Festival Eurovisão da Sanção

100589474-Jeroen-Dijsselbloem-dumbfounded-gettyp.1910x1000Não faltará quem diga que o título é um trocadilho engraçadinho e que o autor tem a mania que tem piada. É tudo verdade e outras coisas piores que queiram pensar.

Contudo, a realidade também tem alguma culpa nesta facilidade em descobrir frases que parecem apenas louras burras, mas que, no fundo, são relativamente inteligentes e algumas nem sequer são louras, como se sabe.

Na distante Bruxelas, capital de um Árctico sentimental, há um coro que canta “sanções” e, pelo mundo fora, outros existem que vão na cantiga. Passos Coelho é, além de barítono de créditos firmados, autor (in)voluntário de sanções que ficam no ouvido dos mais distraídos. Curiosamente, ao contrário de outros compositores, Passos Coelho recusa a autoria, mesmo quando se sabe que foi ele que esteve sentado quatro anos a compor, ao lado de Maria Luís, grande artista do pimba financeiro (Maria Luís tem, aliás, uma versão do sucesso de Emanuel, em que o refrão é “E se eles querem um salário ou um direito, nós pimba, nós pimba!”). [Read more…]

A nova Praça do Império (otomano)

 

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Foto retirada daqui

Notícias recentes dão conta da alteração dos jardins da Praça do Império. Não devemos ter complexos com a História e com o passado. Questionar o passado? Sim, sempre. Estudar o passado? Sim, sempre. Apagá-lo? Não. Isso é o que muita gente durante a História recente fez e continua a querer fazer. Seja de um passado recente (troika, austeridade, etc.) seja de um passado mais remoto. É triste.

Pókemon GO? Vamos!

Snapshot Pókemon Go em Iphone

Snapshot Pókemon Go em Iphone

O Pókemon GO está nas bocas do mundo. É um vício para todos os que o experimentam e um dos jogos mais interessantes e revolucionários de todos os tempos. É a primeira vez que um jogo de telemóvel transporta as pessoas para fora da sua zona de conforto, obrigando-as a ir para fora de casa, para longe do sofá. Pela primeira vez na história da humanidade o mundo virtual precisa do mundo real. É como se Deus descesse à terra para falar com os fiéis.

A série animada de TV Pókemon criada em no dia 1 de Abril de 1997, surge agora em versão de vídeojogo de realidade aumentada. Nos últimos dias, a nova aplicação já cativou milhares de pessoas e tem sido um sucesso pelo mundo inteiro. Quanto mais um jogador caminhar por sítios emblemáticos de uma cidade, mais hipóteses terá de encontrar os lugares estratégicos para capturar os Pókemons. O mais surpreendente desta aplicação é o recurso à geolocalização, onde o mapa virtual no telemóvel representa na integra o espaço em que o jogador se encontra na realidade. Se fosse xadrez o mundo era o tabuleiro. E você, caro jogador, o rei branco. [Read more…]

Cheiro a mijo

Quando um jornal de referência publica um título como “Ricardo Araújo Pereira não mijou fora do penico, considera ERC”, o dia está ganho, porque é como se uma pessoa muito circunspecta usasse um palavrão raríssimo e porque permite imaginar uma votação da ERC com o presidente a dizer algo como “Quem considera que Ricardo Araújo Pereira mijou fora do penico? Muito obrigado! Quem considera que Ricardo Araújo Pereira não mijou fora do penico? Certo! Quem se abstém? Pronto, nesse caso, fica aprovado que Ricardo Araújo Pereira não mijou fora do penico. Vamos, agora, analisar a queixa do doutor Marinho e Pinto relativa ao programa de Ricardo Araújo Pereira.”

Da leitura da notícia, é importante, ainda, realçar a seguinte afirmação de Marinho e Pinto: “Não se pode urinar na cara das pessoas num programa de televisão.” Depreende-se, portanto, que possamos dedicar-nos a essa higiénica actividade, desde que não o façamos no pequeno ecrã. Prevejo, a propósito, o nascimento de um novo nicho de mercado, o da produção e venda da fralda-máscara, que uma pessoa nunca mais estará segura, de acordo com a jurisprudência involuntariamente criada por Marinho e Pinto.

