O Dia do Trabalhador 40 Anos Depois

pingo-doce-1-de-maio_bNada a declarar. Obrigado.

Há descontos no Pingo Doce este 1º de Maio

pingo doce maio

O 1º de Maio ajoelhado

joelhos

O velho PPD tem um grave problema com as terminologias, o democrático sempre foi duvidoso, chamar-se PSD, sem manter social-democrata algum no seu seio, que se saiba, admito um sobrevivente clandestino no Entroncamento.

Subsiste outro fenómeno, duplicado: os TSD. Embora o tal militante do Entroncamento possa andar por ali filiado, no mínimo deveria chamar-se CSD, colaboradores do patronato deve ter bastantes, para não dizer que por ali andam quase todos, ou seja: CP, colaboradores do patrão. Era capaz de me ocorrer uma alternativa que metia um B, mas não quero discriminar positivamente o capitalista do sexo masculino, as mulheres no topo das empresas são poucas e por isso mesmo mereceriam um M, o que complicava a sigla.

Ora os colaboradores populares comemoraram o 1º de Maio (se até o Alexandre SS o faz, têm direito) num hotel de 5 estrelas. Compreende-se a nobreza da escolha: deve estar em vias de falir e sempre lhes alugaram uma salinha. De qualquer forma não resisto: alguém anda a comemorar acima das suas possibilidades. Não podiam ficar por um jantarinho de saudade a 24 de Abril? a vida não está para estes luxos.

Manobras de Maio

Viver aqui, no litoral próspero de outros tempos, significa não ter tradição de lutas nem manifestações. Isso era coisa da Marinha Grande, nos mesmos tempos. Aqui não há registos de desfiles de Abril e as comemorações do 1º de Maio em Leiria são há muitos anos participadas pelos mesmos, nem muitos nem poucos, assim-assim, a reboque dos sindicalistas resistentes. E foi por isso que as manifestações de Setembro e Março assumiram tamanha importância, também. Vive aqui a mesma gente, do mesmo país, afinal. Coabitam o mesmo espaço que os empreendedores (ah, os empreendedores!), os empresários, os patrões, num distrito a que Feliciano Barreiras Duarte (o secretário de Estado que emergiu publicamente da luta das portagens no oeste, nos anos 90) caracterizou em livro como “um gigante económico, mas um anão político”.  [Read more…]

A “Glorificação” do Trabalhador

glorificacao do trabalhadorSimpática oferta da Direcção Geral de Arquivos, hoje no seu Facebook, este panfleto da Confederação Geral do Trabalho sobre o 1º de Maio, que me parece datável de c. 1931.

Das alfuras reaccionarias do capitalismo espoliador, servidas pelos molossos e rafeiros duma imprensa imunda, surgiu a peregrina ideia da “Glorificação” do Trabalhador, especie de mea culpa hipocrita de todos os bandidos que vivem á custa do esforço e miseria do proletariado.

Relembrando os camaradas  anarco-sindicalistas que sofreram a repressão da monarquia, da república e do fascismo, aqui fica a imagem editada do panfleto: [Read more…]

Hoje não há cortes

Viva o 1º de Maio. Quem tem gaspar e cu adia, borrado de medo.

Dizem que é uma espécie de liberalismo

Os fornecedores dos supermercados Pingo Doce, detidos pelo grupo Jerónimo Martins, estão a ver os seus piores receios confirmarem-se: os custos da polémica campanha de 50% de desconto em compras a partir de 100 euros, realizada no 1º de Maio, será repercutida nas facturas que os produtores vão receber nas próximas semanas. Fonte.

Eu chamava a isto absolutismo dos mercados, mas na volta ainda me chamam nacional-socialista.

Estado de negação

Numa análise que pecará por superficial, parece evidente que os seguidores de algumas ideologias políticas estão, desde há uns anos, completamente à nora para continuarem a sustentar premissas e valores completamente vetustos e, principalmente, desadequados.

Os tempos mudam, e as mudanças não lhes foram generosas. O que outrora parecia, alegadamente, a justiça e a harmonia feitas ideal político, hoje mais não é que um aglomerado de protestos e críticas que se fundamentam já não numa tese única e estrutural que lhes dava consistência e mérito, mas antes num desesperado desejo de sobrevivência política. Já não trazem nada de novo, válido ou exequível. Desistiram de participar. Aceitaram, cobardemente, o império da crítica sem alternativa séria, a supremacia da reprovação populista abrigada na impunidade de quem, voluntariamente, prescinde da responsabilidade de governar ou de, algum dia, vir a governar o País. [Read more…]

Uma excelente análise do fenómeno promoção do Pingo Doce no passado 1º de Maio

Anatomia de um golpe

Contado, toda a gente acredita: o Pingo Doce dá um super-desconto, a população adere em massa, é um golpe genial. Visto, é inacreditável: uma turba faminta amotina-se, espanca-se, enlouquece, encena uma pilhagem sórdida. É uma miséria de marketing. É um marketing da miséria. “O balanço é positivo, considerando-se a acção como conseguida”.

