O elevado custo dos grupos prioritários de vacinação

À entrada da época turística estamos aflitos com o aumento de contágios e internamentos em algumas zonas do país particularmente no grupo etário entre os 20 e os 40 anos.
Se não tivéssemos tontamente estabelecido grupos prioritários para vacinação, nomeadamente profissionais de saúde que não lidavam com doentes COVID e professores do 1º, 2º, 3º ciclos e secundário, estaríamos agora a vacinar cidadãos a partir dos 20 anos!

Os excelentes resultados só começaram a verificar-se quando se começou a vacinar por grupos etários, dos mais idosos para baixo, evitando assim, a mortandade e internamentos dolorosos a que assistimos a partir dos 60 anos.
Valeu a pena? Está à vista de todos: poderemos, em breve, perder o estatuto de país seguro para receber turistas como aconteceu no ano passado devido às taxas de incidência e de contágio na Área Metropolitana de Lisboa!
É preciso bom-senso, sim mas, acima do mais, coragem para decidir independentemente de grupos de pressão ou de votos em eleições vindouras.

O Mecenato Científico: Leilão Europeu

A União Europeia aconselha todos os seus Estados-Membros a administrarem a vacina da gigante farmacêutica AstraZeneca.

Ora, segundo notícias vindas a público, a farmacêutica registou, no último ano, lucros de 2.592 milhões de euros, naquilo que representou um crescimento de 159% em relação ao período homólogo do ano passado. O lucro baseado nos males é bala do capitalismo, sabemos. Por tal, não é a AstraZeneca a parte culposa. Esse papel está reservado, nesta situação, à UE, que se apresenta como um meio para chegar a um fim – o lucro dos seus parceiros económicos.

Tendo por base estes dados, concluímos que as desigualdades se manifestam, também, no acesso à vacina. A monopolização da vacina, em que uma das produtoras enriquece em larga escala graças a essa mesma monopolização, tendo como braço armado a UE na sua defesa e adjudicação, não beneficia nem os cidadãos europeus dos países pertencentes à União, nem o resto do Mundo (ao qual a UE também tem de saber chegar, no sentido de esbater as desigualdades existentes).

Fica provado, mais uma vez, o carácter neo-liberal da UE, que comanda e impõe, estando mais interessada em enriquecer poderes alheios, em vez de chegar a todos os seus cidadãos de igual forma sem olhar aos lucros. É, também nisto, que se vê o carácter capitalista e pouco humanista de uma “união” que me parece cada vez mais afastada de si mesma.

Se para o comum cidadão os anos de 2020 e 2021 ficarão na memória como um dos piores do novo milénio, para a farmacêutica britânica estes anos serão, citando Bryan Adams em Summer of ‘69, “the best days of my life”.

Foto: Dado Ruvic – Reuters