Pedro Santana Lopes e a arte de ser aplaudido por uma plateia de indivíduos que acaba de fazer de parvos

Fotografias: Luis Barra@Expresso

Santana Lopes oficializou-se este fim-de-semana como o candidato da continuidade do regime vigente no PSD. Com uma plateia repleta de passistas, leais discípulos de Marco António Costa, barões autárquicos e uma senhora histérica que poderá ter acidentalmente consumido o LSD do neto antes de sair de casa, Pedro Santana Lopes fez o que se esperava de um recém-convertido ao nacional-ressabiadismo: atacou Rui Rio, atacou António Costa, atacou o acordo de incidência parlamentar entre os partidos de esquerda e fez a necessária vénia ao radicalismo além-Troika, referindo-se ao período mais negro do seu partido como “salvação nacional”.

Passando o expectável à frente, que Santana Lopes já foi derrotado internamente vezes demais para se poder dar ao luxo de dispensar apoios, mesmo os mais fanáticos, a apresentação do candidato em Santarém trouxe consigo um detalhe revelador, que nos diz muito sobre o alinhamento com as práticas do regime passista, sobre até onde Santana está disposto a ir e sobre a facilidade com que se manipulam militantes por aquelas bandas. Isto para não falar nos sapos que a horda passista, na fila da frente, está disposta a engolir. [Read more…]

Arte de Furtar

Ao fim de uma longa maratona-sprint de onze horas para presidente ver, o Conselho de Ministros do Governo de Portugal, SARL, subtraído já dos membros que, exaustos, tiveram que ser retirados pelos bombeiros, de helicóptero, para um SPA em Chamonix, decidiu que é preciso despejar quatrocentos milhões de euros nas zonas ardidas.

O PSD veio imediatamente prestar a sua solidariedade e concordância com tão generoso bodo.

O PCP pergunta de onde vem o dinheiro.

O português médio, com a quarta classe antiga, deve levar desde já as mãos à carteira e tentar descobrir se as notas já começaram a escorrer, identificando aqueles que afiam o dente e vertem baba.

Começou a gatunagem.

O Presidente disto

 

Imagem: TVI

 

“Uma coisa é um isto”
Heidegger

Na escala do grotesco, só o Presidente disto alcançou resultados superiores aos do Governo. Letrado como ninguém na filosofia dos malditos, de Maquiavel a Napoleão, passando por Átila, Nero ou Himmler, cujas vidas certamente conhece como as palmas das suas mãos, o senhor Presidente disto ofereceu, sobre as brasas de um país extinto, um espectáculo único de cinismo e uma lição de baixa política como há muito não se via.

O senhor Presidente disto instrumentalizou de modo rasteiro, grotesco e sumamente hipócrita os últimos homens e mulheres de Portugal onde morou a dignidade humana, eremitas de um país morto e risível, vivendo entre cabras e montes onde aguardam com paciência infinita a chamada do Altíssimo. Antes que essa trombeta soasse, os bichos urbanos decidiram extinguir-lhes a alma pelo fogo, fazendo nele também arder os seus últimos trastes terrenos – o casebre, o cão, a sachola, as ovelhas, a macieira antiga. Até as panelas.

Esta gente não merecia a falta de respeito e o canibalismo político-mediático do mais alto magistrado desta espelunca astral, prestidigitador exímio das emoções, especialista reconhecido no abraço do urso.

