraça muitos dos seus militantes e onde ficou clara uma propensão congénita, muito preocupante em democracia, para a arruaça e para a hipocrisia.

As declarações inadmissíveis do deputado Manuel dos Santos sobre uma militante socialista suscitaram o despertar violento do instinto de matilha, grosso e oportunista, cuja única motivação é política, de vingança sobre o militante prevaricador, que tem assumido posições discordantes com a actual direcção e apontou a gritante incoerência dos deputados do Porto no processo de candidatura de Portugal a sede da Agência Europeia do Medicamento – em segredo votaram por Lisboa e publicamente contestaram o “centralismo”.

A indignação tribal que Manuel dos Santos suscitou não radica em qualquer sentimento genuíno de ofensa pelas declarações que proferiu, antes resulta de um evidente oportunismo político, desmedida hipocrisia e uma arrogância que confirma as preocupações que muitos já manifestam com a aproximação do PS a uma maioria absoluta.

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Eduardo Mãos Largas

Porque a 15 de Junho foi feriado e foi 5.ª Feira, a 16 de Junho não se trabalha na Câmara de Gaia. Tolerância de ponto. Um mãos largas, este Eduardo Vítor Rodrigues.

Caves de Vinho do Porto: Gaia quer destruir património que antes quis classificar na UNESCO

A Câmara de Gaia, pelas mãos do seu presidente, prepara-se para licenciar a total descaracterização da Caves de Vinho do Porto, um património que ainda há dois anos anunciava querer candidatar a Património da UNESCO.

Eduardo Vítor Rodrigues afirmava ao Jornal de Notícias de 19 de Novembro de 2015 que “o prazo para a apresentação da candidatura termina no início de 2017. Mas vamos apresentar antes, no verão do próximo ano [2016]”. O autarca ainda acrescentou que “a equipa que irá preparar a apresentação da candidatura, que pretende incluir o Centro Histórico de Gaia, maioritariamente ocupado pelas Caves de Vinho do Porto, já foi constituída, estando já concluído o estudo de ordenamento do território naquele espaço”.

É preciso perguntar ao edil gaiense onde está essa candidatura e se realmente foi apresentada no verão de 2016, tal como prometeu. Deve igualmente esclarecer se o “estudo” apresentado à UNESCO contemplava a demolição de Armazéns de Vinho do Porto, a total descaracterização da encosta e a construção de um centro comercial de ferro e vidro, com mais de 30 mil metros quadrados e um parque de estacionamento para 150 carros.

A notícia que a seguir se reproduz é datada de 25 de Janeiro de 2015 e estava alojada numa página do site da Câmara Municipal de Gaia que entretanto foi apagada (arquivoweb.cm-gaia.pt/portais/_cmg/Imprensa.aspx?categoryOID…inicio=113…)

Nessa notícia, o presidente da Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, afirmava que “manter a imagem tem potencial económico” e que “a ambição da Câmara é valorizar este património, para que a imagem singular da encosta não se descaracterize”.  Agora afirma em tom irónico que  a zona das Caves “tem muito de tradição, de típico, de extraordinariamente histórico [sic], mas não é um espaço museológico”. No contexto das anteriores declarações (2015), o autarca de Gaia afirmou “querer fechar o triângulo”, associando a classificação pela UNESCO das Caves de Vinho do Porto à Serra do Pilar e ao centro Histórico da Invicta. A verdade, como a seu tempo veremos, é que este projecto demolidor para as Caves do Vinho do Porto colocará em causa a própria classificação atribuída pela UNESCO ao Centro Histórico do Porto.

Fica por saber o que terá levado Vítor Rodrigues a mudar de ideias em tão pouco tempo e de modo tão radical.

