A destruição das Caves de Vinho do Porto

Caves de Vinho do Porto: antes e depois. Já foram demolidos pelo menos 15 edifícios, entre os quais 9 Armazéns. Clique para ampliar.

Tal como já aqui tinha sido dada nota, prossegue a grande ritmo o atentado urbanístico na zona das Caves de Vinho do Porto, em Gaia, que está a destruir definitivamente uma das mais belas paisagens urbanas do mundo e um património histórico e arquitectónico de valor incalculável.

Tiveram início há poucos dias as obras do “Mundo do Vinho”, noticiado de modo extremamente discreto na imprensa, mas cujos efeitos se fazem já sentir da forma eloquente retratada nas imagens que aqui se publicam.

Em Junho passado, o autarca de Gaia, Vítor Rodrigues, conhecido pela esmerada educação e pela peculiar relação que mantém com a verdade, anunciava à RTP:

“Serão demolidos dois pequenos armazéns, mas não se trata de caves”.

Em poucos dias, como as imagens bem documentam, foram demolidos pelo menos 15 (quinze) edifícios, entre os quais vários “armazéns” (na imagem identificam-se nove), estruturas arquitectónicas a que os leigos deram, ao longo da História, o nome de “Caves” de Vinho do Porto e que compõem um conjunto paisagístico e urbano famoso no mundo inteiro.

No passado dia 6 de Dezembro de 2017, foi remetido à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia um requerimento solicitando cópias do projecto “Mundo do Vinho”, incluindo plantas, índices urbanísticos, estudos de impacto no sistema de vistas, estudos de impacto na rede viária e relatório de ponderação. A Câmara não se dignou sequer responder, pelo que competente queixa foi remetida à CADA – Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos – cujo endereço de correio electrónico é geral@cada.pt, aguardando-se resposta.

Entretanto aqui ficam as imagens que demonstram que tudo o que aqui já se escreveu sobre este assunto, o World of Wine, era verdade. Como, aliás, não poderia deixar de ser.

Fevereiro de 2018. Vários Armazéns demolidos. Clique para ampliar.

Fevereiro de 2018. Vários Armazéns demolidos. Clique para ampliar.


Divisão no PS Gaia

Há mais de um ano atrás houve quem tivesse percebido que a Medalha Municipal que o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia e líder do PS/Gaia entregou ao vice-presidente do PSD, Marco António Costa, não era um simples gesto bizarro, destituído de significado político. Pelo contrário, era, para quem tivesse os olhos abertos, o sinal de que a estratégia política do Partido Socialista para a terceira maior cidade do país passava pelo “Bloco Central de interesses” e que estávamos perante a reabilitação simbólica daqueles que foram acusados, pela generalidade da “Esquerda”, de levar este país ao chão e de o arrastar por um processo de destruição social sem precedentes.

Parece haver, agora, dentro do PS/Gaia, quem tenha descoberto esse truque, essa verdadeira traição aos valores proclamados pelo Partido Socialista, e se afaste dessa estratégia, criticando os dirigentes concelhios que a impuseram.

Escreve Agostinho Lisboa, um dos mais notáveis militantes socialistas de Vila Nova de Gaia, que recusou participar das listas do PS à próximas Autárquicas, porque:

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