Rudolfo Santos: o que aconteceu à aldeia que o devia ter educado?

O destino ou o determinismo apriorístico são construções irracionais, na minha opinião. Nada, na vida, está decidido, mas muito está condicionado: somos a consequência de muita informação genética e somos filhos de muita gente, sobretudo dos pais ou de quem faça a vez deles.

Há uns tempos, aqui pelo Aventar, insurgi-me contra um estudo em que um grupo de investigadoras defendia que o meio socioeconómico de origem e a idade dos alunos têm um peso de 30% no sucesso escolar dos alunos, dependendo os restantes 70% do trabalho realizado nas escolas.

O problema de afirmações destas, repetidas muitas vezes, não está em atacar ou defender esta ou aquela classe profissional, está no escamoteamento – propositado ou involuntário – da realidade: o meio socioeconómico em que um jovem é criado constitui um factor fundamental no seu sucesso escolar e pessoal. Mais grave: este escamoteamento tem sido apoiado por ministros da educação e por alguns satélites, como é o caso de Ana Maria Bettencourt, a presidente do Conselho Nacional de Educação.

Rudolfo Santos filmou uma agressão a uma rapariga, tendo publicado o vídeo no facebook, e foi julgado por isso, como podemos ler nesta notícia. Depois de ter declarado o seu arrependimento, saiu da sala de audiências e agrediu a pontapé uma jornalista, com a ajuda da mãe, que, ainda por cima, não teve problemas em se deixar fotografar a fazer um gesto obsceno. É fácil imaginar que educação o jovem terá recebido em casa e não será difícil adivinhar como se comportará nas aulas. [Read more…]