Epidemiologia da corrupção

Uma das estratégias utilizadas por aqueles que têm na corrupção o seu principal modo de vida é a sua vulgarização social. Espalhando por todo o lado o vírus do crime, infectando as instituições, os órgão do Estado, as empresas e a sociedade em geral, com essa maleita do apodrecimento moral, o corrupto pretende inscrever na ordem da prática e do discurso, no plano da legitimidade tácita, da aceitação pelo uso repetido e prolongado, um comportamento que é recusado e punido pela ordem jurídica e pelo princípio da liberdade e dos bons costumes.

O processo funciona de modo análogo à neurofisiologia da percepção. Se expusermos alguém, durante um longo período de tempo, a cheiros nauseabundos que suscitem inicialmente no organismo uma reacção de repulsa, a dada altura tem início um processo de adaptação neurofisiológica a esses cheiros, a essa agressão, adaptação essa que passa por ensinar ao corpo a reconhecê-los e registá-los como inócuos. Ou seja, a integrá-los no repertório de cheiros aceitáveis sob o princípio da homeostase. A partir daí o seu efeito sensorial será nulo, ter-se-á desenvolvido tolerância, integração, e desaparecido a sensação de náusea. Mas a toxicidade mantém-se inalterada. É isso que se passa com a disseminação da corrupção e a aparente indiferença social que ela suscita.

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Se é familiar de Carlos César, vai ser nomeado

Os amantes da Geringonça bem podem continuar a bradar contra Pedro Passos Coelho e a sua desastrosa governação. Têm toda a razão. Mas quando assobiam para o lado sempre que o assunto é o PS, perdem toda a credibilidade. Passam a ser apenas uma espécie de Insurgente ou de Observador em versão pseudo-Esquerda.
Ontem ficou a saber-se que Carlos César conseguiu a nomeação de mais um familiar para a Câmara de Lisboa. Já vai no quinto e outros mais se seguirão. Enquanto tiver familiares para nomear, ele não vai parar.
Dirão os geringonços que o PSD e o CDS andaram anos a fazer o mesmo. É verdade, andaram. Fizeram coisas destas e ainda piores. Mas por que é que agora fingem que não é nada com eles quando no passado não largavam o osso? Alguma coisa mudou?
Sim, mudou o nome do Partido.
A única coisa que não muda é Carlos César, que continua sem ter qualquer pingo de vergonha.

– Luísa César: Mulher de Carlos César, foi nomeada Coordenadora dos Palácios da Presidência ainda quando o marido liderava o Arquipélago. Mais tarde, foi nomeada, sem concurso público, Coordenadora da estrutura de missão para a criação da Casa da Autonomia, com um vencimento de 2.591 euros brutos mensais. Antes ainda da nomeação para estes cargos, liderou uma visita oficial ao Canadá, como cônjuge do Presidente do Governo Regional, onde gastou mais de 27 mil euros em 5 dias e onde se fez deslocar, durante esse tempo, numa limousine contratada localmente; [Read more…]

100 Milhões para destruir as Caves de Vinho do Porto

Projecto da obra

Beira-Rio antes do abate das Árvores (todas as árvores que se vêem na imagem, junto ao rio, foram cortadas)

A Câmara Municipal de Gaia, liderada pelo “socialista” Eduardo Vítor Rodrigues, prepara-se para “licenciar em dois meses” a desfiguração do mais valioso património material e imaterial de Vila Nova de Gaia – o seu Centro Histórico, as Caves de Vinho do Porto e a própria Marca de vinho mundialmente conhecida, que não deixará de ser negativamente afectada no caso de esta obra avançar.

