Vacinas: direito à segurança e à informação

A comunicação social, tal como as próprias instituições do Estado, entre as quais o Ministério da Saúde e a DGS, têm prestado um mau serviço ao país e à sua população na polémica questão das Vacinas. Através da manipulação de factos, ocultação da verdade e sonegação de informação vital ao esclarecimento de todos, foram lançados a confusão e o medo na opinião pública, com o propósito de iniciar uma discussão sobre a obrigatoriedade compulsória das vacinas e facilitar a sua implementação. Não é a primeira vez que tal acontece, estando ainda na memória de muitos o gigantesco logro que foi a falsa epidemia de Gripe A, uma campanha inventada que custou milhões de euros ao país, em vacinas que ninguém tomou.

Robert de Niro

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Os três pasteurzinhos

Não subestimemos o valor da lição oferecida por esta rara sincronia e olhemo-la com distância crítica, objectividade céptica e profundidade meditativa: o Estado que, na tão polémica questão das vacinas, clama pela infalibilidade da Ciência Positiva, é o mesmo que fecha escolas e oferece “tolerância de ponto” para que em sossego e comunhão de fé se festeje o Milagre dos Pastorinhos.

Resting case.

Ainda o 25 de Abril

Foi bonita a festa do 25 de Abril na rua, 43 anos após o acto de bravura lúcida e competente daqueles combatentes a quem tanto devemos. Mas comemorar não é só olhar para o passado com gratidão comovida. Comemorar é reavivar os ideais que sustentaram aquele acto; comemorar é inspirarmo-nos na sua força para lutarmos HOJE contra os cordelinhos subreptícios que nos reduzem a marionetas – de forma mais subtil, é certo, mas não menos eficaz. Comemorar é deixarmos o sofá, é solidarizarmo-nos, é abraçarmos causas cívicas, é informarmo-nos. É olharmos com olhos de ver para aquilo que consumimos e comprarmos com consciência. É interessarmo-nos pelos salários dos que nos servem, é combater injustiças, é tomarmos posições solidárias. Comemorar o 25 de Abril é darmos as mãos como sujeitos atentos e elevar um bocadinho mais alto a fasquia do cuidar da nossa vidinha. Comemorar o 25 de Abril é, hoje como ontem, estar do lado certo, contra os tubarões.

Fado, Futebol e Fátima – ao fim de 43 anos, nada mudou!

Uma decisão vergonhosa de um Governo ridículo

A decisão do Governo de dar tolerância de ponto aos funcionários públicos por causa da visita a Portugal do chefe de Estado do Vaticano é das decisões mais vergonhosas e mais ridículas dos últimos anos.
Podia relembrar que é apenas um chefe de Estado em visita a Portugal – um entre muitos. Podia relembrar que Portugal é um país laico segundo a Constituição da República que este Governo jurou respeitar. Podia destacar que todos têm o direito de ir a Fátima se quiserem – metem um dia de férias e, se for autorizado, lá vão eles.
Podia ainda informar que nesse dia os meus alunos tinham um teste marcado. Que outros meus alunos iam ao teatro. Que havia um Dia Aberto para os alunos das Escolas Básicas irem conhecer a Escola Secundária. Que havia consultas e operações marcadas nos Centros de Saúde e nos Hospitais. Julgamentos nos Tribunais. E por aí fora.
Podia dar um sem-número de argumentos, mas acho que não vale a pena. Esta decisão não tem ponta ponta por onde se lhe pegue.
A patranha das visões, uma das maiores patranhas do último século, fica para depois, porque não é isso que está em causa. Tiago Barbosa Ribeiro percebeu-o e merece por isso os maiores elogios. Infelizmente, o Governo não o percebeu, porque eleitoralmente lhe interessa não perceber. Da mesma forma que o Presidente da República e a Direita não o perceberão, porque são beatos.
Como eleitor da Esquerda, espero que pelo menos o Bloco e o PCP condenem firmemente esta decisão. Se não o fizerem, mostrarão que são tão hipócritas como todos os outros.

