Motoristas da Uber

Gil Sotero

Todo motorista de UBER que eu pego faço uma entrevista em off. Percebo que há muita mentira sobre o trabalho para o aplicativo. Minha opinião sobre o aplicativo segue a mesma; os usuários pagam barato e estão felizes, muitos motoristas UBER estão deslumbrados e ainda não sentiram o impacto das contas. No final é mais uma forma de exploração pois quem enriquece mesmo são os acionistas. As relações de trabalho do Uber não dão garantias aos motoristas. E olha que vejo até Sindicalistas defendendo UBER! Mas isso está mudando.
Aqui em Belo Horizonte um motorista do Uber está processando a empresa. Fazia 20 corridas chegava a trabalhar mais de 16 horas. Gastou mais de 50 mil para ter o carro novo e então foi desligado do aplicativo pois é necessário ter uma média alta de avaliação. Já rolou o primeiro julgamento e vai para o segundo.
Nos EUA mais de 300 mil motoristas processaram o UBER. A justiça americana deu ganho de causa aos motoristas e o Uber teve que negociar com eles. E olha que lá nos EUA os sindicatos são mais fracos! Todos alegaram que eram funcionários do UBER sim! E a justiça americana entendeu isso pois viram que não há vantagens de fato em trabalhar para uma empresa nesse esquema. Enfim.
Aguardemos os próximos capítulos.
O caso de BH pode abrir um precedente nacional.

Tortura nos Comandos?

comandos

Uma investigação do programa Sexta às 9, da RTP, que cita testemunhas e familiares de Hugo Abreu, um dos militares recentemente falecido durante o curso dos Comandos, refere que o jovem terá sido forçado a comer terra quando se encontrava já em convulsões.

Honestamente, não quero acreditar que isto possa ser verdade. Não quero mesmo. Porque se for, é preciso encarcerar, imediatamente, o troglodita responsável. Uma brutalidade destas não é treino, não prepara ninguém para melhor defender a pátria nem honra o exército ou a nação. É apenas cruel e perverso. É tortura. Estamos em Portugal, não em Abu Ghraib. E estamos a treinar Homens, não carrascos.

Foto@DN

Bonecos


Os vários canais de televisão, entre outras patologias, obedecem, de há uns meses para cá, ao princípio ” os telespectadores são, em geral, nabos”. Logo, querem sempre ver bonecos a mexer, mesmo que só longinquamente tenham a ver com a notícia que se está a ler. Os noticiaristas televisivos devem ter, por estes tempos, assistido a inúmeros workshops – como se diz agora em português – onde “formadores” lhes explicam que a malta é básica, sofre de distúrbio de défice de atenção e sem imagens não vai lá. Assim, toca a pôr no ar seja o que for que haja lá pelas prateleiras, qualquer coisa que ilustre o que o pivô está a debitar. O jogo de futebol que acompanha a notícia do ocorrido ontem já foi há um ano? Ninguém vai notar. É preciso noticiar um naufrágio e não há reportagem? Avança um parecido, de há quatro anos. E um incêndio é sempre semelhante com outro incêndio, logo, enquanto não há repórter no local a fazer perguntas tolas, vai-se ao arquivo. Aquele partido reuniu a sua direcção e não mandamos lá ninguém? Usam-se imagens antigas de um reunião semelhante, ocorrida anos antes, mesmo que em grandes planos apareçam pessoas já falecidas.
E assim, com a falta de profissionalismo dos indigentes, a irresponsabilidade dos idiotas, a crueldade dos sociopatas, eles vão-nos “informando”. Verdade e decência, não têm. Mas bonecada nunca falta.