Para que o leitor possa também formar uma opinião sobre assunto tão momentoso, seguem-se dois vídeos: o que motivou a queixa e um, mais antigo, em que Ricardo Araújo Pereira entrevistou Marinho e Pinto, correndo, portanto, todos os riscos menos o de levar com um monumental fluxo urinário nas trombas. [Read more…]

Os cofres estavam cheios… de Pokémons

pokemonUm inusitado movimento de entusiastas do jogo Pokémon GO invadiu hoje de manhã  a sede da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP, E.P.E., devido a uma indicação que apontava para os cofres do Tesouro estarem cheios de Pokémons.

Segundo fontes contactadas pelo Aventar, o equívoco teve origem num gracejo por parte da anterior ministra das finanças, Maria Luís Albuquerque, que terá afirmado “Deixei os cofres cheios? Só se fosse com Pokémons”. Ao que foi possível apurar, a gracinha foi ouvida por um condutor de táxi que faz biscates a levar passageiros à caça desses bicharocos virtuais, o qual se encontrava nesse momento a transportar a ex-ministra do seu part-time no Parlamento para a Arrow, onde toma notas de cenas e coisas.

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Sobre a febre dos pokémons

Pikachu
Uma Página Numa Rede Social

Perspectiva: é comum vermos malta a publicar histórias acerca do quão agradável foi a sua infância e adolescência. Com inspiradas doses de romantismo e nostalgia, recordam a época em que brincavam na rua, caíam do baloiço, esfolavam os joelhos, cobriam-se de espinhos e arranhadelas, quando iam buscar a bola que caíra no meio do mato, e não eram menos felizes por isso. Pelo contrário, essas pequenas mazelas acabaram por enriquecer-lhes a juventude.

Passaram 20 ou 30 anos. O Muro de Berlim caiu, as Torres Gémeas foram destruídas, o Iraque foi invadido, a TVI pôs um troglodita a dar pontapés na cara a uma rapariga em directo, o Facebook pôs estranhos de todo o mundo em amena cavaqueira, como se todos fôssemos amigos há anos, e o Passos Coelho juntou-se ao Paulo Portas, para baixarem o salário aos portugueses – ou, como eles lhe chamam, tornar os portugueses “mais competitivos” – e para venderem o maior número de empresas públicas no mais curto espaço de tempo possível.
Sim, passou depressa.
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Leonardo Ralha defende voyeurismo da CMTV

“O atentado que provocou 84 mortes na cidade francesa de Nice gerou uma vaga de indignação nas redes sociais portuguesas. Pena é que não tenha sido dirigida ao terrorista que acelerou ao volante contra a multidão no feriado nacional de 14 de Julho.”

Assim começa a defesa da CMTV escrita por Leonardo Ralha, jornalista do Correio da Manhã. Um parágrafo apenas e logo batemos em duas falácias. A primeira reside na afirmação de não ter existido uma “vaga de indignação nas redes sociais portuguesas” dirigida ao terrorista. E a segunda, depreende-se, a cobertura, digamos noticiosa, da CMTV não pode ser objecto de críticas.

Ralha desenvolve, no segundo parágrafo do seu texto, a explicação que encontra para essa onda de protestos, para os quais o Aventar, sumariamente, também contribuiu. Segundo o cronista,  houve “raiva” demonstrada “aos órgãos de comunicação social” por estes “mostrarem imagens chocantes”.  Não, corpos “seminus, estropiados, desarticulados, a escorrer litros de sangue, de olhos abertos“, usando as palavras de Vasco Pimentel, não são apenas imagens chocantes. Constituem um exercício de voyeurismo, tal como os que diariamente enchem esse canal de televisão, esticado até à exaustão. Não se trata de “ocultar consequências”, nem de fazer “desaparecer causas”, Leonardo Ralha. A cobertura da CMTV procurou, e conseguiu, mostrar as entranhas da carnificina, como forma de atrair a mesma audiência que entope uma estrada perante um carro acidentado do outro lado.

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