Já estamos outra vez no 1.º de Abril?

Tolerância de ponto para ir ver o Papa?????????

Merci!

Portugal
Well, it’s not often that you see an entire country on one single photo, especially one that has as much to offer as Portugal!
Tout un pays sur une seule photo, ce n’est pas tous les jours 😉 D’habitude je zoome sur le Portugal qui offre une belle diversité de paysages, mais pour célébrer la révolution des Œillets et son message démocratique, quoi de mieux qu’une vue d’ensemble ?
Credits: ESA/NASA”
Thomas Pesquet, patilhado no seu Facebook ontem, 25/4/2017

Obrigado pelo bom gosto e pelo sentido de oportunidade.

O inigmático Correio da Manhã

A Correio da Manha TV é tão singular, que, pelos vistos, tem o seu próprio acordo ortográfico. Isso e um gosto sádico-sensacionalista por recuperar temas como o da menina raptada no século passado.

Prós e Contras das Vacinas

Um dos cientistas participantes do último Prós e Contras da RTP sobre a questão das vacinas, é financiado pela fundação de Bill Gates.

A actual discussão pública em torno da questão das vacinas revelou, mais uma vez, algumas características muito peculiares desta sociedade “democrática”, nascida com o 25 de Abril de 1974. Se durante a Ditadura havia dogmas indiscutíveis, como Deus ou a Pátria, a Democracia trouxe-nos o ar fresco de outros dogmas indiscutíveis. Não falemos da “Crise Permanente”, nem da “Dívida Eterna”. Atentemos, por ora, na absoluta e inviolável segurança científica das vacinas e na infalibilidade da Ciência, coisas da ordem do dia.

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Os incendiários mandam no quartel dos bombeiros

O futebol, goste-se ou não, é um fenómeno social com um peso desmesurado na vida da tribo. É importante, claro, ir educando os elementos da tribo no sentido de darem menos importância ao futebol e, sobretudo, às respectivas ramificações, como sejam os inúmeros programas de aparente debate em que cada lance, repetido dezenas de vezes, é considerado gravíssimo ou inócuo, conforme a cor do comentador.

Na verdade, verdadinha, sobre futebol pouco ou nada se diz. Em teoria, é um desporto praticado por duas equipas de onze; na prática, os únicos agentes desta modalidade são os árbitros. Como se isso não bastasse, os adversários passaram, de facto, a ser inimigos, com reflexos que vão desde insultos até mortes, numa confirmação de que somos homo mas sapiens não e muito menos sapiens sapiens.

Neste fim-de-semana, depois de um intenso Sporting-Benfica, Luís Filipe Vieira veio acrescentar uma mangueirada de gasolina a um incêndio que lavra imparável, sem extinção à vista. Segundo o que percebi, Bruno de Carvalho convidou o presidente do Benfica para assistirem juntos ao clássico, na tribuna do Estádio de Alvalade. Por uma vez, parece-me que o presidente do Sporting teve um gesto nobre, que, de tão raro, faz pensar na atitude do pobre diante de uma esmola demasiado grande. Aceitar-se-ia, portanto, que Luís Filipe Vieira, depois de ter sido mandado “bardamerda” em conjunto com todos os que não são sportinguistas, entre outros mimos, tenha recusado o convite. [Read more…]

Os cravos da revolução ficaram sem pinta de sangue perante os avanços da extrema-direita

Não será preciso recuar muito, talvez uns 10 anos, para constatarmos como se considerava impensável este cenário que hoje vivemos.  Ditadores a usarem a democracia para chegarem ao poder, baluartes da liberdade a cederem ao populismo, o Joker, esse do Batman, com a mão sobre o botão vermelho das nukes, os vermelhos transformados em sacerdotes do capital – tudo transformações num mundo que parecia estar em equilíbrio.

