Ainda sobre as Subvenções Mensais Vitalícias

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O tema das Subvenções Mensais Vitalícias não tardou a sair do chamado “ciclo noticioso”, nada que espante. Mesmo assim, tanta pressa em abandonar o tema despertou-me curiosidade. Tentei atribuir partido a cada um dos 332 políticos que constam na lista publicada pela CGA. Esta não é uma tarefa fácil.

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Banco roubado, tranquinhas à porta

Lisboa, 09/05/2013 - Entrevista Dinheiro Vivo / TSF : Tudo é Economia, com Ricardo Salgado (Diana Quintela / Global Imagens)

O juíz Carlos Alexandre ordenou o arresto do saldo das contas bancárias de vários membros do gangue Espírito Santo. O objectivo é obter recursos para indemnizar os lesados pelos metralhas da Comporta

Trata-se, uma vez mais, de uma medida que peca por tardia (a esta altura do campeonato, os delinquentes já tiveram tempo de escoar uns quantos milhões para paraísos fiscais, entre outros esquemas que a máfia neoliberal todos os dias engendra para potenciar o assalto e a exploração) e, parece-me, por ser pouco ambiciosa. É que nestas coisas da bandidagem financeira, que eles são difíceis de apanhar, sempre que um banco afunda e o contribuinte é chamado a pagar, todos os responsáveis directos deviam ver imediatamente os seus bens congelados, como se faz aos terroristas internacionais, o que devia incluir bens entretanto passados para o nome da esposa, dos filhos ou do sobrinho que vive nas Caimão. Tudo. Infelizmente, vivemos num país onde este tipo de criminalidade é tolerada e até incentivada, o que leva a que gangsters como Ricardo Salgado, Oliveira e Costa ou Dias Loureiro se encontrem em liberdade e sempre em cima do último grande negócio do momento.  Impunes, a facturar, e sempre a jeito de um sentido elogio do um qualquer político desonesto.

Já agora, de que partido é mesmo aquele indivíduo que fez a defesa da prenda de 14 milhões de euros do empresário José Guilherme a Ricardo Salgado? Se calhar, só desta vez, punha-se o Calvão a funcionar.

Foto: Diana Quintela/Global Imagens@Dinheiro Vivo

Douro, um rio privado

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O denominado Táxi Fluvial do Douro, a ligar já em 2016 pelo rio a Ribeira do Porto e a Beira-Rio de Gaia (e não as “Ribeiras” de Porto e Gaia como erradamente dizem as notícias) é um projecto empresarial privado pertencente à maior empresa de Vinho do Porto a operar em Portugal, a The Fladgate Partnership, dona, por exemplo, do Hotel Yeatman, em Gaia.
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O segredo da Política

Um dos grandes segredos da Política, no qual, é verdade, quase ninguém acredita, é que o “bem-estar” e o “progresso” da sociedade são desígnios que se alcançam sem ser necessário recorrer a somas muito significativas de dinheiro.

Dito de outra maneira, governar um país de forma a fazer chegar a todos, sem excepção, o necessário para uma vida confortável e digna, é barato. É muito e surpreendentemente barato.

É este o grande segredo da política. Tão grande é esse segredo que há quem ache que o seu tamanho é exactamente igual ao do Circo erguido em torno do Pão.

Coisas silly da season

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encontradas nesse antro de hereges que é a taberna d’Os truques da imprensa portuguesa. Mas desta vez compreende-se, Truques: Paulo Portas é um actor político irrelevante, que não desperta grande interesse mediático e que não exerceu os mais altos cargos de governação. Para quê gastar tempo de antena com ideias soltas que, só por coincidência, se ligam na perfeição e parecem indiciar um caso com contornos pouco transparentes? Ganhem mas é juízo, que estamos em Agosto. São coisas silly da season – e porreiras -, pá! [Read more…]

O BCE, a CGD e os verdadeiros DDT

Segundo o jornal Expresso, que teve acesso a uma carta “confidencial” enviada pelo Presidente do BCE ao Banco de Portugal e à CGD, o Banco Central Europeu “exige” que os novos administradores da Caixa façam um curso sobre Organigramas. E outro sobre “processos de reporte ao topo da hierarquia”. E outro ainda sobre “políticas de cumprimento de regras”.
Esta carta extremamente confidencial do BCE quer comunicar uma só coisa ao governo português: esse Banco é nosso.

O artigo do Expresso é omisso quanto aos Panama Papers.

Pacheco Pereira sobre a possibilidade de um novo resgate

Existe um colete de forças que torna o decurso económico independente da mudança de governo, facto que  direita não quer ver. Esta opta pela justificação que lhe serve para o objectivo eleitoral. A esquerda também opta por uma leitura desligada deste percurso ao pretender que a situação está melhor. E até melhorou para as pessoas, mas sobra a dúvida se a melhoria pontual resistirá ao contexto macro. Uma coisa é certa, não é por o país ficar melhor que a situação individual melhora. Isso seria construir uma floresta sem árvores. O país melhora quando os seus cidadãos ficam melhor.

Aliás tudo o que está a acontecer agora não revela qualquer significativa inversão das tendências negativas dos últimos meses da governação PSD -CDS. Acresce que a verdadeira bomba -relógio do sistema bancário, que o governo Passos-Portas-Maria Luís deixou de herança, tinha-lhes rebentado nas mãos e, se compararmos a inépcia e a negligência criminosa do governo PSD-CDS nesta matéria, é provável que os estragos fossem maiores. Aliás, a causa mais provável para haver um novo resgate em Portugal é a situação da banca, e essa responsabilidade vai inteirinha para Passos, Portas e Maria Luís.

O impasse da política portuguesa é apenas este e este “apenas” é gigantesco: se quem manda hoje na Europa, a aliança da Alemanha com alguns países do Centro e Norte da Europa, continuar a impor as mesmas políticas de “ajustamento”, que hoje são criticadas até pelo FMI…, não aceitar proceder a uma mudança que passe pela restruturação das dívidas, pela baixa dos juros, pela maior flexibilidade na gestão dos défices, por políticas de investimento, e pela solidariedade activa dos países mais ricos com os mais pobres, na tradição dos fundadores da União, nem Portugal, nem a Europa sairão dos impasses actuais. [Pacheco Pereira, Visão, 19/08/2016]