O projecto privado apoiado pela Câmara Municipal e que toma o nome pomposo de World of Wine, é uma intervenção imobiliária que ultrapassará inicialmente os 30 mil metros quadrados e que prevê a total descaracterização de uma das mais belas paisagens urbanas do mundo, enchendo-a de vidro e cimento, com um “investimento” previsto de 100 milhões de euros. Para justificar o elevado interesse turístico desta aberração urbanística, os promotores dão como exemplo a Cité du Vin, um equipamento cultural também dedicado ao Vinho, situado na cidade francesa de Bordéus. As diferenças, como se pode verificar pelas imagens que aqui se reproduzem, não podiam ser maiores. Até no preço. O orçamento inicial da Cité du Vin de Bordéus era de 60 milhões de euros, acabando a obra por ficar nos 81 milhões. Bastante menos do que o previsto para destruir a zona mais nobre de Vila Nova de Gaia. Cabe a cada um tirar as suas próprias conclusões sobre os motivos da diferença de custo entre a belíssima estrutura arquitectónica erguida na cidade francesa, perfeitamente enquadrada com o rio e a cidade, respeitando o seu património e a sua história, e a “praça” de cimento e vidro que a Câmara de Gaia quer deixar plantar sobre os escombros de Património cujo valor histórico não pode sequer calcular-se.


Acresce que a Cité du Vin – designação bem mais modesta do que o magalómano e provinciano Mundo do Vinho – é um Centro Cultural e turístico cuja construção se fez na zona do porto de Bordéus, afastado vários quilómetros do Centro Histórico da cidade, não interferindo minimamente com a integridade do património aí localizado, nem destruindo a Identidade ou a unidade arquitectónica do núcleo urbano antigo. Além disso, é um projecto maioritariamente financiado com dinheiros públicos (81%), estando ao serviço da população e do turismo, ao contrário do centro comercial com que se pretende eliminar toda a memória histórica de Vila Nova de Gaia e estender a esplanada do exclusivo Hotel Yeatman.

Aliás, não é a primeira vez que a Câmara de Gaia opta por colocar em causa o património da cidade, seja ele edificado ou natural, material ou imaterial, demonstrando uma total insensibilidade a questões tão importantes como o equilíbrio ecológico, arquitectónico e cultural que a todos cumpre defender. Já no ano passado, Gaia foi destacada na imprensa internacional a propósito da intenção de realizar um festival de música em cima da Reserva Ecológica do Estuário do Douro, facto que suscitou veementes protestos aos quais o jornal inglês The Guardian deu o eco internacional. Na altura, a Câmara Municipal foi obrigada a recuar. Espera-se que, desta vez,  as autoridades que têm por dever garantir a integridade do património nacional e a legalidade da actuação do poder local neste tipo de licenciamento, estejam atentas a todos os procedimentos e protejam o interesse das populações e do país, protegendo as Caves de Vinho do Porto.

 

Um “polícia” na TAP

[Rui Naldinho]

Diogo Lacerda Machado | Foto: DN

Este governo achou por bem reverter aquele negócio ruinoso para os contribuintes portugueses, entre os muitos que a esquerda socrática e a direita passista nos brindaram ao longo de mais de uma década, a venda maioritária do capital da TAP. Esta decisão é quase tão importante para o cidadão, como o ordenado que recebe ao fim do mês, porque em última análise quem se lixa é sempre o mexilhão.

Contrariamente a muito boa gente, sempre admiti a privatização total da TAP, desde que o comprador assumisse por sua conta e risco todo o passivo da empresa. Ora, o que Passos Coelho fez, não foi nada disso. Vendo bem, se a coisa corresse de feição, a TAP era deles, se a coisa corresse mal, a TAP continuava nossa. Porque quem avalizaria perante a banca todos aqueles créditos, era o Estado. Negócios destes é o que por aí há mais. “Lucros privados e passivos públicos!” [Read more…]

O amigo de António Costa, os 13 ajustes directos da sua sociedade de advogados e os «velhos hábitos» do PS