E, no entanto, ei-las. Trump e Putin confraternizam, em maior ou menor grau, conforme a táctica do momento, de uma forma que os levaria à fogueira no tempo da caça aos vermelhos e aos ianques. O mundo já não está dividido por esse Tratado de Tordesilhas da modernidade que foi a NATO vs. Pacto de Varsóvia. O Oriente, com a China à frente, atingiu um patamar de poder que o torna uma presença entre pares. Curiosamente, foi a natureza do capitalismo, na sua busca pela maximização do lucro, que cindiu esse mundo bipolar, num acto que acabará, inexoravelmente, por o enfraquecer. [Read more…]

O dia inicial faccioso e distorcido

Chegados ao 25 de Abril, o segundo da era da Geringonça, damos por nós confrontados com a habitual literatura ficcional-conspirativa, que tende em dar o ar da sua graça por esta altura. O texto de João Marques de Almeida (JMA), publicado no insuspeito Observador, esse hino à imprensa independente, é um belo exemplar do género.

Diz-nos este académico e antigo assessor de um dos exemplos maiores de ética e sentido de estado que foi Durão Barroso, hoje no topo da hierarquia desse farol da liberdade moderna que é o Goldman Sachs, que a luta pela liberdade, protagonizada – não só, que fique claro – pelas forças de esquerda contra o salazarismo não passa de um mito. “Absolutamente falso”. A sua luta, segundo JMA, não era mais do que uma fachada para “impor uma ditadura aos portugueses. Seguramente, mais violenta do que a do Estado Novo”. O resto é mais ou menos o mesmo que os JMA’s desta vida normalmente escrevem nestas ocasiões. Tudo no mesmo saco, a adoração religiosa de Estaline como dogma e as cegueiras ideológicas do PCP com Coreias do Norte e afins como prova científica de que tudo o que mexe à esquerda tem como missão abolir a democracia e todas as formas de liberdade, especialmente a económica, que um tipo de esquerda que se preze tem que ter prioridades.

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O Método Científico

Nos últimos oito dias, o Instituto Doutor Ricardo Jorge registou apenas um caso [de Sarampo] confirmado novo. O que significa que a mensagem que nós procurámos passar aos portugueses e às famílias de que vale a pena confiar no Sistema de Saúde, vale a pena confiar nas autoridades de Saúde, nos médicos, nos enfermeiros e também nas famílias, está a dar resultado.

Adalberto Campos Fernandes, Ministro da Saúde do Governo de Portugal

 

Análise circunstanciada do Método Científico aplicado pelo Senhor Ministro:

1/Observação
Há uma “epidemia” de Sarampo em Portugal, país onde se registaram, nos últimos meses, 20 casos confirmados da doença. Nos últimos 5 dias, depois de uma intensa campanha na comunicação social em favor da “Verdade Científica”, houve apenas 1 caso novo de Sarampo.

2/Formulação da Hipótese
A “mensagem passada aos portugueses” sobre a “Verdade Científica” estancou a “epidemia” de 20 casos de Sarampo em apenas 5 dias.

3/Experimentação
Ir à televisão dizer isto com um ar solene.

4/Conclusão
Pela análise dos dados verifica-se que a “mensagem passada aos portugueses” sobre a “Verdade Científica”, estancou uma perigosa “epidemia” de Sarampo com 20 casos confirmados.

Agora um pouco de Pensamento Mágico a sério:

Controlo

No início deste lindo mês de Abril, do ano da Graça de 2017, havia em Portugal uma “epidemia de Hepatite A fora de controlo”, segundo a Direcção Geral de Saúde. Em poucos dias foram detectados mais casos do que nos últimos 40 anos. O Ministro da Saúde veio informar a população de que “os nossos comportamentos contam”. Entretanto, o assunto foi ultrapassado pela “verdade científica” de vinte casos de Sarampo e pelo comportamento “negligente” dos pais que não vacinam os seus filhos.