Os incêndios são, em parte, uma inevitabilidade

Serão? Se são, não deviam ser. No entanto, a consideração expressa no título deste texto foi proferida por um antigo ministro da Administração Interna em funções, a meio de um Verão quente, que não sendo tão quente como este, terminou com muitos hectares de área florestal ardidos e algumas vítimas mortais. O seu nome é Miguel Macedo e, para quem não sabe, porque a imprensa controlada pelos comunistas censura tudo, está a ser julgado por uma série de alegados crimes, no âmbito do caso Vistos Gold, que envolve uma série de distinas personalidades da direita injustiçada e sacrossanta. [Read more…]

Em Entre-os-Rios a culpa morreu mesmo solteira

Fotografia RTP

Aquando da tragédia de Entre-os-Rios, Jorge Coelho, ministro do Equipamento Social demitiu-se nessa mesma madrugada, justificando a decisão: “a culpa não pode morrer solteira”. Pois bem, a culpa morreu mesmo solteira. Apesar de a comissão parlamentar de inquérito concluir que as atividades de extração de inertes foram a principal causa da queda da ponte, nem os areeiros, nem os seis técnicos que foram acusados de negligência e de violação de regras técnicas foram condenados. Foram todos absolvidos.

De que valeu aquela demissão espetáculo de “a culpa não pode morrer solteira”? Não valeu absolutamente nada. A carreira política de Jorge Coelho não saiu beliscada e Jorge Coelho não fez o trabalho que lhe competia fazer depois da tragédia, que era bater-se para que as famílias das vítimas fossem devidamente recompensadas e a culpa do acidente fosse exatamente determinada. Pensei assim na altura e penso exatamente a mesma coisa no caso da tragédia dos fogos que acabámos de viver. Considero que os ministros deveriam ficar em funções e levar o seu trabalho até conhecermos as conclusão dos relatórios das tragédias. Se há culpas, então demitem-se e são julgados se for caso disso. Em particular, no caso dos fogos e no caso de Entre-os-Rios, há imensas culpas que residem no passado. O que é irónico é que alguns desses com poucas e muitas culpas no cartório andam por aí desgarradamente a pedir demissões (sim, sim, estou também a pensar em Cristas).

Este frenesim de exigir demissões a todo o transe, remete-nos para os tempos em que se sacrificavam cordeiros, virgens ou patifes para expiar a culpa e acalmar os deuses. No século XXI temos obrigação de fazer melhor.

Miséria de estratégia

Desde ontem – pelas intermináveis declarações de Passos Coelho, ouvido em particular e por tudo o que se disse no debate (?) parlamentar – começam a desenhar-se as cartilhas e as obscenidades que a direita deve usar para pontuar os seus ataques. Podiam os partidos de direita atacar, na AR e nas suas metástases televisivas, com argumentos e ideias duras, até violentas, mas sérias e, até, procedentes, porque há matéria para tal, mas isso tinha um preço – eles fizeram sempre o mesmo e geralmente pior nestas matérias. Mas não. Não é isso que colhe e o deserto argumentativo parlamentar não surpreende. Por isso, tratam de promover e repetir curtas e simplórias grosserias.

Não há limites. Mas há concertação. Exemplo? Ontem, na TVI24, uma jornalista (??) promovida a comentadora, uma tal Judite de Freitas arengava: “o PCP e o BE eram outra coisa, agora são… não sei… uma espécie…não sei…uma coisa…estão mascarados de partidos que apoiam governos que permitem 100 mortos…”. Horas depois, Nuno Magalhães, com a elegância oratória que lhe é reconhecida, bolsava: ” cabe ao PCP e ao BE avaliarem se a morte de 100 pessoas não é grave”. Esta imitação de ideia vai fazendo o seu caminho ao ritmo da obediência dos vários servidores da causa. [Read more…]

Vai-te embora, Cabrão II

Por falar de “politiquices” e refinadas “filhadaputices”, e porque não é do meu timbre (nunca foi e muito menos seria nestas circunstâncias) alimentar argumentações que fazem lembrar o, felizmente, defunto “Câmara Corporativa”, queria só fazer um pequeníssimo reparo acerca do aproveitamento político da tragédia que ocorreu (aliás, é interessante reparar no vigente “double standard” sobre o conceito, ou seja, apontar o dedo ao execrável PM é um imoral aproveitamento político, responsabilizar o anterior governo e, especialmente, Assunção Cristas, é, obviamente, legítimo):

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