Pod ser ou nem por isso – A cultura do tacho em Portugal

Conversa entre João Mendes e Francisco Salvador Figueiredo.

Moderação (ou nem por isso) de Francisco Miguel Valada.

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Pod ser ou nem por isso – A cultura do tacho em Portugal
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Comments

  1. Best says:

    O banqueiro Espirito Santo não trataria Salazar por António, como o seu neto tratava José Sócrates por José. Voulà une difference…
    Ricardo Espirito Santo era recebido por Salazar, mas não está provado nem há notícia de ter lucrado com isso ( queixas de concorrentes etc., vindas a lume depois de 74). O país é que, sabidamente ganhou com uma fundação daquelas verdadeiras. Quanto a Salazar, morreu pobre, como se sabe.
    Sobre empenhos, se lessem Eça saberiam de uma “carta de empenho” escrita pelo escritor. E antes dele, por muitos outros.

    • Rui Naldinho says:

      Sim, eu sei que muita vaselina torna tudo mais brilhante. Até os maiores escroques viram peças escultóricas de vitrine. Com medalhas e condecorações.
      Ao longo dos últimas décadas tenho-me apercebido de que gente da alta sociedade, uma espécie de intocáveis, não os da Índia, claro, conseguem sempre escapar às mãos da justiça, morrendo em casa, na pior das hipóteses, apesar de condenados a penas superiores a 5 anos.
      Se é verdade que espécimes como Armando Vara, José Sócrates, Isaltino Morais, Duarte Lima, entre outros, tudo raia miúda, paga com bons soldos para facilitar a vida a uns quantos, têm batido com os costados numa cela, já as castas superiores, uma espécie de “Brâmanes da Lusitânia”, esses escapam sempre a qualquer condenação de facto.
      Como diz o Pacheco Pereira, temos uma Justiça para ricos e uma para remediados. Os pobres limitam-se a uma condenação em primeira instância.
      No dia em que para além dos que mencionei em cima, vir também Rendeiro e Ricardo Espírito Santo, entre outros, sentados vários anos numa penitenciária, até pode ser na de Évora, então talvez comece a acreditar na nossa Justiça.
      Até lá, limito-me a rir de tanta hipocrisia.

      • POIS! says:

        Estou de acordo no geral, mas faria um pequeno reparo: existe uma justiça para ricos e outra para os outros. mas, dentro dos outros os “remediados” são os que menos a ela têm completo acesso.

        Os pobres, na realidade, os muito pobres, têm direito a assistência judiciária. Por isso até podem percorrer, na forma de recurso, as instâncias superiores. Os tais “remediados” é que não.

        Em Portugal não existe um Serviço Nacional de Justiça ao nível do SNS: de acesso livre e praticamente gratuito. Nem sequer existem “seguros de justiça”. Os considerados como “remediados” arcam com todas as custas dos processos, e todos sabem que, quando é estritamente necessário o recurso á justiça, nunca se consegue ter a certeza, à priori, dos custos envolvidos. Aqui também há sérias culpas de entidades como a (des)Ordem dos Advogados. Mas isso seria outra conversa.

        Mas há mais: em estudos realizados por entidades independentes prova-se que o andamento dos processos não é igual para todos. Os processos criminais vulgares (não os do crime económico, por variadas razões) andam muito mais rapidamente que os processos de trabalho (despedimentos, etc.) e estes raramente passam da primeira instância.

        E as cobranças de dívidas andam a uma rapidez estonteante! Um estudo do Centro de Estudos Sociais da UC definia os tribunais como uma instância de cobrança de dívidas ao serviço das grandes empresas, que assim ficavam de mãos livres para aumentarem as vendas a crédito sem se preocuparem minimamente com a solvabilidade do cliente.

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