É claro que uma coisa não tem nada que ver com a outra. Não se apressem, os partidários das teorias da conspiração, em vir acusar as autoridades, entre as quais se encontram as que detêm o  poder da comunicação, de inventar uma “epidemia” de vinte casos de Sarampo para esconder uma outra, “fora de controlo”, não com origem no comportamento anti-científico de pais que não vacinam os seus filhos, mas de cidadãos cultos e responsáveis, conscientes dos seus deveres, que apenas gostam de se divertir.

 

A verdade científica

A questão da “Verdade Científica” é, desde sempre, um problema controverso. Houve gente que ardeu na fogueira por contestar essa “verdade”. Nos tempos que correm, por exemplo, temos várias e prestigiadas instituições científicas internacionais, ligadas à ciência da Economia, entre as quais algumas Universidades, que defendem que “não há alternativa” às políticas de Austeridade. Essa foi uma “verdade científica” que Portugal experimentou durante mais de quatro anos, e, em certa medida, ainda experimenta.
Há quem não esteja de acordo com esse dogma e ouse contestá-lo, pondo em prática princípios divergentes da ciência económica e testando outras hipóteses. Entre essas hipóteses está uma que se chama Geringonça. Por acaso, a Geringonça resulta da queda de um outro dogma, de uma outra “verdade científica”, esta da Ciência Política, segundo a qual havia um “arco da governação”, fora do qual não era possível o exercício democrático do poder.


Na Ciência, por enquanto, não há “verdades”. Há hipóteses.

A bem da economia

Os santos portugueses precisam sempre de milagres ocorridos pela entranja. Pelo que se vê, já somos auto-suficientes em azeite, tomate, frutas sortidas, vinho, legumes. Mas não em milagres. Esses, temos de importar.

Vacinas e Autismo

Uma sociedade que aspire a ser livre, não pode permitir-se ser tratada com condescendência pelas instituições que representam o poder, antes deve pugnar pelo melhor esclarecimento disponível sobre os assuntos que lhe dizem respeito.

Não é aceitável que os instrumentos de comunicação seja utilizados com o propósito de afirmar um pensamento único e impedir que visões diversas sobre o mundo e os problemas que o afectam sejam partilhadas, discutidas com liberdade e responsabilidade, por todos aqueles a quem esses problemas afectam ou que se dispõem a sobre eles pensar. Sempre com o propósito de afastar, tanto quanto seja possível, o erro, o preconceito e a ignorância.

Com base numa notícia que dá conta da identificação de vinte casos de Sarampo em Portugal, uma intensa, unívoca e dogmática campanha foi posta em marcha por praticamente todos os meios de comunicação. Essa campanha teve três propósitos: estigmatizar os cidadãos que têm legítimas dúvidas sobre o uso das vacinas e recusam dá-las aos seus filhos, instigar o medo entre os que não têm dúvidas e os vacinam e, finalmente, introduzir na discussão pública o tema da obrigatoriedade da vacinação, chegando a haver quem considere que ela deve ser compulsiva. Um quarto propósito manteve-se razoavelmente discreto: atacar as chamadas “medicinas complementares”. Informação sobre o tema, não houve praticamente nenhuma. O que houve foi manipulação de factos, mentiras e ocultação.

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Uma boa notícia é uma boa notícia

Patrões e trabalhadores do sector do calçado chegam a acordo histórico:

Zita recomenda…

Miséria do marketing é chegar ao ponto de pensar que a recomendação – com rosto! – da Zita Seabra faz alguém comprar um produto.

Vacinem as criancinhas

Parece que a moda de não vacinar crianças emigrou dos Estados Unidos para Portugal. Com o advento da Internet, os paizinhos armaram-se em médicos e chegaram à conclusão que as vacinas causam autismo e problemas intestinais, e afinal de contas antes ter um filho que morre com sarampo ou meningite do que ter um filho autista. Não interessa que os sites que transmitem essa informação sejam muito pouco fidedignos e que qualquer médico minimamente credenciado diga que não é bem assim. Não, não, “eu é que sei o que é melhor para o meu filho” diz a mãe que acha que o site da AIA é mais credível do que os vários médicos do seu pequeno rebento.