Há alguns anos, António Guterres celebrizou a expressão «no jobs for the boys».
Não passava, como vimos, de um daqueles lugares-comuns que os políticos gostam de cuspir em véspera de eleições. A verdade é que, nos primeiros 6 meses, a picareta falante nomeou quase 5600 pessoas (quase metade para os gabinetes ministeriais) e chegou ao fim do mandato com um número de nomeações que nem José Sócrates nem Passos Coelho conseguiram atingir.
São os tais «velhos hábitos» do PS de que Catarina Martins falou ontem. «Velhos hábitos» que, como lembrou, são extensíveis ao PSD. Aliás, a reacção do anterior primeiro-ministro ao falar de Diogo Lacerda Machado é de uma hipocrisia notável, como se ele não tivesse feito igual ou pior. Mas o pessoal da Geringonça não é melhor. Vir criticar as declarações de Passos Coelho sem uma palavra que seja para criticar o PS nesta questão é ainda mais notável.
Quanto ao amigo do primeiro-ministro, é mais do mesmo. Primeiro, começou por representar o Estado sem qualquer vínculo nem retribuição e apenas pelo facto de ser… amigo do primeiro-ministro. Depois, lá vieram os tais dois contratos no valor de cerca de 30 mil euros. E agora, prepara-se para ser nomeado administrador da TAP depois de ter participado na solução negocial que está em vigor.
Pelo meio, vemos que a sociedade de advogados de que faz parte, a BAS, já recebeu quase 876 mil euros + IVA em 13 contratos de ajuste directo com o Estado desde que António Costa tomou posse como primeiro-ministro. Lá está, os amigos são para as ocasiões. [Read more…]

De poucas-vergonhas está o centrão cheio, Dr. Passos Coelho

Foto via Sábado

Passos Coelho está indignado e tem bons motivos para isso. Esta história do amigo do primeiro-ministro, contratado pelo exorbitante valor mensal de 2.000,00€ para “consultadoria estratégica e jurídica, na modalidade de avença, em assuntos de elevada complexidade e especialização, na área de competência do primeiro-ministro, é uma grandessíssima pouca-vergonha. E não, não é pelo valor da avença. O que não faltava no anterior governo eram especialistas-boys das jotas, sem experiência nenhuma, a levar bem mais que isso para casa. [Read more…]

Os limites da Propaganda e da Democracia

Comunicação e Propaganda são duas coisas distintas. Infelizmente estão cada vez mais confundidas e a propaganda tem ocupado o lugar que, numa Democracia pluralista, não lhe pode pertencer.

As instituições públicas têm que perceber que há limites para o uso de técnicas e truques que visam manipular os cidadãos que representam. E têm que perceber também que a Democracia marca linhas de fronteira na decência da comunicação, limites esses que um Estado fascista normalmente não respeita. É que um Estado fascista organiza-se e funciona de acordo com preceitos diferentes daqueles que são exigidos a uma Democracia.

A imagem que se reproduz acima foi recolhida durante um evento desportivo que reuniu dezenas de crianças oriundas de algumas escolas públicas de Vila Nova de Gaia, evento esse ao qual assistiram centenas de pessoas, a maioria das quais familiares.

Uma das equipas, composta por crianças cuja idade não ultrapassava os dez anos, apresentou-se no evento exibindo cartazes com a fotografia do presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues e do presidente de uma Junta de Freguesia.

Comunicação e Propaganda são coisas distintas.

A instrumentalização de crianças para fins de campanha política é outra coisa ainda, tão ignóbil e degradante que não caberá aqui classificá-la.

Tem a certeza que quer falar sobre ligeireza e irresponsabilidade, deputada Cristas?

A ex-ministra que aprovou o projecto de resolução do BES sem saber muito bem do que se tratava, assinando de cruz com a própria admitiu, veio por estes dias acusar o primeiro-ministro de ligeireza e irresponsabilidade no que toca aos temas da Segurança e da Educação. Sobre o primeiro, com o foco de Assunção Cristas a apontar para o impasse nas secretas e para a ameaça terrorista, desconheço a existência de motivos para alarme. Aliás, a falta de notícias sobre o tema leva-me a crer que, das duas uma: ou os serviços de segurança têm sido extremamente eficazes a antecipar e desmontar potenciais ameaças, ou serão os terroristas que não têm grande interesse em gastar os seus parcos recursos no Rectângulo. A ausência de chefia nas secretas, por si só, não me parece motivo de grande preocupação. Com certeza que as suas funções estão asseguradas, ainda que de forma interina. [Read more…]

Quanto custa um rei?