Mais um excelente editorial de Pedro Santos Guerreiro.

Dumping ideológico

Os supermercados da cadeia Pingo Doce estão caóticos neste 1.º de Maio graças a uma campanha lançada pela Jerónimo Martins em que compras acima de 100 euros têm um desconto de 50%. in Sol

Depois dizem que os sindicatos é que convocam greves políticas.

1º de Maio

Para acabar de vez com o 1º de Maio

O ano passado foi o que seu viu. Este ano mais um grupo de hipermercados quer abrir as portas.

O Primeiro de Maio nasceu com a luta pelas 8 horas de trabalho (sim, trabalhar de sol a sol não é uma invenção recente, era assim até ao séc. XIX). É o dia em que se celebram os direitos dos trabalhadores em todo o mundo, logo faz todo o sentido que se acabe com ele e que à frente desse combate estejam as grandes distribuidoras, as primeiras a usufruírem das flexibilizações de horários que cada revisão das leis laborais vai incrementando. Para eles vale tudo. A quem queira ser solidário valerá não meter lá os pés. Não é nada consigo? quando lhe cair em cima, e não falo do fim de mais um feriado, falo do regresso à selva laboral, vai ver que é.

Dia do Trabalhador

Amanhã é feriado, Dia do Trabalhador. 

Há mais de cem anos que se comemora este dia, mas ainda há muito a fazer na defesa dos direitos do trabalhador, que parece estarem a perder-se, ao invés de serem reforçados e respeitados. Andamos para trás… 

É difícil não pensar, sobretudo, naqueles que perderam o seu trabalho. Recordo os números do desemprego no último ano: em Maio de 2011, previa-se que subiria para os 13% em 2012; em Novembro de 2011, atingia-se os 12,6% e previa-se os 13,6% para 2012; em Janeiro 2012, já estava nos 14, 8% e, no mês seguinte, nos 15%, número redondo.

Felizes os que (ainda) têm trabalho.

Felizes os que podem trabalhar.

Felizes os que gostam do que fazem, apesar de tudo.

Foto de Lewis Hine

Feriados, vamos lá acabar com o de Abril e o de Maio

A questão dos feriados tem sido uma batalha recorrente da direita patronal com um objectivo claro, baixar os salários, e outro oculto: tirar o 25 de Abril e o 1º de Maio do calendário. Acresce a ideologia do trabalho é que induca, com ou sem vinho que instrói, a velha glorificação típica das ditaduras. Libertem-se, dizem eles.

Como é de aritmética elementar, e sendo o salário contabilizado ao ano, retirar um feriado é muito simplesmente baixar os custos do trabalho, fazendo por isso parte da cartilha dos fundamentalistas dos salários que o ex-economista Álvaro Santos Pereira tanto criticava. Trabalhas mais e recebes o mesmo é igual a receberes menos. Sim o trabalho é uma mercadoria, não é um favor, e muito menos um dever patriótico.

Já aventei sobre o assunto, a mentira de que temos mais feriados do que os outros (sobre isto ler também este artigo e os seus comentários) ou a treta de considerar as pontes como algo mais que férias repartidas.

Neste momento o governo, e nisto Passos Coelho cumpre o que prometeu, prepara-se para tentar cortar com quatro feriados e terminar com as tolerâncias de ponto, assunto que aquando da primeira estadia da troika entre nós deu origem ao episódio caricato de António Simões, patrão dos patrões, insurgindo-se contra uma tolerância oferecida aos funcionários públicos, quando fez o mesmo na sua empresa. E pego na sua argumentação atrapalhada: [Read more…]

E hoje é 1º de Maio

Engrenagem, canção de José Mário Branco, lado B de um single dos Corpo Diplomático. Mashup com Tempos Modernos de Charlie Chaplin

O 1º de Maio na Alameda

Vou para a Alameda, já recebi a convocatória para me apresentar no local habitual, de preferência perto das barracas do bom vinho tinto alentejano, das sandes de presunto e longe da barulheira dos discursos e da música aos berros. Mas o pior de tudo são as palavras de ordem que uns gajos, escolhidos a dedo, gritam pelo megafone.

Os camaradas vêm de todo o país, com franel, gente generosa, distribuem tudo o que têm, produtos da casa, na província não há os dramas da grande cidade, eles têm o quintal, as couves, os nabos e o porquinho, e o vinho da aldeia, sem misturas, puro, só uva. E se não partilhamos é um desconforto, mas temos o Vitor com o pão alentejano que comprou na barraca dos comes e bebes e a garrafa do tinto, que os camaradas se apressam a dizer que é bom mas não chega ao deles.

Mas também aparece quem de grupo em grupo vá matando a fome. Em cada ano que passa há mais gente que passa mal, ouvem-se as estórias do fecho da fábrica, do filho desempregado, dos familiares que já emigraram.

O 1º de Maio já foi uma festa!

1º de Maio – Dia do Desempregado?

DIA DO TRABALHADOR?

Não se deveria mudar o nome deste dia para dia do desempregado?