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Já nascem assim. É uma doença dos árabes, muçulmanos ou lá o que eles são

Nada a acrescentar.

Formação online e o mito dos especialistas instantâneos

Tenho uma revelação óbvia a fazer. Não são três meses que fazem um especialista em tecnologias da informação. E ainda tenho outra. Não são precisos seis mil euros para se aprender o mesmo que se ensina nesses três meses de formação.

Visite, por exemplo, as academias online Coursera e Udacity para ter acesso a boa formação online e a custo zero. Concretizando um pouco mais, aqui ficam algumas sugestões para quem quiser se iniciar nesta área:

Nota: os cursos do Coursera têm uma modalidade paga que dá direito a “certificado” (não tem validade legal). Quem não tiver interesse nisso pode escolher a modalidade gratuita ao fazer a inscrição no curso.

Sublinhe-se que existem dois pré-requisitos: persistência e dedicação. A informação está à mão de semear mas há que saber colhê-la e usá-la. Olhar para um plano curricular adequado proporciona orientação sobre os materiais a aprender.

Torremolinos, o lado negro da Força

Fabuloso, Nabais:

Tiago: Pá, se o governo se vê embebido dessa cena, quessafoda o colchão!

O drama, a tragédia e o horror. O geringonçismo a apoderar-se das mentes frágeis dos estudantes e a manipulá-las contra a propriedade privada. O colchão pela janela, a guerra civil, a Internacional a tocar ao fundo do corredor com cheiro a urina e o adolescente com vómito no canto da boca. Demais. O fim deve estar mesmo próximo. Pelo menos a julgar pela claustrofobia democrática anunciada pelos profetas do apocalipse. Obrigado, Nabais. Foi um belo momento e retratou na perfeição uma das mais anedóticas e alucinadas teorias da conspiração de que tenho memória.

In other news, shit that (apparently) really matter. Segundo Luciano Alvarez, jornalista do Público, Torremolinos, assim como outros destinos idênticos escolhidos para as viagens de finalistas, podem depender de quem ganha as eleições nas associações de estudantes dos liceus portugueses. As agências de viagens patrocinam coisas às listas concorrentes à AE, que podem ser um insuflável ou uma Barbie aspirante a dondoca de qual dos Big Brothers esteja a bater agora, e, e agora vem a parte engraçada, se aquela lista ganhar as eleições, a agência ganha a organização da viagem de finalistas. Free market rules! [Read more…]

A vírgula que valeu 10 milhões de dólares

É um episódio envolvendo bens alimentares e política e não estamos a falar do queijo limiano.

O caso dos condutores de camiões de leite do estado norte-americano Maine que ganharam, graças a uma vírgula, um recurso contra o seu empregador, aqueceu os corações dos entusiastas da pontuação, escreve Mary Norris na The New Yorker.

Nada, mas nada – profanidade, pronomes transgénero, abuso de apóstrofes –  excita mais a paixão dos “geeks” da gramática do que a vírgula de Oxford.

Rita Carreira publicou um exemplo vívido sobre este elemento estilístico da Oxford University Press.

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Feliz Páscoa


Não esqueçam que “Deus é Humor“.
É importante.

Cristiano Ronaldo e os desacatos em Torremolinos

De todos os escritos que li por estes dias, a propósito dos acontecimentos de Torremolinos, houve um texto que me marcou de forma muito particular. Publicado no jornal ECO, o artigo de Rui Calafate (RC) é simplesmente fabuloso. Partindo do óbvio – que o CR7 é o maior – RC regista, logo no primeiro parágrafo, que o capitão da selecção nunca foi a Torremolinos em viagem de finalistas. Daqui para a frente é toda uma injecção sobre as qualidades do craque, que nasceu e cresceu num meio desfavorecido, que lutou e trabalhou muito, mais do que a maioria, para chegar onde chegou, e que continua a superar-se todos os dias. Sim, Rui, já todos sabemos o que vale Cristiano, não é preciso tentar transformar o homem numa multinacional e uma multinacional num exemplo de ética e boas práticas. [Read more…]

Os finalistas do Secundário segundo Maria João Marques

Dedicado à Maria João Marques, que nunca, nunca desilude

 

Cenário: quarto de hotel em Torremolinos. Dois finalistas perdidos de bêbedos. Fábio tenta pegar num colchão e arrastá-lo para a varanda. Tiago tenta ouvir o colega enquanto vomita.