A Voz Pública, 11 de Julho de 1891

O fim da Caves de Vinho do Porto

O jornal PÚBLICO noticia que arrancou hoje um projecto imobiliário e turístico no coração do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia, implicando a destruição de centenários Armazéns de Vinho do Porto e uma intervenção que afectará uma área superior a 30 mil metros quadrados numa das mais belas e exclusivas paisagens urbanas do mundo.

De facto, esta zona da cidade de Gaia é conhecida mundialmente pela beleza da sua textura arquitectónica única, dominada pelos telhados dos seus Armazéns, as famosas Caves, que estabelecem com o Rio e o núcleo urbano da Ribeira do Porto um cenário cuja beleza não se repete em lugar nenhum do mundo.

O que se iniciou hoje foi o fim desse património intemporal, que se constitui como pilar da identidade não só desta região, mas do próprio país, e que agora se prepara para uma total descaracterização, vendo-se transformado num centro comercial a céu aberto, com o pomposo nome de World of Wine.

Segundo a notícia, o projecto previsto para o local, contíguo ao Hotel Yeatman e que implicará a demolição e total descaracterização dos antigos Armazéns, é uma espécie de Disneylândia do vinho, um corpo estranho ao perfil histórico, sociológico, estético e arquitectónico do local, onde abundará o cimento e o vidro, dedicado aos turistas e prevendo uma “Praça”, museus “interactivos”, 12 restaurantes e, como não poderia deixar de ser, um parque automóvel com capacidade para 150 viaturas. Tudo isto no coração do Centro Histórico de Gaia e com os portugueses a servir à mesa, como bons criados.

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António Costa ou a cobardia na luta contra os poderosos

Não me custa admitir que António Costa nasceu para governar. Ali é que ele se sente bem. Todos nos lembramos quão desastrosa foi a sua prestação como líder da Oposição, ao ponto de conseguir perder as eleições para um Governo miserável que vinha de 4 anos de Troika.
A constatação deste facto não me leva a sentir maior simpatia por ele. Pelo contrário. Não gosto de António Costa e gosto ainda menos do PS, um Partido que desde o início traiu a sua matriz ideológica. O facto de estar neste momento aliado à Esquerda é puramente circunstancial. Era a única forma que o primeiro-ministro tinha de chegar ao poder e salvar a sua carreira política. Da próxima vez, se necessário for, aliar-se-á ao CDS com o mesmo à-vontade e com o mesmo sorriso cínico de sempre.
Apesar de tudo, ao votar no Bloco, contribuí para a actual solução governativa. Não me arrependo porque, no fim de contas, a alternativa passista seria bem pior. Mas não escondo que esperava muito mais de um Governo que se ancora nos Partidos de Esquerda e que precisa deles para desenvolver as suas políticas.
A política energética e as rendas excessivas da EDP são um bom exemplo. Como é que não se consegue cortar um cêntimo que seja nestas rendas escandalosas? Foi o PS que as criou, é o PS que tem rectificar o erro e acabar com elas. Ou a coragem de lutar contra os poderosos e os grandes grupos económicos esgotou-se toda com a questão dos colégios privados? [Read more…]

Portugal, um país onde desaparecem papéis importantes

Lembra-se daqueles papéis importantes da Tecnoforma, que desapareceram? Não? Então e aqueles outros, da casa do Sócrates? Também não? Oh Diabo! Não me diga que nem os dos submarinos, dos tempos em que Paulo Portas tirava fotocópias no Ministério da Defesa… A sério? Inundações, dizem-lhe alguma coisa? Nada? Então, por obséquio, tenha a gentileza de seguir as hiperligações para reavivar essa memória. Como bónus, ainda leva para casa mais um “desaparecimento” de papéis importantes. Não tem nada que agradecer! [Read more…]

O Banco Popular está a arder

e a factura já vem a caminho.