Não precisas de agradecer, Passos. Ficaste mal na mesma

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Pedro Passos Coelho cedeu à pressão e já não vai apresentar a compilação de mexericos de José António Saraiva. Depois de ter dito “Não sou de voltar com a palavra atrás nem de dar o dito por não dito. Estarei a fazer a apresentação dessa obra”, o líder do PSD foi igual a si próprio e, tal como em tantas outras ocasiões, a palavra dada não foi palavra honrada. Nada que surpreenda, vindo de quem vem[Read more…]

O Embuste no Vale do Tua

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O destino do AMOR” é certamente um slogan que enche de orgulho José Cascarejo, ex-autarca de Alijó, cúmplice da pornográfica barragem do Tua e elevado, claro, à categoria de director da coisa. Aliás, é um slogan que enche de orgulho todos os autarcas do vale do Tua.

E ao prezado leitor do Aventar apresenta-se-lhe a questão: “como se promove um pretenso “parque natural regional” instituído depois de perpetrado o crime que inutiliza metade do vale do Tua? A resposta é fácil: criam-se frases fantásticas, polidas e reluzentes, a puxar à emoção do espaço aberto e livre. A natureza a pulsar quer oferecer-nos o que tem de melhor:

“É a natureza que grita!” (de facto, grita…)
“São os vales, as sombras das frondosas árvores” (serão os milhares de sobreiros e oliveiras cortados por causa da subida das águas?)
“São as águas cristalinas que refrescam o amor” (as águas eutrofizadas, é isso?)

E porque um parque natural, estimará o prezado leitor do Aventar, é algo visual (para lá de sonoro, olfactivo, táctil e emotivo?), qual a melhor imagem possível para promover o vale do Tua?
A resposta tipicamente cascarejana não podia ser outra: uma estrada de terra batida, remotamente africana ou na América selvagem e… um carro.
Um carro vermelho que é para ser ainda mais bonito.
Se o parolismo tinha limites, os mesmos acabam de ser ultrapassados por um carro vermelho.

Não seria de prever, prezado leitor do Aventar, que um parque natural se promovesse com imagens do mesmo parque natural?
Ou tem esta gente bem almoçada medo e pavor de mostrar que o “parque natural regional do vale do Tua” é o que sobra depois do conluio que tem levado a barragem do Tua avante?

E o que dizer do vídeo promocional que consegue a proeza de não ter uma única imagem natural do parque? Porque um vídeo promocional de um parque natural… em animação digital?
Tenham vergonha…

Ouvintes gajos

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© John Frost and daughter listening to radio in their home.

Marco Faria

Hoje, ouvi na rádio três vezes a palavra “gajo”. Em rigor, numa das situações foi proferido o plural – “gajos” – o que acentua ainda mais a minha preocupação. É verdade que a estação em causa dirige-se a um público muito jovem, estilo Porta 65 Jovem. Não quero divulgar o nome da emissora, mas vou dar uma pista enigmática: começa com um “V” e termina em “fone” (podendo sublinhar que na parte inicial está o termo de uma bebida muito apreciada pelos eslavos, vod(k)a). Como todas, é .FM, porque em AM só a Renascença, a Antena 1 e os “Mujahidin” escondidos no Monte Atlas no norte de África.
O calão é sim sinal, e eu não vou de forma alguma armar-me em moralista dos bons costumes e ler os códigos do tempo.
No dia-a-dia, todos recorremos às mesmas expressões. Com excepções. Em Cascais, por exemplo, não se diz “gaja”, mas, deixem-me pensar cinco segundos… pindérica. “Ó sua pindérica, não te vi no Tamariz. O teu namorado estava lá com a Cacá”.
Pindérica é mais poético que “lady”, menos valorizado que outras variantes de tocar piano e falar francês. Por sua vez, no Porto, no mercado do Bolhão, qualquer conversa resvala para: “- Ó jeitosa, eu sei que ontem foste à Badalhoca comer uma sandes de presunto?” “- Estás por acaso a chamar-me nomes? Sabes, vi uma saia de folhos igual à tua na feira de Custóias?” [Read more…]

O Ex do Arq.º Saraiva

Bruno Nogueira (sempre na frente) sobre uma edição fraquinha da Gina.