Fábio: Man, ajuda aí a atirar com esta cena lá pa baixo!

Tiago: Pera, que tou a vomitar e não consigo ouvir.

Fábio: Mas tu vomitas pelos ouvidos, man? Na volta, ainda tens as pupilas gustativas nos olhos!

Tiago: Diz agora. Já vi que vomitei o jantar de anteontem, já deve ter acabado…

Fábio: Era para me ajudares atirar esta cena lá pa baixo, a ver se acertamos na piscina,´

Tiago: Man, não curto essa cena, porque esta cena é propriedade privada do hotel.

Fábio: Qu’é qu’isso tem a ver? Não vês que o governo  se vê, qual pasionaria em guerra civil, imbuído da missão de atacar a propriedade privada dos portugueses?

Tiago: , se o governo se vê embebido dessa cena, quessafoda o colchão!

Fábio: É isso, a malta tem ser bons alunos da geringonça, man!

Depois de atirarem o colchão, Tiago tem mais um acesso de vómito.

Fábio: Fogo, já paravas com essa merda.

Tiago: Não pode ser, sou contra a propriedade privada. O que eu tiver comigo é nosso.

Delírio em Torremolinos

Foi há 37 anos, em Abril de 1980, que no Parlamento português se falou sobre um grupo de centenas de estudantes, acompanhado por uma única professora (estagiária), que foram numa viagem de curso para Torremolinos. A então deputada do PS Teresa Ambrósio falava em quatro a seis jovens mortos em acidentes com motorizadas, duas jovens que se teriam suicidado, violência física, traumas psicológicos, acomodações vandalizadas, distúrbios nas ruas, roubos, em especial a supermercados, e esfaqueamentos em Algeciras.

Tudo isto para dizer que, houvesse por lá um smartphone, e o que estes jovens da classe de 2017 andaram por lá a fazer na semana passada seria reduzido a uma festa na garagem dos pais com 4 cervejas quentes a dividir por 30 e malta muito insana a cometer loucuras como praticar air guitar. E a diferença é mesmo essa. Não haver nenhum smartphone. Ou redes sociais para a miudagem se gabar do feito. Isso, os mortos, as facadas e os assaltos a supermercados (espero eu). É caso para dizer que já não se fazem rufias como antigamente. [Read more…]

Notícia? 

Quando o título, sobre a motherfucker das bombas, atravessa a comunicação social com mais eficácia do que os mísseis disparados enquanto se mordisca uma fatia de bolo de chocolate – the best, absolutely – lembramo-nos da imprensa como caixa de ressonância, em vez de fonte de informação.

Eis o processo de destrumpetização em curso. 

Semana Santa em Braga

A Procissão da Burrinha, e é pena, não percorre mais que umas quantas ruas da zona antiga da bimilenar cidade de Braga. E é pena porque talvez desse jeito fosse o jeito de a cidade ser mantida, de forma sistemática, limpa, arejada e digna. É pena, não é assim. Assim, os moradores das Enguardas (ali para o Feira Nova) terão que esperar que passe a “semana santa” para que os serviços da semi-municipal Agere se decidam a cumprir as promessas telefónicas.
O bidon do óleo já ali está há uma semana; o sofá também.
Pena é que sem uso e serventia, o sofá, quisesse alguém sentar-se a apreciar a cidade que não semeia um único jardim ou parque desde pelo menos 1976…